Guide Mercados Hoje: Olho do furacão ou calmaria após a tempestade?

Tempo de leitura: 11 minutos

No Mercados Hoje falamos sobre a abertura do mercado e listamos os principais acontecimentos do noticiário e da agenda econômica no dia.

Confira o relatório de 21 de setembro de 2021!

Mercados Globais:

Ativos de risco internacionais estão ameaçando uma sessão de recuperação parcial das perdas desta 2ªfeira, com bolsas europeias e futuros americanos no verde após uma sessão mista para as bolsas asiáticas.

Com relação à Evergrande, apesar da bolsa de Hong Kong ensaiar uma leve recuperação (bolsas chinesas se mantiveram fechadas em função de um feriado), a situação ainda parece estar longe do fim. Nesta fronte, até que possamos verificar uma sinalização mais concreta de que o governo chinês irá intervir para evitar um maior contágio da economia, investidores seguirão receosos com as possíveis reverberações sobre a economia mundial, o que por sua vez deve seguir contribuindo para a manutenção de uma maior volatilidade nos mercados.

Paralelamente, o mercado também se prepara para os anúncios de decisão de política monetária na China (hoje), nos EUA, no Japão (ambos amanhã) e no Reino Unido (5ªfeira). Naturalmente, o maior destaque ficará com a decisão do Federal Reserve, onde investidores esperam que o BC americano possa anunciar o cronograma para o início do tapering, previsto para ter início ainda neste ano.

Por fim, na política, destaque para a discussões em torno do pacote econômico trilionário de Joe Biden, que poderá se postergado além do prazo estabelecido em agosto (27/9) e da elevação – ou até suspensão – do teto da dívida americana, de forma a evitar um shutdown da máquina pública em outubro. Vamos acompanhar…


Nikkei 225: CSI 300: Stoxx 600: S&P Futuro: DXY: Juro T10: Petróleo:
-2,17%
29.840
N/A (feriado)
4.856
+1,02%
458,74
+0,82%
4.393

-0,14%
93,13

1,33% a.a.
(+1,9 bps)
+1,00%
US$ 74,65/barril

AGENDA INTERNACIONAL
09h30 – EUA – Concessões de alvarás e novas construções residenciais (ago) – C. Bureau
14h00 – EUA – Leilão de títulos públicos (20 anos) – Tesouro
22h30 – China – Decisão de taxa de juros ( 1 e 5 anos) – PBoC


HEADLINES

VALORVerba do Bolsa Família vai bancar maior parte de sucessor. O custo do programa Auxílio Brasil neste ano será de R$ 9,368 bilhões, informou ontem ao Valor o ministério da Economia. A compensação feita com a alta do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para cumprir as leis de Responsabilidade Fiscal (LRF) e de Diretrizes Orçamentárias (LDO) representa apenas uma pequena parte desse montante, de R$ 1,6 bilhão. O restante, R$ 7,7 bilhões, terá como fonte de recursos o dinheiro não utilizado pelo Bolsa Família neste ano, em decorrência do auxílio emergencial, que usou um orçamento à parte. Interlocutores do governo alegam que não haveria mais disponibilidade de fontes de cortes de gastos para fazer a compensação e, por isso, a opção pela alta do IOF, que durará até dezembro. A medida tem sido alvo de polêmica, principalmente com os bancos, que reclamam do encarecimento do crédito que isso vai provocar.

VALOR Tom de fala de Bolsonaro na ONU preocupa ministros. Ministros presentes na comitiva do presidente Jair Bolsonaro em Nova York tentavam até a noite de ontem convencê-lo a usar um tom moderado no discurso que fará hoje na Assembleia-Geral das Nações Unidas (ONU). A fala do presidente está marcada para as 10 horas, horário de Brasília. O discurso, em linhas gerais, estava pronto, com abertura para alguns improvisos de parte de Bolsonaro. Mas o que preocupava auxiliares era a maneira com que o presidente vai se colocar. Segundo fontes, Bolsonaro estava propenso a fazer uma defesa eloquente de seu governo, sem fugir de polêmicas. Um tema sensível internacionalmente, e que pode entrar no discurso, é a questão do marco temporal, sob julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) e que pode afetar a demarcação de terras indígenas no país.

