Mercados Hoje | China, Biden e pandemia em foco

Tempo de leitura: 10 minutos

Introdução:

Internacional

• Bolsas globais iniciam a semana em tom ligeiramente baixista em dia que bolsas americanas não abrirão para negociações;
• Cautela com avanço da pandemia se sobrepõe aos dados positivos na China e expectativa com posse de Biden nesta 4ªfeira;
• PIB chinês avança 6,5% no 4º tri de 2020 e o país encerra o ano com expansão de 2,3%;
• Agenda da semana conta com decisões de taxa de juros no Japão e na zona do euro.


Brasil

• Após aval da Anvisa, Governo de São Paulo marca início da campanha de vacinação com evento simbólico;
• Doria vence “corrida das vacinas”, acirrando tensões eleitorais com o presidente Bolsonaro;
• A Início da imunização tem efeitos positivos sobre a atividade, a política fiscal e os mercados para ativos de risco;
• IBC-Br, Copom e arrecadação federal são destaque da agenda econômica na semana.


CENÁRIO EXTERNO: CHINA, BIDEN E PANDEMIA EM FOCO

Mercados… Mercados asiáticos iniciaram a semana sem direção única. Na zona do euro, índices acionários amanheceram com leve viés baixista: o Stoxx 600, índice que abrange uma gama de ativos de risco da região, recua 0,1% até o momento. Em NY, onde bolsas não abrirão em função do feriado de Martin Luther King Day, índices futuros operam com quedas da ordem de 0,2% enquanto o dólar (DXY) registra alta contra os seus principais pares. Na fronte das commodities, ativos têm desempenhos mistos. O preço do petróleo (Brent crude) se mantém próximo à estabilidade, negociado em torno dos US$ 55,10/barril.

China, Biden e pandemia em foco… Em dia que bolsas americanas não abrem para negociação, ativos de risco globais operam com leve viés baixista. No radar dos investidores estão a divulgação do PIB chinês acima das projeções de mercado, a expectativa com a posse de Joe Biden como novo presidente dos EUA na 4ªfeira (20) e o avanço da pandemia ao redor do mundo. Com relação a este último ponto, o fechamento das fronteiras pelo Reino Unido e o aumento no número de lockdowns na China aumentam a preocupação em torno da nova onda de infecções.

China sacramenta retomada em “V”… O PIB Chinês registrou alta de 6,5% no último trimestre de 2020, resultado que levou a economia chinesa a superar os níveis de atividade pré-pandemia e a fechar o ano com crescimento de 2,3%. A grande força motriz por trás do movimento de retomada em “V” verificado no ano foi a indústria do país, que em um ambiente de estímulos fiscais e monetários foi de encontro à grande demanda global por equipamentos médicos e dispositivos utilizados na mais nova febre do “home-office”.

Perpetuando o desequilíbrio… Na ponta negativa da leitura, as vendas no varejo e o investimento em ativos fixos mostraram uma desaceleração na margem, resultado que ilustra o desequilíbrio entre a produção industrial e o consumo local que define a economia chinesa há algum tempo. Tal movimento tende a se intensificar com as sequelas deixadas pela pandemia (menor emprego e renda). Adicionalmente, o aumento da dívida do país em função do suporte fiscal implementado durante a pandemia também deve ser endereçado pelo governo nos próximos anos, com o Partido Comunista já sinalizando que pretende reduzir os estímulos gradualmente.

Na agenda… Após uma 2ªfeira de agenda esvaziada, o índice Zew de expectativas na economia abre a agenda de indicadores europeia nesta 3ªfeira. Na 4ªfeira, o mercado avalia a leitura final do Índice de Preços ao Consumidor europeu em dezembro, acompanhada pelo índice de confiança do construtor nos EUA. No dia seguinte, o destaque fica com os anúncios das decisões de política monetária do Banco Central Europeu e do Bank of Japan (BC japonês), seguidos pela divulgação dos pedidos de auxílio-desemprego nos EUA na semana passada e pelo índice de confiança do consumidor europeu de janeiro. Por fim, na 6ªfeira, o investidor avalia as leituras preliminares dos Índices de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) de janeiro para as economias americana e europeia.


BRASIL: O COMEÇO DO FIM?

Começo do fim?… Como esperado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Avisa) aprovou, por unanimidade, o uso emergencial das vacinas produzidas pelo Butantan/Sinovac e Oxford/AstraZeneca. A aprovação foi acompanhada de um evento promovido pelo governo do estado de São Paulo, onde uma mulher negra, profissional da saúde, foi a primeira brasileira a ser vacinada ao lado de João Doria, governador do estado. Naturalmente, a ocorrência foi emblemática tanto por razões econômicas quanto por razões políticas.

