Mercados Hoje | Bolsonaro defende importância da “visão social” da Petrobras

Tempo de leitura: 9 minutos

Introdução:

Internacional

• Bolsas internacionais caminham para fechar a semana em tom negativo;
• Receio com recente alta dos juros futuros nas economias desenvolvidas segue como principal ponto de cautela para investidores;
• Enquanto estabilização das taxas em patamares atuais possibilitariam a acomodação dos mercados, novas aberturas como a de ontem (de tamanha magnitude e velocidade) certamente forçariam novas correções;
• Balança comercial, dados de consumo pessoal e confiança do consumidor protagonizam agenda de indicadores econômicos nos EUA.


Brasil

• Declaração inquieta investidores que avaliam possível interferência na atual política de preços da petroleira;
• Votação da PEC emergencial é remarcada para a quarta-feira com conteúdo incerto;
• Bolsonaro revela que governo pretende distribuir quatro parcelas de R$ 250 do auxílio emergencial e reafirma intenção de ampliar Bolsa Família;
• Desemprego da PNAD-Contínua e resultado primário do governo agitam agenda local pela manhã.


CENÁRIO EXTERNO: RETOMADA, CORREÇÕES E OS JUROS

Mercados… Mercados asiáticos encerraram a semana no vermelho, com quedas relevantes das bolsas no Japão, China e Coréia do Sul. Na zona do euro, índices acionários voltaram a abrir em tom baixista: o Stoxx 600, índice que abrange uma gama de ativos de todo o continente, recua cerca 0,8%. Em NY, índices futuros também oscilam em torno do zero a zero, enquanto o dólar (DXY) tem manhã de recuperação contra os seus principais pares (+0,6%). Na fronte das commodities, a manhã é de queda generalizada entre os ativos. O preço do petróleo (Brent Crude – ICE) registra baixa de 0,7%, negociado próximo dos US$ 66,40/barril.

Retomada, correções e os juros… Ativos de risco estão amanhecendo sem tendência bem definida, com bolsas europeias voltando a abrir em terreno negativo enquanto índices futuros apontam para um início de negociações sem direções claras nos EUA. O principal ponto de atenção dos investidores segue sendo a forte abertura dos juros futuros nas economias desenvolvidas, movimento que causou o tombo dos mercados verificado na sessão de ontem. Hoje pela manhã, este mercado se movimenta em tom de acomodação, levando o investidor a questionar se este será o novo patamar para os juros ou se ainda há espaço para novos saltos.

E agora? O mercado deverá manter o tom de cautela enquanto não apareçam sinais claros de que o patamar atual dos juros será o suficiente para atrair o apetite dos investidores. Afinal, as apostas de uma alta dos juros nos EUA antes do que está sendo preconizado pelo Federal Reserve, pautadas na expectativa de uma forte retomada (o país avança firme com a campanha de vacinação e o novo governo trabalha para transformar o pacote de estímulos econômicos de US$ 1,9 trilhões em realidade) que pode “superaquecer” a maior economia do mundo, são o motivo principal para esta movimentação. Enquanto isso, autoridades monetárias ao redor do mundo buscam tranquilizar a situação, como foi o caso do banqueiro central americano, Jerome Powell, em suas falas diante do Senado e da Casa dos Representantes nesta semana. Olhando para frente, uma maior estabilidade dos juros nos patamares atuais permitirá o ajuste dos preços de ativos de risco em direção à nova realidade enquanto, na outra ponta, a abertura da taxa de forma abrupta e veloz certamente forçará novas correções. Vamos acompanhar…

Na agenda… Em dia de agenda vazia na Europa, as atenções se voltarão, às 10h30, para o resultado da balança comercial americana em janeiro (est.: US$ -83,0 bi) e os dados de gasto pessoal do americano no mesmo mês – acompanhados da divulgação do seu deflator (PCE), a medida de inflação acompanhada mais de perto pelo Federal Reserve (est.: +0,1% m/m). Mais tarde (12h), a Universidade de Michigan divulga a leitura final do índice de confiança do consumidor americano em fevereiro (est.: 76,4).


