Mercados Hoje | Arrumando a Casa (Branca)

Tempo de leitura: 11 minutos

Introdução:

Internacional

• Bolsas globais ensaiam mais um dia de alta;
• Expectativa por mais estímulos nos EUA após fala de Yellen no Senado, a posse de Joe Biden e resultados corporativos dão o tom dos mercados na manhã desta 4ªfeira;
• Europa apresenta deflação na base anual pelo 4º mês consecutivo.


Brasil

•Instituto Oswaldo Cruz alerta sobre falta de insumos e reascende preocupação com atraso na campanha de vacinação;
• Incerteza com quadro sanitário levam equipe econômica a rever renovação de medidas de suporte ao emprego e renda;
• Copom deverá manter Selic em 2,00%, ajustando comunicado em torno das surpesas inflacionárias e evolução do risco fiscal;
• Manutenção do FG nesta reunião é o mais provável.


CENÁRIO EXTERNO: ARRUMANDO A CASA (BRANCA)

Mercados… Mercados asiáticos encerraram a sessão com desempenhos predominantemente positivos, com destaque para as bolsas chinesas. Na zona do euro, bolsas amanheceram com viés altista: o Stoxx 600, índice que abrange uma gama de ativos de todo o continente, avança 0,6% até o momento. Em NY, índices também esboçam uma abertura positiva para ativos estadunidenses, com ganhos da ordem de 0,4%, enquanto o dólar (DXY) opera estável contra os seus principais pares. Por fim, na fronte das commodities, ativos se movimentam sem direção única. Como destaque positivo, o petróleo (Brent Crude – ICE) avança 0,9%, negociado em torno dos 56,40/barril.

Biden, Yellen & Netflix… Ativos de risco iniciaram o dia em tom positivo, com a expectativa renovada por mais estímulos nos EUA após fala de Yellen frente ao Congresso, a posse de Joe Biden e a agenda de resultados corporativos no radar dos investidores. Com relação ao último ponto, o resultado robusto apresentado pela Netflix após o fechamento do pregão de ontem impulsiona os ganhos da Nasdaq nesta manhã. Na fronte da pandemia, o noticiário traz mais uma leva de notícias preocupantes, com a Alemanha registrando um número de mortes diárias recorde e a China anunciando o lockdown parcial de Beijing.

A nova Tesoureira dos EUA… Em sabatina na Comissão de Finanças do Senado americano, Janet Yellen, que poderá ser confirmada como Secretária do Tesouro ainda esta semana, defendeu a necessidade de mais estímulos fiscais nos EUA. Segundo Yellen, o alto patamar em que o desemprego se encontra no país e as dificuldades ainda vividas pelas pequenas empresas tem de ser endereçados. Desta forma, ela fez um apelo aos parlamentares para que passem o novo pacote de gastos de US$ 1,9 tri proposto pela administração Biden. Ao abordar outros temas, a futura tesoureira dos EUA também comentou sobre a necessidade de enfrentar as práticas comerciais e econômicas abusivas praticadas pela China e garantiu que o governo Biden não irá buscar um enfraquecimento adicional do dólar.

Arrumando a Casa (Branca)… O recém-eleito Joe Biden assume o controle do executivo americano em cerimônia de posse que terá início às 14h. O mercado deverá acompanhar de perto o evento, tanto em busca de mais sinais de forte polarização como para avaliar a lista de ordens executivas prometidas pelo novo presidente. Segundo Biden, ele pretende operacionalizar a maior lista de ordens executivas em uma posse na história do país, com medidas que vão desde a volta dos EUA ao acordo de paris ao congelamento da construção do muro de Donald Trump na fronteira.

Inflação europeia… Mais cedo, a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) europeu confirmou uma deflação de 0,3% na comparação interanual em dezembro. Preços avançaram 0,3% na margem, com a maior contribuição positiva vindo do setor de serviços, mas o avanço não foi suficiente para que o país saísse de uma sequência de 4 meses de deflação na base anual. Desta forma, o dado é mais um que evidencia as sequelas deixadas pela pandemia e reforça a expectativa pela manutenção de uma postura ultra-acomodatícia pelo Banco Central Europeu na divulgação da sua decisão de política monetária amanhã.

Na agenda… Na falta de indicadores relevantes a serem divulgados ao longo do dia, as atenções deverão se voltar ao âmbito corporativo, onde Morgan Stanley e Proctor & Gamble divulgam seus resultados antes da abertura em NY.


BRASIL: FIOCRUZ ALERTA FALTA DE INSUMOS E COPOM DECIDE TAXA SELIC

Fiocruz alerta sobre indisponibilidade de insumos… Em nota divulgada ontem à noite, a Fundação Oswaldo Cruz alertou que, para o cronograma de fevereiro em diante, falta o IFA (Ingrediente Farmacêutico Ativo) para a produção da vacina da AstraZeneca/Oxford. A notícia adiciona um elevado grau de incerteza, pois compromete, também, o uso do segundo e último imunizante adotado pelo Brasil para realizar a campanha de vacinação (a Coronavac utiliza o mesmo ingrediente). Caso este problema continue sem desfecho claro, o cronograma de vacinação atrasará e os efeitos econômicos da pandemia se prolongarão, pressionando o setor de serviços continuamente e mantendo as pressões política pela extensão do auxílio emergencial vivas.

