Mercados hoje | Vacinação antecipada?

Tempo de leitura: 10 minutos

Introdução:

Internacional

• Bolsas globais iniciam semana em tom positivo;
• Esperança com antecipação de uma vacinação contra a covid-19 antes do fim do ano impulsiona o sentimento;
• Investidores parecem priorizar perspectiva por próximos meses mais construtivos ante a manutenção de um quadro sanitário preocupante e a divulgação de dados de atividade mais fracos ao redor do mundo;
• PMI/Markit Composto indica contração da economia europeia na leitura preliminar de novembro.

Brasil

• Ritmo reduzido de atividades no Congresso deve se estender até o término do 2º turno;
• Senado pode votar nova lei das falências;
• Ministério da Saúde revela que se reuniu com cinco laboratórios detentores de vacinas em fase avançada de testagens;
• IPCA-15, IGP-M, PNAD-Contínua e resultado primário do governo protagonizam a agenda da semana.  


CENÁRIO EXTERNO: Vacinação antecipada?

Mercados… Na Ásia, mercados iniciaram a semana em alta, com bolsas de Hong Kong (0,1%), Coréia do Sul (+2,3%) e Shanghai (+1,1%) fechando o pregão com variações positiva – Tóquio não abriu para negociações por conta de um feriado nacional. Enquanto isso, índices de mercado europeus voltaram a abrir com viés altista: o Stoxx 600, índice que abrange uma gama de ativos de risco da região, registra variação positiva de 0,3% até o momento. Em NY, índices futuros operam na mesma direção das bolsas europeias, enquanto o dólar (DXY) registra leve desvalorização contra os seus principais pares. Na fronte das commodities, ativos retomam trajetória altista de maneira generalizada. O preço do petróleo (Brent crude) avança 1,6%, negociado próximo dos US$ 45,60/barril.

Vacinação antecipada? … Ativos de risco iniciaram a semana em tom predominantemente positivo, reflexo da avaliação de que poderemos ver o início de uma campanha de vacinação antes do fim do ano. No pano de fundo, o mercado acompanha a manutenção de um quadro sanitário delicado na Europa e nos EUA, além de dados de atividade que já mostram os impactos econômicos da reintrodução de medidas de distanciamento. Não obstante, investidores já parecem ter precificado tal movimento, priorizando uma perspectiva mais construtiva para os próximos meses como embasamento para suas decisões de investimento.

Relatos promissores… Como principal novidade do final de semana, a Pfizer, que apresentou uma vacina com eficácia superior a 90% há duas semanas, sinalizou que pode pedir uma autorização emergencial para a distribuição e aplicação da sua solução já na primeira metade de dezembro. Apesar de ainda não configurar uma certeza, o eventual início de uma campanha de vacinação em massa antes do final do ano representaria um forte avanço em direção à volta da normalidade – e dos níveis de crescimento econômico verificado antes da pandemia. 

AstraZeneca Plc também impressiona… Outra notícia positiva foi a divulgação dos resultados de uma nova rodada de testes da vacina desenvolvida pela AstraZeneca Plc (parceria com a Universidade de Oxford), que mostraram uma eficácia de 70,4% na prevenção da covid-19. Apesar de ter um resultado inferior às vacinas da Pfizer e da Moderna Inc. (ambas com números superiores a 90%), pesquisadores de Oxford já sinalizaram acreditar que novos testes deverão trazer resultados ainda melhores e, mais importante ainda, é o fato de que a sua distribuição é mais prática e barata do que as suas alternativas. Diferente das duas outras vacinas mencionadas, que precisam ser mantidas a temperaturas extremamente baixas, a solução da AstraZeneca Plc consegue ser armazenada a temperaturas de refrigeradores comuns facilitando o seu transporte e alcance – principalmente no que diz respeito ao seu acesso a países mais pobres.

PMI/Markit… Mais cedo, a leitura preliminar de novembro do Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) Composto mostrou que a economia da zona do euro voltou a figurar em território contracionista. A pesquisa elaborada pelo Instituto Markit mostrou uma queda para 45,1 da leitura de 50,0 registrada no final de outubro (uma leitura acima de 50,0 indica expansão e, abaixo, contração da atividade). Como já era de se esperar, o setor de serviços foi o principal responsável por tal piora (41,3 contra 46,9 em outubro), confirmando a 3ª queda consecutiva do índice na esteira da reintrodução de medidas de distanciamento social ao redor do bloco. A indústria, por sua vez, registrou uma ligeira queda de produtividade (53,6 contra 54,8 em outubro).

Mais agenda… Ainda nesta 2ªfeira, o investidor recebe o PMI/Markit composto para a economia americana (11h45), logo após a divulgação do Índice de Atividade Econômica do Fed de Chicago (10h30). Olhando para o restante da semana, alguns dos principais destaques ocorrem na 4ªfeira: (i) os dados de gastos de consumo pessoais nos EUA, cujo deflator (PCE) é a medida de inflação acompanhada mais de perto pelo Fed; (ii) uma nova leitura do PIB do 3º tri nos EUA, que deve confirmar o avanço anualizado de 33,1% da atividade no período; (iii) os novos pedidos de auxílio-desemprego nos EUA na semana passada; e (iv) a ata referente à última reunião de política monetária do Federal Reserve. Na 5ªfeira, bolsas de NY ficarão fechadas em função do feriado de Thanksgiving nos Estados Unidos.


