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Guide Mercados Hoje: Mercado inicia semana apreensivo com trâmite da PEC dos precatórios no radar

Tempo de leitura: 12 minutos

No Mercados Hoje falamos sobre a abertura do mercado e listamos os principais acontecimentos do noticiário e da agenda econômica no dia.

Confira o relatório de 25 de outubro de 2021!

Mercados Globais:

Ativos de risco estão iniciando a semana sem tendência bem definida, com bolsas europeias e futuros americanos estáveis após uma sessão mista na Ásia. Investidores continuam avaliando o cenário de inflação elevada, buscando novas sinalizações do Federal Reserve com relação à possibilidade de uma normalização da política monetária antecipada. Enquanto isso, as atenções deverão se voltar ao âmbito corporativo, onde as Big Techs roubam a cena com seus resultados trimestrais. Facebook (hoje) abre a sequência, que também contará com os balanços da Alphabet, Microsoft, Twitter (amanhã), Amazon e Apple (5ªfeira).

Como destaques no noticiário, a Covid-19 voltou aos holofotes na China após o governo anunciar novos lockdowns focalizados no Norte, de modo a conter um surto da variante Delta, e o governo Turco elevou tensões geopolíticas ao dizer que embaixadores de 10 países diferentes (incluindo EUA, Alemanha e França) não serão mais bem vindos no país, colocando pressão sobre a lira turca – o episódio sucede pressões para que um crítico do governo de Erdogan fosse liberado. 


Nikkei 225: CSI 300: Stoxx 600: S&P Futuro: DXY: Juro T10: Petróleo:
-0,71%
28.600
+0,40%;
4.980
+0,03%;
472,04
+0,13%;
4.551

+0,10%;
93,72

1,66% a.a.
+0,8 bps
+0,76%;
US$ 85,28/barril

AGENDA INTERNACIONAL
09h30 – EUA – CFNAI: Índice de atividade nacional (set) – Fed (Chicago)
11h30 – EUA – Sondagem industrial (out) – Fed (Dallas)


HEADLINES

VALOR Estagflação vira realidade antes para mais pobres. A combinação de inflação alta e estagnação decorrente do alto desemprego tem levado as famílias mais pobres a um cenário de “estagflação”. A inflação se aproxima de 11%, no acumulado de 12 meses, para as famílias de renda muito baixa, e a taxa de desemprego chega a 22,66% para quem não terminou o ensino médio. Para as famílias menos escolarizadas, a taxa de ocupação ainda está 7,3% abaixo do patamar pré-pandemia. Sem crescimento econômico, uma mudança no médio prazo é improvável dadas as condições ruins do mercado de trabalho e perspectivas desanimadoras de inflação, dizem economistas. Dados do Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda mostram que a inflação acelerou em setembro ante agosto para todos os segmentos de renda, mas foi de 1,30% para famílias de renda muito baixa (cuja renda domiciliar vai até R$ 1.808,79) e de 1,09% para as de renda alta (renda domiciliar acima de R$ 17.764,49). No acumulado de 12 meses, a inflação para os mais pobres chega a 10,98%, 2,1 pontos percentuais a mais do que para as famílias mais ricas. 

VALOR Auxílio deve ser inócuo para popularidade. A criação de um auxílio social para tirar o Bolsa Família de cena, associada a uma mudança sensível na política fiscal do país, pode não ter o efeito esperado pelo presidente Jair Bolsonaro. Na avaliação de cientistas políticos e analistas ouvidos pelo Valor, os R$ 400 anunciados pelo governo não são garantia de aumento de popularidade. Para eles, o impacto econômico provocado pela mudança no teto de gastos tende a anular eventuais ganhos eleitorais. O aceno aos mais pobres, a um ano das eleições presidenciais, veio sem o planejamento devido. “O que se vê é casuísmo em função de projetos pouco alvissareiros, combinados com a atuação de lideranças políticas (do centrão) para ocupar espaço em um governo fragilizado. Uma evidência dessa falta de planejamento é que a cada momento o governo anunciava uma estratégia diferente para bancar [o Auxílio Brasil]”, diz o cientista político Rafael Cortez, sócio da consultoria Tendências.  