Corrida das vacinas… Afinal, no que se refere a este segundo ponto, o governador de SP e futuro candidato à presidência da república, ao sacar a primeira foto ao lado do primeiro vacinado, concretizou sua vitória na corrida das vacinas contra Bolsonaro, seu principal adversário político. No evento, Doria não poupou críticas ao despreparo de Bolsonaro, que não se planejou com a devida antecedência para o início da imunização em massa. A primeira dosagem da vacina, embora simbólica, materializou a concessão da principal arma política que o governador de São Paulo tem para disputar o pleito eleitoral de 2022. Mantê-la em mãos dependerá de sua habilidade de conduzir a campanha de vacinação de forma rápida e eficiente. Ainda, os esforços de Doria tanto mais parecerão revolucionários quanto mais Bolsonaro resistir para se comprometer com a vacinação.

Efeitos econômicos da vacina… Como temos recorrentemente mencionado em outras oportunidades, a vacina é a única forma de recuperar integralmente a economia. Trata-se de uma solução que permitirá o avanço em direção ao pleno emprego, principalmente às atividades ligadas ao setor de serviços, que dependem amplamente do contato social. Não obstante, uma distribuição rápida e eficiente da vacina tem efeitos de segunda ordem: reduz a necessidade, e portanto pressão, de reiterar a agressiva expansão fiscal promovida pelo governo nos momentos mais agudos da crise. Com a imunização em andamento, o retorno ao ajuste fiscal – que por natureza é contracionista – tende a ocorre com maior facilidade, retirando parte da pressão sobre as finanças públicas. Isto é, tende a dar mais tempo para que formuladores de política fiscal criem uma solução que equaliza as necessidades da população com as restrições impostas pelo teto de gastos.

A vacina e os mercados… O início da campanha de vacinação também cria terreno fértil para a contínua valorização dos ativos de risco. O processo tende a dar continuidade ao processo de rotação setorial, beneficiando ativos ligados ao cíclico econômico, como commodities e aéreas. Ainda, por causa do efeito secundário sobre a política fiscal exposto no parágrafo anterior, também tende a beneficiar o real e a curva de juros. Diminuirá, ainda que ligeiramente, a demanda por dólar e os prêmios requeridos ao longo da estrutura a termo da curva de juros. De qualquer maneira, frisamos novamente que um alívio definitivo só será sentido quando o Congresso aprove medidas concretas de ajuste das contas públicas, como a PEC Emergencial, por exemplo.

Na agenda… Como de costume, o boletim Focus abre a agenda da semana às 8h25, trazendo as projeções do mercado para as principais variáveis macroeconômicas do país. Em seguida, o Banco Central segue como protagonista na manhã ao divulgar o seu Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), às 9h. Nos próximos dias, o investidor aguarda as divulgações da 2ª prévia do IGP-M de janeiro (3ªfeira), a decisão de taxa de juros do Copom (4ªfeira), o monitor do PIB da FGV (5ªfeira) e o resultado da arrecadação federal em dezembro (sem dia definido).

E os mercados hoje?… Em dia de feriado nos EUA, a cautela predomina nos mercados com investidores de olho no avanço da pandemia ao redor do mundo enquanto avaliam dados econômicos na China e as mudanças prováveis que seguirão a posse de Joe Biden como presidente dos EUA nesta 4ªfeira. No Brasil, o destaque fica para o início da campanha de vacinação em SP e a expectativa com a início das imunizações a nível federal na 4ªfeira, que trazem algum alívio na fronte sanitária após semanas de indefinição. Desta forma, esperamos um dia de viés neturo/positivo para ativos de risco locais, que poderão se beneficiar das notícias positivas com relação à vacina após a forte queda registrada no final da semana passada e em dia que promete liquidez reduzida.

 


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: 120.466 (-2,44%)
BR$/US$: 5,29 (+1,83%)
DI Jan/27: 7,24% (+14 bps)
S&P 500: 3.768 (-0,72%)

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Jornais:

VALOR
– São Paulo antecipa-se, inicia a vacinação e Pazuello reage
– Governadores vão a Brasília discutir plano
– “Impacto da imunização leva três meses”
– Área química do Ultra atrai compradores

O GLOBO
– Enfermeira de São Paulo é a 1ª brasileira vacinada; campanha começa quarta-feira
– Anvisa aprova vacinas da Sinovac e Oxford/AstraZeneca
– País tem seis milhões de doses para iniciar imunização nacional
– Doria e Pazuello trocam ataques; Bolsonaro silencia

FOLHA DE S.PAULO
– Após decisão unânime da Anvisa, vacinação começa em São Paulo
– Pazuello mente e critica Doria, que ataca Bolsonaro
– Dianteira paulista incomoda parte dos governadores
– Com salas lotadas, candidatos são barrados no Enem

O ESTADO DE S.PAULO
– Anvisa aprova uso emergencial de vacinas; SP inicia imunização
– Sem imunizante, Pazuello critica ‘marketing’
– Queda de custo permite País dobrar geração de energia solar
– Enem tem falta recorde, mas alunos são barrados

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