Mercados Hoje | Câmara pode votar MP da Eletrobras e admissibilidade da reforma administrativa

Tempo de leitura: 10 minutos

Introdução:

Internacional: Volatilidade

• Bolsas globais têm manhã mista, sem grandes oscilações;
• Manutenção de riscos do cenário se coloca como entrave para novas valorizações antes de ata do Fed e após a sessão de recuperação dos mercados na última 6ªfeira;
• Dados de atividade chineses em abril apontam para acomodação do ritmo de crescimento na 2ª maior economia do mundo;
• Ata do Fed, inflação europeia e PMIs preliminares de maio protagonizam agenda econômica da semana.


Câmara pode votar MP da Eletrobras e admissibilidade da reforma administrativa

• Votações da MP da Eletrobras devem ocorrer na quarta e quinta-feira;
• Lira e Pacheco devem revelar cronograma da reforma tributária;
• CPI da Covid-19 recebe Araújo, Pazuello e médica que defende o uso da cloroquina no tratamento do coronavírus;
• 2ª prévia do IGP-M de maio e arrecadação federal em abril são destaques em semana de agenda econômica fraca.


CENÁRIO EXTERNO: VOLATILIDADE

Nikkei 225: CSI 300: Stoxx 600: S&P Futuro: DXY: Juro T10: Petróleo:
-0,92%
27.825
+1,46%
5.185
+0,83%
440,94
-0,31%
4.155

-0,16%
90,170

1,63% a.a.
(-0,5 bps)
+0,10%
US$ 68,78/barril

Volatilidade… Ativos de risco estão começando a semana sem direções claras, com bolsas europeias de lado e índices futuros de NY no vermelho após sessões mistas na Ásia. Em um ambiente de preços elevados, é natural que a manutenção de algumas incertezas no cenário siga promovendo uma maior volatilidade, assim como passamos a ver a partir da semana passada. Nas próximas semanas, seguimos acreditando que a discussão em torno da volta da inflação e a longevidade de estímulos monetários nos EUA continue em alta entre investidores. Em paralelo, o dólar tem nova manhã de desvalorização contra os seus principais pares desenvolvidos enquanto os juros futuros operam próximos à estabilidade nos EUA. Por fim, commodities sustentam patamares elevados, com metálicas voltando a subir mesmo após dados de atividade chineses ficarem abaixo das expectativas em abril.

Economia chinesa… Logo no início da semana, investidores receberam uma série de dados de atividade econômica referentes ao mês de abril. Enquanto a produção industrial (+9,8% a/a) e o investimento em ativos fixos (+19,9% a/a) ficaram bem próximos às projeções de mercado no período, o grande destaque da leitura de março, as vendas no varejo, tiveram um desempenho muito aquém do esperado (+17,7% a/a contra uma mediana de projeções de 25,0% a/a). A taxa de desemprego caiu mais do que o esperado, ficando em 5,1% no período.

Acomodação? Apesar dos dados seguirem apontando para um crescimento robusto da economia chinesa que, junto dos EUA, seguirá sendo um dos principais motores para a retomada global, o ritmo de expansão passou a mostrar sinais claros de acomodação. Vale lembrar que a China já se encontra em estágio bem mais avançado da recuperação dos estragos econômicos da pandemia (o pior momento para a economia chinesa foi no 1º tri/2020), e o fato de o governo já ter iniciado um movimento de retirada de estímulos contribui para esta moderação no ritmo de crescimento da atividade. Vamos acompanhar…

Na agenda… Hoje, o mercado recebe o índice Empire State de atividade industrial em Nova Iorque referente ao mês de maio (est.: 24,8 ante 26,3 em abril), às 9h30, e o índice de confiança das construtoras (NAHB) no mesmo mês (est.: estabilidade em 83,0), às 11h. Em seguida (11h05), as atenções se voltarão para o discurso de Richard Clarida, vice de Jerome Powell no Federal Reserve, dois dias antes da liberação da ata da última reunião do FOMC.

Mais agenda… Ao longo da semana, os destaques trazidos pela agenda econômica serão a 2ª leitura do PIB europeu referente ao 1º tri/2021 (3ªfeira), a inflação ao consumidor em abril na zona do euro (4ªfeira), a ata referente à última reunião de política monetária do Federal Reserve (4ªfeira), o índice de indicadores antecedentes do Conference Board (5ªfeira) e as leituras preliminares dos PMIs/Markit de maio nos EUA e na zona do euro (6ªfeira).


BRASIL: CÂMARA PODE VOTAR MP DA ELETROBRAS E ADMISSIBILIDADE DA REFORMA ADMINISTRATIVA

Destaques da semana… Em Brasília, a semana promete duas votações na Câmara dos Deputados que interessam o mercado. A medida provisória (MP) que trata da privatização da Eletrobras (ELET3 e ELET6) pode receber o aval do plenário da Casa Baixa antes do final de semana. Paralelamente, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) se aproxima da votação que determinará a admissibilidade da reforma administrativa. A revelação do cronograma da reforma tributária e novos depoimentos na CPI da Pandemia estão entre os outros destaques.