FOLHA Área técnica vê fragilidade fiscal e teme novos avanços da ala política sobre Orçamento. Membros da área técnica do Ministério da Economia —entre aqueles que ficaram na pasta após a debandada de secretários— avaliam que, embora a situação esteja mais calma após a permanência do ministro Paulo Guedes no cargo e a oficialização de novos nomes para a área que controla os cofres do governo, o ambiente ainda é de preocupação com a fragilidade do quadro fiscal. A avaliação é que as normas de controle do Orçamento público estão vulneráveis e expostas à ação do Congresso e da ala política do governo, que buscam ampliação de gastos às vésperas do ano eleitoral. Os próximos dois meses são considerados decisivos por quem monitora os fundamentos das contas públicas. Dentro desse período, os parlamentares analisarão a PEC (proposta de emenda à Constituição) que limita as despesas com precatórios —dívidas do governo reconhecidas pela Justiça— e o projeto de Orçamento de 2022. 

FOLHAEx-ministro da Saúde de Bolsonaro diz que problemas da Covid estão em outras áreas também. Com o encerramento da CPI da Covid, o ex-ministro da Saúde Nelson Teich avalia que deve ficar a lição para o país refletir as fragilidades da saúde no Brasil para além do coronavírus. “Em 2020, 200 mil pessoas morreram de Covid e 1,3 milhão morreram de outras coisas. Certamente, aquilo que nos agride em relação à Covid deve existir nas outras áreas. Só que a gente não enxerga com tanta clareza. Essa é uma oportunidade de começar a discutir, acima de tudo, a eficiência do sistema”, diz Teich. O setor hospitalar vem discutindo temas como o modelo de remuneração, que paga aos hospitais pelo serviço prestado, independentemente do desempenho, e a verticalização, em que uma operadora é dona da rede de hospitais, como é o caso da Prevent Senior, que foi alvo da CPI.  

ESTADÃO Desmonte no teto de gastos cria armadilha fiscal para o próximo presidente. m nome de sua tentativa de reeleição, o governo Jair Bolsonaro chancelou o desmonte na regra do teto de gastos – que limita o crescimento das despesas do governo à inflação. Mas pode acabar criando uma armadilha fiscal a ser desarmada pelo próximo presidente – que pode ser o próprio Bolsonaro – já em janeiro de 2023. Quase metade do valor de ao menos R$ 400 a ser pago no Auxílio Brasil, novo programa social substituto do Bolsa Família, será em caráter temporário e acabará junto com a atual gestão, deixando famílias já em situação vulnerável expostas a um corte abrupto na renda domiciliar. Especialistas apontam que dificilmente o próximo presidente conseguirá reduzir à metade o valor do benefício no início do governo, criando uma pressão para que o gasto se torne permanente.  

ESTADÃOGuedes: ‘Bolsonaro não é populista, é popular; estamos fazendo esforço para atender quem tem fome. ‘O ministro da Economia, Paulo Guedes, defendeu mais uma vez a decisão do governo federal de alterar a regra do teto de gastos, considerada a âncora fiscal do País, para viabilizar o pagamento de R$ 400 no Auxílio Brasil até dezembro de 2022, ano em que o presidente Jair Bolsonaro pretende buscar a reeleição. Em entrevista neste domingo, ao lado de Bolsonaro, Guedes disse que foi preciso “moderar a velocidade da aterrissagem fiscal”, para atender a população mais frágil neste momento, e defendeu as reformas para que o País tenha solidez fiscal. Segundo ele, uma possível aprovação da reforma administrativa traria uma economia de R$ 300 bilhões nos próximos oito a dez anos, frente ao gasto de R$ 30 bilhões para que o Auxílio Brasil chegue aos R$ 400,00. Apesar de dizer que defende o teto de gastos, Guedes comentou que havia uma necessidade de atender a uma parcela da população que está passando fome. Para o ministro, o movimento não transforma o presidente Jair Bolsonaro em um populista. “O presidente não é populista. Ele é popular. É diferente. Ele tem a sensibilidade de saber, olha, chegou a hora que nós temos que atender. Tem brasileiro comendo osso, passando fome. 