FOLHA Bolsa e moeda brasileiras estão entre as mais vulneráveis à desaceleração da China, diz banco americano. A moeda brasileira, bem como a Bolsa de Valores do país, estão entre as mais vulneráveis a um cenário de forte desaquecimento na economia da China. A análise é dos economistas Brendan McKenna e Jessica Guo, do banco americano Wells Fargo. Em relatório publicado nesta segunda-feira (20), eles destacam que a desaceleração na economia da China por conta das medidas de aumento da regulação pelo governo e o risco de quebra de gigantes do mercado local, como a incorporadora Evergrande, deve reduzir a demanda do país por produtos importados, deixando economias mais dependentes do comércio com o gigante asiático em situação de maior vulnerabilidade.

FOLHA Brasil vai disputar topo na lista de países com maior inflação de 2021, diz OCDE. índice de preços ao consumidor no Brasil deve ficar entre os maiores do mundo, considerando um grupo de cerca de 20 economias com projeções divulgadas nesta terça-feira (21) pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Em 2021, somente dois países entre os 19 selecionados teriam inflação superior à brasileira, Turquia (17,8%) e Argentina (47%). O índice de preços no Brasil é projetado em 7,2%, recuando para 4,9% em 2022, o que colocaria o país com a quinta maior inflação na lista, atrás também de Rússia e Índia, ambos com 5,5%.

ESTADÃO Nova proposta prevê retirar parte dos precatórios do teto de gastos no Orçamento de 2022. Uma proposta para retirar excepcionalmente em 2022 uma parte dos gastos maiores com precatórios do teto de gasto está na mesa de negociação como uma solução conciliatória no impasse orçamentário que vem ampliando incertezas para as contas públicas, segundo apurou o Estadão com fontes envolvidas. A ideia, que tem chance de avançar, deverá ser discutida em reunião política dos presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), marcada para a noite desta segunda-feira, 20. O teto é a regra que limita o crescimento das despesas à variação da inflação. Precatórios são os pagamentos de ações judiciais que o governo é obrigado realizar, quando não cabe mais recurso nos tribunais.

ESTADÃOUma nova rodada de conversas, agora com a presença do ministro da Economia, Paulo Guedes, foi agendada pelos presidentes do Senado e Câmara, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) e Arthur Lira (PP-AL), para esta terça-feira. Eles querem encontrar, ainda nesta semana, uma solução sobre o pagamento dos precatórios, dívidas reconhecidas da União que somam uma conta de R$ 89 bilhões em 2022, sem estourar o teto de gastos e ainda com espaço no Orçamento para bancar o programa social do governo, o Auxílio Brasil. O governo Bolsonaro defende uma ampliação do novo Bolsa Família, mas o Orçamento ficou limitado por causa do pagamento de precatórios, bem acima dos R$ 54 bilhões pagos este ano. Além disso, a alta da inflação também limita o espaço no teto de gastos, uma vez que os benefícios previdenciários são reajustados de acordo com o INPC.

GGLOBO Integrantes do Itamaraty esperam discurso mais moderado de Bolsonaro, mas sem resultados. Integrantes do Itamaraty têm a expectativa de que o discurso do presidente Bolsonaro na abertura da Assembleia-Geral da ONU, nesta terça-feira, siga uma linha “mais moderada” do que os anteriores. É praticamente consenso, no entanto, que a fala não tem capacidade de restaurar a imagem do Brasil no exterior. A avaliação dos diplomatas é que a falta de credibilidade do presidente e do país permanecerão, já que todas as ações de Bolsonaro vão em direção oposta ao equilíbrio e à moderação. Entre essas ações, diplomatas apontam o negacionismo do presidente sobre a vacina, o desmonte da política ambiental e os discursos golpistas, em especial no 7 de setembro. Lembram que também pesa contra a credibilidade de Bolsonaro as duas falas que já fez na ONU, repletas de teorias negacionistas e com ataques a outras nações.

