Mercados Hoje | Buying the dip

Tempo de leitura: 9 minutos

Introdução:

Internacional: Buying the dip

• Bolsas ensaiam dar sequência a movimento de recuperação iniciado nesta 3ªfeira;
• Frente a um cenário que ainda conta com o forte suporte dos bancos centrais e uma perspectiva de forte crescimento da economia global, investidores voltam a buscar oportunidades nos mercados acionários após correção desta 2ªfeira;
• Estoques de petróleo bruto do DoE e leilão de títulos do Tesouro americano protagonizam agenda econômica nos EUA;
• Coca-Cola, J&J e Verizon estão entre as empresas que divulgam seus balanços nesta 4ªfeira.


Bolsonaro comenta reforma tributária

• Ativos domésticos passaram ontem por uma recuperação na esteira de um ambiente de risk-on no exterior;
• Presidente da República comenta texto da reforma tributária de seu governo;
• Centrão pressiona por mudanças ministeriais;
• Pesquisa da CNC aponta que setor de transportes segue em recuperação sólida;
• Recuperação do setor de serviços é essencial, mas deverá vir ao custo de uma deterioração adicional do ambiente inflacionário;
• Arrecadação federal de junho e fluxo cambial semanal são destaques da agenda econômica local.


CENÁRIO EXTERNO: BUYING THE DIP

Nikkei 225: CSI 300: Stoxx 600: S&P Futuro: DXY: Juro T10: Petróleo:
+0,58%
27.548
+0,69%
5.144
+1,24%
452,14
+0,23%
4.326

+0,08%
93,0620

1,25% a.a.
(+3,8 bps)
+1,34%
US$ 70,30/barril

Buying the dip… Ativos de risco estão ensaiando dar sequência ao movimento de recuperação iniciado ontem, quando apagaram uma parcela das perdas registradas durante a correção na 2ªfeira. O mercado está voltando seu foco a mais uma bateria de balanços corporativos, deixando de lado maiores preocupações com o impacto de novos picos de contaminação por covid-19 sobre a recuperação da economia global. De modo geral, o ambiente de ampla liquidez sustentado pelos principais BCs do mundo, a manutenção de perspectivas positivas para as principais economias globais e resultados corporativos robustos estão levando investidores a buscarem oportunidades no mercado após as quedas bruscas do 1º pregão da semana. Naturalmente, ainda existem sinais de maior cautela nos mercados de câmbio e commodities – e não descartamos novas sessões de maior volatilidade –, onde o dólar índice (DXY) segue avançando e as commodities metálicas apresentam uma certa resistência à alta, mas o balanço geral da manhã é predominantemente positivo para os mercados.

Na agenda… Na parte da manhã, às 11h30, o mercado recebe os estoques de petróleo bruto do Departamento de Energia americano na semana passada. À tarde, o destaque fica com um leilão de títulos de vencimento em 20 anos nos EUA (14h), que deve testar a demanda pelos papéis frente aos níveis mais deprimidos dos seus rendimentos, podendo movimentar o mercado de juros futuros na maior economia do mundo.  Por fim, na fronte corporativa, Coca-Cola, J&J e Verizon estão entre as empresas que divulgam seus balanços antes da abertura do pregão nos EUA.


BRASIL: BOLSONARO COMENTA REFORMA TRIBUTÁRIA

Sessão de recuperação… Ativos de risco domésticos experimentaram uma boa, embora mais fraca, recuperação na sessão de ontem, acompanhando o bom desempenho dos ativos internacionais. O ambiente de risk-on, produzido por uma nova ponderação dos riscos – desaceleração da atividade e variante delta – do cenário, respingou sobre os ativos domésticos, beneficiando especialmente empresas ligadas ao ciclo econômico. Ainda assim, a perspectiva para ativos locais não é simples: com o mês de agosto cada vez mais próximo, aproximam-se as discussões em torno da construção do orçamento, o que deverá trazer algumas surpresas – e preocupações – em vista dos anseios pela expansão de gastos em um ano em que o teto deverá proporcionar maior folga às despesas controladas pelo executivo.

Presidente comenta sobre reforma tributária… O presidente da República criticou a própria reforma tributária de seu governo, alegando que “houve um exagero” por parte do Ministério da Economia. Evidentemente, Bolsonaro estava se referindo ao possível aumento da carga tributária trazida pela proposta, tendo em vista que não se sabe ao certo até que ponto as medidas propostas podem, ou não, manter a carga neutra. O compromisso de Bolsonaro em vetar qualquer projeto que aumente a carga é uma clara – e inteligente – sinalização para o eleitor, principalmente àquele que fazer parte do empresariado e que tem, por conta do comportamento do presidente ao longo da pandemia, perdido um pouco de esperança no seu governo.