GLOBO Com crise política e econômica, número de IPOs cancelados ou adiados já supera o de estreantes na Bolsa. Turbulências políticas, incerteza sobre as contas públicas e uma conjuntura de inflação e juros em alta e risco de estagnação afastam empresas da Bolsa de Valores. Já são 68 cancelamentos ou adiamentos de ofertas públicas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês) formalizados neste ano, número superior ao de IPOs realizados, que somam 45 até agora. Analistas apontam que a proposta de mudança no teto de gastos na semana passada, com forte queda da Bolsa de São Paulo, a B3, e disparada do dólar, acaba de vez com o apetite das empresas para levantar recursos com uma abertura de capital, particularmente entre as de porte médio, que pretendiam captar menos de R$ 1 bilhão. Os números revelam um balde de água fria no otimismo que marcou o início do ano, com uma enxurrada de pedidos de autorização para oferta de ações protocolados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que regula o mercado de capitais. A piora no cenário global também não ajuda. 

GLOBO Quase metade do orçamento do Auxílio Brasil vai para o Nordeste, crucial para o plano de reeleição de Bolsonaro. A criação do Auxílio Brasil com benefício mensal de R$ 400, mais que o dobro do que a média no atual Bolsa Família, causou a crise fiscal da semana, abalou o mercado financeiro e provocou nova debandada na equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes. Mas, politicamente, todo o ruído pode ter valido a pena para o presidente Jair Bolsonaro. Além do valor turbinado até dezembro de 2022, o programa substituto do Bolsa Família promete ampliar de 14,6 milhões para 17 milhões o contingente de lares vulneráveis atendidos. E o maior impacto será sentido no Nordeste, onde Bolsonaro tem o menor índice de aprovação a caminho da reeleição. A região receberá praticamente metade do valor do Auxílio Brasil: ao menos R$ 36,6 bilhões em 2022, ano eleitoral. O impacto político do programa na região é crucial para Bolsonaro. Pesquisa Ipec de setembro deste ano mostra que, no Nordeste, 16% dos entrevistados consideram a gestão de seu governo boa ou ótima, menos que os 22% da média nacional. 


AGENDA BRASIL
08h00 – IPC-S (3ª quadrissemana de outubro): – FGV Ibre
08h00 – Sondagem do consumidor (out): – FGV Ibre
08h30 – Relatório Focus (22/out) – BCB
09h30 – Nota de política monetária e operações de crédito (set) – BCB
15h00 – Balança comercial semanal (22/out) – Secint 

E OS MERCADOS HOJE?
Mercados globais estão iniciando a semana sem direções claras, com investidores de olho no cenário de inflação e as suas possíveis implicações para a política monetária nos países desenvolvidos enquanto avaliam os resultados das Big Techs no âmbito corporativo. No Brasil, o avanço da PEC dos precatórios deve seguir causando apreensão, com investidores receosos de que a pressão por gastos possa elevar o valor do benefício médio do Auxílio Brasil para além dos R$ 400 mensais propostos na semana passada, além da abertura para acomodação de outras despesas. Neste cenário, o mercado já espera que o BC acelere o ritmo de aperto monetário na 4ªfeira, quando a mais recente ameaça ao arcabouço fiscal do país deve ser ressaltada no comunicado do Copom. Desta forma, esperamos mais um dia de abertura de viés neutro/negativo para ativos de risco locais, que terão desempenhos condicionados aos desenvolvimentos na fronte do fiscal.


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: 107.735 (-2,75%)
BRL/USD: 5,65 (+1,11%)

DI Jan/27: 11,74% (+47 bps)
S&P 500: 4.549,78 (+0,30%)

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


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