Mercados hoje | Governo decide postergar decisões difíceis até Dezembro enquanto crise sanitária continua dando sinais de piora

Introdução:

Internacional

• Bolsas internacionais pausam sequência de valorizações;
• Avaliação dos riscos inerentes ao quadro sanitário encorajam manhã de realizações;
• Governadores de alguns estados americanos reintroduzem medidas mais agressivas contra a disseminação do coronavírus;
• Produção industrial e vendas no varejo em outubro são destaques na agenda americana.

Brasil

• Governo só deve apresentar projetos de contenção de gastos e expansão do Bolsa Família após o término do 2º turno;
• Congresso terá 22 dias para aprovar medidas antes do recesso do final do ano
• Mesmo com resultado decepcionante de aliados no 1º turno, Bolsonaro insiste em resguardar candidaturas apadrinhadas;
• Hospitais públicos em São Paulo Registram alta em número de internações relacionadas ao covid-19;
• Instituição Fiscal Independente do Senado calcula que extensão de três meses do auxílio emergencial custaria R$ 14,3 bi.


CENÁRIO EXTERNO: Pausa no rali

Mercados… Mercados asiáticos encerram a sessão com desempenhos mistos, sem grandes destaques. Na mesma direção, índices de mercado europeus amanheceram em baixa, onde investidores ensaiam sessão de realização de lucros. O Stoxx 600, índice que abrange uma gama de ativos de risco da região, registra queda de 0,5% até o momento. Em NY, índices futuros também operam no vermelho, enquanto o dólar (DXY) mantém trajetória de desvalorização contra os seus principais pares. Na fronte das commodities, ativos operam sem direção única. O preço do petróleo (Brent crude) se mantém próximo à estabilidade, negociado em torno dos US$ 43,70/barril.

Pausa no rali… O forte desempenho das bolsas que vem sendo impulsionado pelo otimismo com a criação de uma vacina está sendo colocado em pausa na manhã desta 3ªfeira. Seguindo sessões de relevante valorização, a avaliação dos riscos inerentes à contínua deterioração do quadro sanitário nos EUA – que já têm diversos estados voltando a implementar medidas de distanciamento mais agressivas – leva investidores a ensaiarem um pregão de realizações. Na zona do euro, onde a reintrodução de uma política mais agressiva de controle da doença já acontece há algum tempo, o quadro já traz alguma melhora – apesar de que a situação ainda segue delicada em alguns países membros.

Governadores entram em ação… Em mês que os EUA já acumularam quase 2 milhões de novos casos da covid-19, Deborah Birx, integrante da força tarefa da Casa Branca contra o coronavírus, voltou a pedir auxílio dos governadores ao avisar que o número de casos não dá sinais de arrefecimento durante uma conferência na 2ªfeira. Dentre os 50 estados americanos, 45 se encontram em situação delicada com relação à doença e, portanto, já podemos ver alguns governadores se movimentado em busca do controle da situação. Este já é o caso nos estados de Michigan, Oregon, New Jersey, Nova Iorque e a California (entre outros). Resta saber agora até onde eles serão obrigados a irem para reverter a situação, o que pode variar de medidas mais brandas de distanciamento para a volta dos lockdowns.

Na agenda… A agenda americana é protagonista no cenário internacional pela manhã: além de receber as vendas no varejo (10h30) e a produção industrial (11h15) em outubro, o investidor avalia a leitura de novembro o índice de confiança do construtor (12h).


BRASIL: Governo decide postergar decisões difíceis até Dezembro enquanto crise sanitária continua dando sinais de piora

Governo aguarda término do 2º turno… O líder do governo na Câmara, o deputado Ricardo Barros (PP-RR), revelou que o Planalto não pretende abordar a PEC Emergencial, que estabelece gatilhos de contenção de gastos; a reformulação do Bolsa Família, que o governo tem encontrado grande dificuldades para financiar ou a desindexação do Orçamento, que eliminaria a necessidade de aumentar uma série de gastos, até a conclusão da eleições municipais (29/11).

Decepção para o mercado… Até a declaração de Barros, existia a esperança que esses assuntos seriam retomados ainda em novembro. Consequentemente, só restaram 22 dias para a análise destas iniciativas antes do recesso parlamentar do final do ano. Como consequência destes atrasos, o Orçamento de 2021 não deve ser aprovado – na melhor das hipóteses, onde os parlamentares trabalham durante o recesso – antes de março, prolongando as incertezas sobre a adesão do governo ao teto de gastos e a incerteza fiscal generalizada que aflige o mercado.