Equipe econômica de olho… Cientes de que o recrudescimento da pandemia e possível atraso na campanha de vacinação pode comprometer ainda mais a renda e o emprego, a equipe do governo estuda retomar o Programa de Preservação de Renda e do Emprego, que permite a redução da jornada de trabalho e salário com consequente suspensão do contrato de trabalho. Entretanto, técnicos do corpo da pasta de Guedes salientaram que o movimento deve ser feito à luz das restrições fiscais, como o teto de gastos.

Mundo ideal… Reforçamos que alguma tem de ser tomada, e o ideal seria acompanhá-la da aprovação de um importante pauta fiscal, como a PEC emergencial. Neste caso, ter-se-ia o duplo benefício de garantir suporte à população ao mesmo tempo em que se evita uma elevada volatilidade de ativos financeiros cujos impactos sobre a economia real não são negligenciáveis, como juros futuros e dólar. Conjugar disciplina fiscal com amparo aos mais vulneráveis representa o cenário mais promissor em termos de adequadamente gerenciar as expectativas quanto ao crescimento futuro da dívida pública e evolução da atividade econômica.

Dia de Copom… Hoje o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central dá sequência à reunião que se iniciou ontem e toma a primeira decisão de política monetária do ano. Em relação à taxa de juros, esperamos a manutenção no atual patamar de 2,00%, embora entendamos que o Copom deverá elevar o tom novamente em torno do risco fiscal, assim como em relação às surpresas inflacionárias sentidas desde a aceleração do IPCA a partir de meados do ano passado, mas com um pico registrado na leitura de dezembro. Enquanto o Copom previa uma alta de 1,09% no mês de dezembro, o verdadeiro avanço foi de 1,35%.

Transitoriedade e risco fiscal… De qualquer forma, seguimos acreditando que o Banco Central continuará diagnosticando a recente aceleração da inflação como temporária, fruto de um desarranjo de preços relativos ocasionada por uma política fiscal ultra-expansionista que causou um forte descasamento entre oferte e demanda. No que tange ao risco fiscal, o Copom deverá associar o recrudescimento da pandemia com a necessidade por mais estímulos, mencionando como a pressão pela extensão dos estímulos fiscais segue criando pressão altista sobre seu balanço de riscos.

Sobre o Forward Guidance… Embora não descartemos o abandono do Forward Guidance nessa reunião, não o vemos como cenário mais provável. 2021 ainda está começando e o ano-calendário de 2022 – cujas expectativas de inflação estão ancoradas na meta de 3,50% – ganhará maior relevância somente como passar dos meses. Enquanto isso, o ano de 2021 ainda detém relevância considerável em janeiro, e as expectativas de inflação para o ano corrente (3,45%) continuam relativamente distantes da meta de 3,75%. Ainda, as expectativas de longo prazo seguem ancoradas e o regime fiscal segue inalterado. Em meio às incertezas que caracterizam a evolução da atividade neste início de ano – casos e mortes em aceleração conjugada à retirada dos estímulos fiscais –, acreditamos que faz sentido continuar provendo um elevado grau de estímulo com o uso da ferramenta até que se tenha uma noção mais clara do ritmo da atividade neste primeiro trimestre do ano.

Na agenda… Em dia de agenda de indicadores praticamente vazia, o grande protagonista será o Banco Central, com destaque para o anúncio da decisão de taxa de juros do Copom a partir das 18h30 e a divulgação do fluxo cambial semanal às 14h30.

E os mercados hoje? Bolsas globais têm nova manhã positiva, pautada na expectativa por mais estímulos nos EUA, a posse de Biden e na avaliação de resultados corporativos positivos. No Brasil, a manutenção de incertezas com relação à campanha de vacinação em meio ao agravamento da pandemia no país pesa sobre o desempenho dos ativos locais e aumenta a pressão pela renovação do auxílio emergencial. Após o fechamento, atenções se voltarão à decisão do Copom. Tendo isto em vista, esperamos um dia de viés neutro/positivo para ativos de risco locais, que poderão se beneficiar do bom humor externo, mas com maior dificuldade na medida em que os riscos idiossincráticos ao Brasil são postos em evidência.

 


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: 121.234 (+0,74%)
BR$/US$: 5,35 (+1,07%)
DI Jan/27: 7,19% (+11 bps)
S&P 500: 3.798 (+0,80%)

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Jornais:

VALOR
– Mourão reconhece erros no combate à pandemia
– Na fila da vacina, Brasil reavalia oposição à Índia
– Presidente Biden assume com agenda ambiciosa
– IMC pode perder a representação da KFC no Brasil

O GLOBO
– Fiocruz adia entrega das primeiras doses até março
– Colapso e falta de oxigênio se alastram pela Região Norte
– Pandemia: Aras se exime de avaliar ‘ilícitos’
– Câmara: Lira já tem maioria formal no PSL

FOLHA DE S.PAULO
– Ignorado pela Índia, Brasil apela à China para receber vacina
– Até centrão já especula sobre impeachment de Bolsonaro
– Força Nacional do SUS previu o colapso em Manaus
– Biden toma posse em meio a crises sanitária e de segurança

O ESTADO DE S.PAULO
– Biden inicia guinada contra modelo populista de Trump
– Fiocruz adia para março início de entrega da vacina
– Pará também tem mortes por falta de oxigênio
– Desembargador em MT tem ‘extra’ de até R$ 274 mil

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