BRASIL: ELEIÇÃO MUNICIPAL MANTEM BRASÍLIA ADORMECIDA

Governo negocia compra de vacinas… No domingo, o Ministério da Saúde anunciou que realizou de uma série de reuniões preliminares na semana passada com laboratórios que possuem vacinas contra o covid-19. Representantes da Pfizer (EUA), Janssen (Bélgica), Bharat Biotech (Índia), RDIF (Rússia) e Moderna (EUA) participaram dos encontros. Todos estes possuem imunizantes que se encontram em fase de testagem avançada. Durante os encontros, foram discutidas as principais caraterísticas dos imunizantes, como a sua segurança, eficácia e aspectos logísticos para operacionalizar a distribuição deles ao povo brasileiro. Segundo a pasta, O Brasil já possui previsão de acesso a 142,9 milhões de doses em acordos contratuais, que poderão imunizar pelo menos 1/3 da população.

Eleição municipal mantém Brasília adormecida… O 2º turno eleições municipais devem dominar as manchetes durante o decorrer da semana. Investidores aguardarão ansiosamente o desfecho da temporada eleitoral, que promete acelerara as atividades em Brasília até o final do ano. Na semana que vem, o governo deve revelar seu plano de financiamento para a expansão do Bolsa Família, além de apresentar projetos que regulamentam os gatilhos do teto de gastos e desindexam o orçamento. Também existe a possibilidade que o ministro Paulo Guedes revele a sua proposta para um novo imposto digital.

Vazamentos?… Como este governo tem se mostrado vulnerável a vazamentos precoces, não descartamos a possibilidade que informações sobre estas pautas sejam antecipadas à mídia antes da próxima segunda-feira.

Câmara não deve votar projetos relevantes…  No Congresso, o nível de atividade dos parlamentares deve continuar reduzido. O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), firmou na semana passada um acordo com os partidos da base governistas que obstruem a pauta do plenário desde o início de outubro. Mesmo assim, as votações só devem ser retomadas para valer após o término do 2º turno.

Senado dever votar lei das falências… No Senado, as perspectivas para a semana são um pouco mais positivas, já que a votação da nova lei das falências, que deve estimular o financiamento de empresas na fase de recuperação judicial e ampliar o parcelamento das dívidas tributárias federais, já foi marcada para a 4ªfeira. O presidente da Casa Alta, Davi Alcolumbre (DEM-AP), tem se mostrado mais preocupado com o apagão no estado que representa – e o seu possível impacto sobre a candidatura do seu irmão (Josiel) a prefeito da capital do estado – do que nas votações do Senado.

Na agenda… Como de costume, as atualizações do boletim Focus abrem a agenda da semana, às 8h25 desta 2ªfeira. Na fronte da inflação, o investidor receberá os dados do IPCA-15 (3ªfeira) e o IGP-M (6ªfeira) referentes a novembro. Com relação à atividade, o destaque deve ficar com a divulgação da PNAD-Contínua de setembro, que deverá mostrar uma taxa de desemprego mais próxima de 15,0%. Por fim, o resultado primário do governo central em outubro (6ªfeira) é o dado da esfera fiscal com maior importância na semana.

E os mercados hoje?… Mercados globais iniciaram mais uma semana em tom positivo, com altas pautadas na maior probabilidade da distribuição de uma vacina antes do final do ano. No Brasil, a política continua caracterizada pela inércia, principalmente no que diz respeito ao avanço das pautas fiscalistas. Ao que parece, o mercado não poderá esperar nenhum desenvolvimento relevante até depois das eleições municipais. De qualquer maneira, a falta de novidades esperadas nesta semana deverá manter o mercado operando em linha com o exterior e, portanto, esperamos uma abertura com viés neutro/positivo para ativos de risco brasileiros.


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: 106.267 (-0,91%) ­­
BR$/US$: 5,36 (+0,73%)
DI Jan/27: 7,43% (+16 bps)
S&P 500: 3.567 (-1,16%)

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Jornais:

VALOR
– Empresas tentam reerguer planos de saúde individuais
– Alemanha reage a acusações de Bolsonaro
– Percepção de racismo varia politicamente
– Uma nova matriz elétrica para os confins da Amazônia

O GLOBO
– Inadimplência de empresas cai pela metade
– No G20, Bolsonaro diz preservar meio ambiente
– Polícia abre nova frente no caso João Alberto
– Fim de contrato ameaça o Lagoon

FOLHA DE S.PAULO
– Estudantes negros são só 10% na rede privada de SP
– Beto sofreu asfixia por 4 minutos ante 15 pessoas
– Centrão avança em cidade que recebe mais auxílio oficial
– Flavia Rios: Planalto usa a retórica racial da ditadura militar

O ESTADO DE S.PAULO
– Puxada por demanda e câmbio, renda no campo cresce 37%
– Lei de Acesso não ‘pega’ nas prefeituras do Estado de SP
– Brasil publica mais estudos sobre covid do que Suíça e Japão
– BID vai investir US$ 1,2 bi no Brasil em segurança pública

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