BRASIL: BOLSONARO DEFENDE IMPORTÂNCIA DA “VISÃO SOCIAL” DA PETROBRAS

Visão social… Em um evento realizado em Foz de Iguaçu (PR), o presidente Jair Bolsonaro voltou a defender, em referência a recente substituição na presidência da Petrobras, que estatais não podem desconsiderar “a visão social”. A declaração está relacionada às críticas direcionadas ao recém demitido presidente da petroleira, Roberto Castello Branco, que não “fazia nada para reduzir preços dos combustíveis”, segundo Bolsonaro. A declaração foi interpretada como uma sinalização negativa por investidores, que continuam avaliando as declarações conflitantes do presidente em torno do seu posicionamento frente a política de preços da estatal.

4 parcelas de R$ 250… Na sua costumeira transmissão realizada nas mídias sociais toda quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro voltou a abordar o possível retorno do auxílio emergencial, que expirou no final de 2020. Segundo o presidente, a intenção da equipe econômica é que o programa seja retomado em março com quatro parcelas mensais de R$ 250. O valor e número de parcelas defendidas pelo presidente estão dentro da expectativa do mercado e implicam um gasto adicional próximo de R$ 30 bi, dependendo da base de beneficiados. O governo ainda pretende viabilizar o retorno do programa por meio da aprovação da PEC emergencial.

Renda Brasil em julho… Bolsonaro também revelou que pretende apresentar uma nova proposta para o Bolsa Família após a distribuição das 4 parcelas do auxílio. O presidente não deixou claro se ele ainda defende uma repaginada ambiciosa que inclui um novo nome para o programa (i.e. Renda Brasil) ou se governo pretende realizar uma expansão mais modesta que não altere drasticamente o programa inaugurado pelo ex-presidente Lula.

PEC Emergencial na quarta-feira… O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), revelou ontem que planeja votar a PEC emergencial na próxima quarta-feira (03). A intenção no início da semana era votar o projeto ontem, mas a ampla rejeição do dispositivo que visava eliminar o piso constitucional dos gastos direcionados às áreas de educação e saúde resultou no adiamento da leitura da proposta no plenário da Casa Alta ontem. Pacheco também negou que o Senado pretende fatiar a PEC para que a questão do auxílio seja votada separadamente da regulamentação dos gatilhos de corte gastos – uma ideia que ele mesmo admitiu ser “uma possibilidade” no dia anterior.

Na agenda… Em manhã movimentada, a agenda traz os dados de emprego da PNAD-Contínua referentes a dezembro, às 9h, e o Banco Central divulga o resultado primário do governo em janeiro (est.: R$ +49,6 bi). Com relação à taxa de desemprego, acreditamos em uma nova baixa, com queda dos 14,1% da última leitura para 13,9% na pesquisa mais recente.

E os mercados hoje? Mercados globais voltaram a abrir com viés predominantemente baixista, com a avaliação por investidores de até onde o movimento de abertura de juros nas economias desenvolvidas irá levar as taxas, promovendo cautela. No Brasil, mercado é passageiro de tal movimento, com o agravante das incertezas intensificadas pelo presidente e os membros do legislativo em Brasília. Nesta fronte, o receio com a intervenção do governo na Petrobras e a falta de avanços concretos com a PEC Emergencial mantêm o investidor extremamente desconfortável entrando na última sessão da semana. Desta forma, antecipamos uma abertura de viés negativo para ativos de risco locais de maneira quase que generalizada.

 


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: 112.361 (-2,86%)
BR$/US$: 5,51 (+2,16%)
DI Jan/27: 7,80% (+13 bps)
S&P 3.832 (-2,36%)

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Jornais:

VALOR
– Estrangeiros retiram R$ 9,2 bi da B3 após crise na Petrobras
– Castello Branco sai em defesa de sua atuação na companhia
– PL dos Correios afeta Amazon e Mercado Livre
– Leilão de linhas da CPTM atrai grandes grupos

O GLOBO
– Com 1.582 mortes, Pazuello reconhece piora da crise
– Bolsonaro ataca uso de máscara em live
– Câmara adia votação da ‘PC da Impunidade’
– Inquérito sobre Rodrigo Maia deve ser arquivado

FOLHA DE S.PAULO
– País tem recorde de mortes, e restrições se intensificam
– Bolsonaro decide trocar Wajngarten por almirante
– Chefe da Petrobras dá recado e defende preços de mercado
– Votação adiada de PEC da imunidade é revés para Lira

O ESTADO DE S.PAULO
– País tem recorde de mortes e hospitais-referência no limite
– Variante detectada em NY intriga especialistas
– Almirante deve assumir comunicação do governo

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