Sobre a MP da Eletrobras… Após a revelação do parecer da MP da Eletrobras ocasionar uma valorização de 5% nos papéis (ELET3) da estatal na semana passada, a proposição entrou na pauta do plenário da Câmara. Antes que a MP seja votada, a Comissão de Desenvolvimento Econômico discutirá o assunto na terça-feira. Caso a reunião fortaleça o apoio à matéria, podemos esperar a aprovação da proposta na quarta ou na quinta-feira. Passando pelo crivo dos deputados, a MP será enviada ao Senado.

Sobre a reforma administrativa… Segundo o deputado Darci de Matos (PSD-SC), relator da reforma administrativa na CCJ da Câmara, a intenção do colegiado é votar a admissibilidade do seu parecer favorável à proposta nesta quinta-feira. As alterações feitas pelo relator à proposição enviada pelo governo devem consolidar o apoio à proposta. Caso a reforma seja aprovada pela CCJ, será necessário formar uma comissão especial para dar seguimento ao trâmite da matéria.

Sobre o cronograma da reforma tributária… Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), respectivamente presidentes da Câmara e do Senado, prometeram, na quinta-feira passada, revelar o cronograma da reforma tributária no início desta semana. O anúncio atenuou a preocupação em torno de uma falta de alinhamento entre as duas casas do Congresso em torno da proposta após Lira extinguir de forma repentina a comissão mista que tratava do assunto.

Ampla X fatiada… Não obstante, o parecer que foi entregue aos presidentes do Legislativo Federal trata de uma reforma ampla, mas o governo e Lira ainda defendem a análise fatiada da proposta. O mercado continua muito cético em relação a capacidade do Congresso de coalescer em torno de uma proposta que saneia os vários problemas do sistema tributário brasileiro antes que as eleições de 2022 sequestrem os holofotes do universo político. Qualquer avanço além da união dos tributos PIS e Cofins será considerado uma surpresa agradável pelos investidores.

CPI da Covid… A CPI da Covid-19 pretende realizar três oitivas durante o decorrer da semana. Na terça-feira, a comissão receberá o ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo, que deve depor a respeito das negociações para adquirir doses dos vários imunizantes e o estremecimento do relacionamento diplomático com a China. Na quarta-feira, a comissão deve interrogar o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, favorecido na semana passada pelo habeas corpus concedido pelo ministro do STF Ricardo Lewandowski que permitirá que o general mantenha- se em silêncio durante os questionamentos dos senadores. Na quinta-feira, a comissão receberá a médica Nise Yamaguchi, guru da cloroquina do presidente Bolsonaro.

Na agenda… Como de costume, o boletim Focus do Banco Central (8h30) e a balança comercial semanal da Secint (15h) figuram na agenda de 2ªfeira. Nos próximos dias, a agenda traz poucos indicadores de relevância, com destaque para a 2ª prévia do IGP-M de maio (4ªfeira) e a arrecadação federal em abril (sem dia definido).

E os mercados hoje? Mercados globais iniciaram a semana sem tendência bem definida, com investidores avaliando o nível de preços no mercado contra a manutenção de algumas incertezas no cenário. Como destaque nesta manhã, o investidor recebeu uma série de dados econômicos chineses que passaram a ilustrar um movimento claro de acomodação do ritmo de crescimento da atividade. No Brasil, onde a semana reserva uma agenda de indicadores praticamente vazia, os investidores acompanharão possíveis avanços das reformas tributária e administrativa em meio à expectativa pela votação da MP da Eletrobrás. Na CPI da Covid, o clima deverá seguir muito tenso com os depoimentos dos ex-ministros Pazuello e Araújo. Desta forma, esperamos uma abertura de viés neutro/positivo para o mercado local, que pode voltar a se beneficiar de mais uma manhã de alta para as commodities.

 


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: 121.808 (+0,97%)
BR$/US$: 5,27 (-0,68%)
DI Jan/27: 8,83% (+0 bps)
S&P: 4.173 (+1,49%)

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Jornais:

VALOR
– Receita dos Estados resite à 2ª onda e aumenta 21%
– Morte de Covas silencia uma voz da moderação
– Cresce risco de déficit na oferta de energia
– Tarifa menor com ou sem a Argentina

O GLOBO
– Terras com registro irregular em áreas protegidas crescem 56% em dois anos
– Bruno Covas, prefeito de São Paulo, aos 41 anos
– Verbas ‘paralelas’ irrigaram órgãos ligados ao Centrão
– Agronegócios e mineração lideram investimentos

FOLHA DE S.PAULO
– Morre aos 41 o prefeito Bruno Covas
– Ricardo Nunes assume a cidade sob incertezas
– Cidade da morte de Floyd espera reforma policial
– Em dia mais letal do conflito, Israel mata 42 pessoas em Gaza

O ESTADO DE S.PAULO
– Prefeito de São Paulo, Bruno Covas morre no auge da carreira e da vida
– Bancos elevam previsão de crescimento do PIB em 2021
– Vacina para comorbidade gera corrida por atestado
– Botucatu imuniza toda a população em 10 horas

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