GLOBO Governo aposta na reforma do IR para destravar Auxílio Brasil e redução de subsídios. O governo está apostando na aprovação da reforma do Imposto de Renda para destravar o financiamento do Auxílio Brasil em 2022 e para ser a base do plano gradual de redução dos subsídios. Aprovada na Câmara no início de setembro, o projeto Inflação em alta freia reação mais forte do setor de serviços. Volta do público aos eventos, retorno presencial aos escritórios e mais gente circulando nas ruas com o avanço da vacinação: o setor de serviços se preparava para ganhar ainda mais fôlego no último trimestre de 2021, depois de um ano e meio de desempenho errático com o abre e fecha da economia durante a pandemia. Mas a disparada da inflação, que acumula alta de 9,68% nos últimos 12 meses, pressionou o custo das empresas e comprimiu o poder de compra das famílias, reduzindo o ímpeto dos serviços, setor que responde por mais de 70% do PIB brasileiro. Pelas contas do professor de Economia da UFRJ Roberto Ivo da Rocha, a expansão do setor deve cair pela metade, de 2,5% estimados no início do ano, para 1,2% em 2021. E, em 2022, a expectativa é de estagnação.  


AGENDA BRASIL
1h30 – Leilão tradicional de títulos públicos (NTN-B) – Tesouro

E OS MERCADOS HOJE?
Mercados globais estão abrindo a sessão em tom de recuperação, devolvendo parte das perdas angariadas nesta 2ªfeira. Investidores seguem de olho na China enquanto aguardam mais uma decisão de política monetária do Federal Reserve. No Brasil, o mercado deve avaliar a participação do presidente Bolsonaro na Assembleia Geral da ONU, às 10h, onde serão abordados temas como sustentabilidade, combate ao desmatamento e a recuperação econômico do Brasil – na teoria, existe um discurso pronto, mas existe o receio de que ele possa decidir improvisar na hora. Na mesma hora, Paulo Guedes participa de uma reunião com os presidentes da Câmara e do Senado, onde será discutida uma solução para os precatórios – pendência cuja resolução é considerada fundamental pelo mercado para a aprovação de um orçamento aceitável para o ano que vem. Desta forma, esperamos mais uma abertura de viés positivo para a bolsa brasileira, que deverá acompanhar o movimento de recuperação generalizado dos mercados após as fortes perdas já acumuladas neste início de semana.


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: 108.843,74 (-2,33%)
BRL/USD: 5,28 (+0,32%)

DI Jan/27: 10,46% (-17,0 bps)
S&P 500: 4.357,73 (-1,70%)

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Disclaimer: Este relatório foi elaborado pela Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores,  para uso exclusivo e intransferível de seu destinatário. Este relatório não pode ser reproduzido ou distribuído a qualquer pessoa sem a expressa autorização da Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores. Este relatório é baseado em informações disponíveis ao público. As informações aqui contidas não representam garantia de veracidade das informações prestadas ou julgamento sobre a qualidade das mesmas e não devem ser consideradas como tal. Este relatório não representa uma oferta de compra ou venda ou solicitação de compra ou venda de qualquer ativo.  Investir em ações envolve riscos. Este relatório não contêm todas as informações relevantes sobre a Companhias citadas. Sendo assim, o relatório não consiste e não deve ser visto como, uma representação ou garantia quanto à integridade, precisão e credibilidade da informação nele contida. Os destinatários devem, portanto, desenvolver suas próprias análises e estratégias de investimentos. Os investimentos em ações ou em estratégias de derivativos de ações guardam volatilidade intrinsecamente alta, podendo acarretar fortes prejuízos e devem ser utilizados apenas por investidores experientes e cientes de seus riscos. Os ativos e instrumentos financeiros referidos neste relatório podem não ser adequados a todos os investidores. Este relatório não leva em consideração os objetivos de investimento, a situação financeira ou as necessidades específicas de cada investidor. Investimentos em ações representam riscos elevados e sua rentabilidade passada não assegura rentabilidade futura. Informações sobre quaisquer sociedades, valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros objeto desta análise podem ser obtidas mediante solicitações. A informação contida neste documento está sujeita a alterações sem aviso prévio, não havendo nenhuma garantia quanto à exatidão de tal informação. A Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores ou seus analistas não aceitam qualquer responsabilidade por qualquer perda decorrente do uso deste documento ou de seu conteúdo. Ao aceitar este documento, concorda-se com as presentes limitações. Os analistas responsáveis pela elaboração deste relatório declaram, nos termos do artigo 21 da Resolução CVM nº 20, que: (I) Quaisquer recomendações contidas neste relatório refletem única e exclusivamente as suas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente, inclusive em relação à Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores.

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