Mudança ministerial? No pano de fundo e enquanto o Congresso ainda está em recesso, o presidente Bolsonaro é pressionado pelo Centrão para trocar o comando da Casa Civil e da Secretaria Geral. Ciro Nogueira é um dos nomes cogitados para substituir Ramos (Secretaria-Geral), enquanto Alcolumbre é aventado para substituir Onyx (Casa Civil). A ideia é de que o presidente precisa contemplar e agradar mais as figuras do Senado, tendo em vista o forte desgaste causado pela CPI da Pandemia, assim como a intenção de Bolsonaro de nomear André Mendonça – que precisa ser sabatinado na CCJ do Senado, onde Alcolumbre é presidente – para cargo no Supremo Tribunal Federal.

Setor de transportes continua se recuperando… A aceleração no ritmo de vacinação e a consequente melhora nos indicadores da pandemia tem permitido uma recuperação sólida do setor de transportes. É o que aponta uma pesquisa recentemente produzida pela Confederação Nacional do Comércio com dados do Caged. A flexibilização da mobilidade tem permitido um avanço relevante do emprego em categorias como engenheiro aeronáuticos, cobradores de ônibus, comissários de voos e operadores de centro de controle metroviários e ferroviários. A tendência é que não só os transportes, mas o setor de serviços como um todo, sigam aquecendo na medida em que o percentual de pessoas vacinadas avance.

Pressão inflacionária em vista? A recuperação dos serviços é, devido à participação relevante do setor no PIB, condição necessária para uma recuperação sólida e completa do emprego e da economia como um todo. O avanço da vacinação deverá garantir isto, ainda que ao custo de uma deterioração adicional do ambiente inflacionário. Isto é, a inflação de serviços irá se somar à já elevada pressão inflacionária causando por uma sucessão de choques de oferta que têm, por um lado, elevado substancialmente os preços administrados e, por outro, acelerado consideravelmente a inflação de bens. O desafio do BC não é fácil, mas o aperto monetário atualmente em curso, na medida em que exerce seu maior efeito ao final de 2022, dá certa segurança de que a autoridade conseguirá entregar a meta de 2022, fixada em 3,50%.

Na agenda… Antes do BCB divulgar o fluxo cambial semanal, às 14h, a Receita confirmou para às 11h30 a divulgação dos dados de arrecadação federal em junho.

E os mercados hoje? Mercados globais voltaram a abrir em tom de recuperação, com investidores de olho em mais uma bateria de balanços corporativos após o receio com o impacto da alta das contaminações pela variante delta do coronavírus sobre o crescimento econômico culminar em uma correção das bolsas nesta 2ªfeira. No Brasil, o mercado segue com menos força para acompanhar o exterior frente a manutenção das incertezas advindas de Brasília, principalmente após Bolsonaro antagonizar o Centrão ao prometer vetar o aumento do fundão eleitoral – como contrapartida o presidente ventila uma mudança na chefia do ministério da Casa Civil, onde o Senador Ciro Nogueira seria forte candidato para substituir o general Ramos. Não obstante, o balanço geral dos mercados aponta para uma abertura positiva para ativos de risco locais, mais uma vez em linha com o que estamos vendo no exterior.


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: 125.401 (+0,81%)
BR$/US$: 5,22 (-0,50%)
DI Jan/27: 8,55% (-5 bps)
S&P: 4.323 (+1,52%)

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Jornais:

VALOR
– Governo aposta em MP para o marco legal das ferrovias
– Seguradoras terão que abrir dados às rivais
– “Valor” premia os melhores executivos
– Sírio-Libanês tenta se blindar de expansão da concorrência

O GLOBO
– Bolsonaro indica Aras para novo mandato na PGR
– Jogos sob o estigma da pandemia
– Lira distribui R$ 11 bilhões com critérios próprios
– Presidente confirma veto a fundo eleitoral

FOLHA DE S.PAULO
– Sem qualquer controle, Congresso repassa R$ 1,9 bi via emendas
– Bolsonaro sugere fundo eleitoral menor, de R$ 2 bi
– Alemanha, 1º rival no caminho do bi
– Sistema S resiste a financiar plano do governo

O ESTADO DE S.PAULO
– SP quer revacinar população a partir de janeiro com Butanvac
– Em Angola, Mourão intercedeu pela Universal
– Estados driblam nova regra sobre saneamento
– A vez de Pia tentar o ouro no futebol

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