Eleição pode contaminar o debate… Segundo o líder do governo, o atraso visa evitar que as disputas no plano municipal afetem o debate. Barros explicou que o governo teme que candidatos envolvidos em disputas no 2º turno poderiam pressionar os seus colegas no Congresso a se posicionarem contra as propostas de austeridade, dificultando a articulação que será feita para aprovar estas pautas. Porém, outros aliados do governo admitiram, reservadamente, que Bolsonaro ainda teme prejudicar os seus aliados que disputam o 2º turno.

Estratégia arriscada…  Na nossa visão, o atraso nas discussões potencialmente causará mais dificuldades na articulação destas propostas do que uma possível “contaminação” da disputa eleitoral. Também recebemos a insistência do presidente em resguardar os seus aliados com uma certa estranheza, já que esta estratégia não produziu os resultados desejados por Bolsonaro no 1º turno, que elegeu poucos candidatos apadrinhados por ele.

Alta em número de internações… Segundo a Info Tracker, uma ferramenta desenvolvida por pesquisadores da Unesp e da USP que monitora o avanço da pandemia no estado de São Paulo, o número de internações na rede pública de hospitais do estado aumentou na segunda semana de novembro. Os pesquisadores também alertam que SP também sofre com um aumento de 50% de casos suspeitos. O alerta agrega ao corpo de evidência que sugere uma piora da crise sanitária no Brasil. Na semana passada, várias capitais das regiões Norte e Nordeste registram altas similares.

IFI calcula custo da extensão do auxílio… Segundo uma projeção feita pelo Instituto Fiscal Independente (IFI) do Senado, uma extensão do auxílio emergencial que dura a totalidade de 2021, com valor R$ 300, oneraria o governo federal com custo adicional de R$ 45,9 bi. Caso essa extensão dure três meses, um cenário muito mais provável, o custo adicional contabilizaria R$ 15,3 bi. O cálculo do IFI foi baseado em uma projeção que beneficia 25 milhões de pessoas.

BC se prepara para fim de ano movimentado… Como destaque adicional, o Banco Central comunicou que fará a partir de hoje leilões de swap cambial tradicionais com o objetivo de renovar o estoque de US$ 11,8 bilhões que vence no início de janeiro (01/04). No mesmo comunicado, o BC deixou a porta aberta para uma eventual recalibração do montante de swaps cambiais ofertados, sinalizando que a autoridade monetária poderá atuar com oferta líquida de swaps caso o ajuste das posições de overhedge dos grandes bancos venham a pressionar a taxa de câmbio.

Na agenda… Com agenda desta 3ªfeira esvaziada de indicadores, as atenções se voltarão para mais um leilão tradicional de NTN-Bs do Tesouro, às 11h.

E os mercados hoje?… Bolsas internacionais pausam sequência de ganhos em meio à avaliação dos riscos inerentes ao quadro sanitário no curto-prazo, com fluxo de notícias que encoraja a realização. No Brasil, a decisão do governo de adiar uma série de pautas essenciais para a manutenção da confiança do mercado vem como uma nova decepção. Tendo isso em vista, acreditamos que ativos locais deverão amanhecer com viés baixista, com a cautela importada do exterior acentuada pela manutenção da inércia do governo. Na fronte cambial, o comunicado do BC deve atuar na ponta de tirar pressão do câmbio no curto prazo, mas possivelmente terá efeito reduzido pela falta de tempo hábil que o governo terá para abordar pautas fiscalistas até o fim do ano.


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: 106.502 (+1,70%)
BR$/US$: 5,43 (-0,59%)
DI Jan/27: 7,49% (+3 bps)
S&P 500: 3.627 (+1,17%)

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Jornais:

VALOR
– MDB perde 30% dos votos, ainda lidera no país
– Nas 96 grandes cidades, só duas mulheres venceram no 1º turno
– Brasil fica para trás na indústria automotiva
– BNDES vende R$ 2,54 bi em ações da Vale

O GLOBO
– DEM e Centrão avançam, e polarização perde força
– Bancada feminina cresce no Rio, em SP e mais 16 capitais
– Biden: grandes corporações e ricos pagarão mais impostos
– Covid-19: Moderna diz que sua vacina tem 95% de eficácia

FOLHA DE S.PAULO
– Barroso muda versão e diz que não pode prever 2º turno
– Boulos deve unir esquerdistas, e Covas pode ver adesão velada
– Esquerda avança na Câmara, que reúne de delegado a trans
– Internação em alta expõe riscos de festas de fim de ano

O ESTADO DE S.PAULO
– TSE foi atacado por ‘milícias digitais’, afirma Barroso
– Internações na cidade de São Paulo registram alta de 18%
– Peru tem terceiro presidente em uma semana
– Pix estreia com falha; BC nega instabilidade

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