Mercados hoje | Dia de recuperação?

Introdução:

Internacional

• Ativos internacionais iniciam o dia em tom positivo após perdas devido a preocupações com a covid-19;
• Trump promete mais estímulos antes das eleições, mas mercado segue cético;
• A despeito do movimento baixista, não enxergamos correções fortes e duradouras com alta probabilidade;
• Inflação na Europa segue fraca, elevando a probabilidade de mais estímulos monetários;
• Produção industrial, vendas no varejo e confiança do consumidor nos EUA protagonizam agenda econômica internacional.

Brasil

• O presidente da Câmara acredita que não é possível votar Orçamento para 2021 sem antes aprovar a PEC emergencial;
• Caso o Senado não aprove a PEC até dezembro, Maia acredita que será necessário que os deputados trabalhem durante o recesso de janeiro;
• Governo cogita expansão mais modesta do Bolsa Família para reduzir a necessidade de cortes para financiar o Renda Cidadã;
• Ministério do Desenvolvimento Regional quer tornar fundos de desenvolvimento regional em entidades privadas.


CENÁRIO EXTERNO: Dia de recuperação?

Mercados… Bolsas asiáticas encerraram o dia de ontem em tom misto, sem grandes destaques. Na Europa, o Stoxx 600, índice que abrange uma gama de ativos ao redor do continente, opera em alta, enquanto futuros em NY acompanham o movimento. O dólar perde força contra seus principais pares (DXY) e as commodities seguem a tendência dos mercados acionários. Destaque para o preço do petróleo (Brent Crude) que, ao cair quase 1%, é atualmente negociado em torno dos US$ 42,70/barril.

Dia de recuperação?… Ativos de risco ao redor do globo iniciam em tom positivo, recuperando parte das perdas ocasionadas ao longo da sessão de ontem enquanto investidores buscam pontos de entrada atrativos. Para recapitular: o severo ressurgimento de casos e consequente reinstalação de medidas focais de restrição à mobilidade, na medida que ameaça retardar um processo de recuperação que já dá sinais de acomodação, forçou um reajuste no preço dos ativos. Incertezas quanto ao Brexit, à aprovação de um novo pacote de estímulos nos EUA e resultados corporativos mistos adicionaram ao caldeirão de volatilidade que pressionou os mercados ontem.

Estímulos nos EUA… Ao longo da tarde de ontem, Trump, presidente do EUA, anunciou que estaria disposto a elevar o pacote fiscal para além dos US$ 1,8 trilhão proposto inicialmente pelos republicanos de forma a aprová-lo antes das eleições. O anúncio promoveu um leve alívio, mas não foi suficiente para retirar o ceticismo dos mercados, uma vez que entrou em direta contradição com comentários feitos por Steve Mnuchin na quarta-feira, onde o secretário do tesouro afirmou que a aprovação de um novo pacote antes das eleições é pouco provável. Vamos acompanhar…

Correção duradoura?… A despeito da correção verificada nos mercados europeus ontem e a leve baixa nos mercados americanos, compreendemos que uma baixa mais severa e consistente não parece provável. Em um mundo onde as taxas de juros estão zeradas – ou até em patamar negativo – e a liquidez está, por conta dos massivos programas de QE, em disponibilidade sem precedentes, ativos apreciam uma sustenta conjuntural proporcionado pelos bancos centrais. Este “pilar de liquidez”, por assim dizer, atua no sentido de inflacionar os preços dos ativos mesmo em meio ao elevado grau de incerteza que caracteriza o cenário global.

Inflação europeia… O índice de preços ao consumidor europeu voltou a apresentar um desempenho fraco, somando-se à cesta de indicadores econômicos que seguem apontando para uma desaceleração no ritmo de recuperação. Na leitura final de setembro, o IPC aumentou apenas 0,1%, configurando uma deflação ano a ano (variação interanual negativa) de -0,30%. O núcleo, que exclui itens voláteis como energia e alimentos, apresentou alta de apenas 0,2% em termos interanuais. Vale pontuar que, apesar da baixa resposta do nível de preços à atividade econômica, a inflação de preços ao redor do continente tem sido severamente impactada pela apreciação do euro frente ao dólar. Na medida em que desestimula as exportações e força um barateamento das importações, a taxa de câmbio tem inibido avanços mais relevantes nos preços.

Corolários para a política de juros do BCE… Como temos mencionado em outros relatórios, a inércia dos preços da região tem desdobramentos preocupantes. A baixa inflação, assim como as expectativas que decorrem dela, comprometem o bom funcionamento da política monetária, pois exercem pressão baixista sobre as taxas de longo prazo e encurtam o espaço de atuação da política monetária. É justamente por causa disto que existe a expectativa de que o Banco Central Europeu amplie o montante de compra de títulos públicos e privados. Cortes adicionais em uma taxa de juros que já está em patamar negativo (-0,50%) também não são inteiramente descartados. Naturalmente, ambos os movimentos visam reativar o processo de recuperação e levar a inflação em direção à meta do Banco Central.

Na agenda… A agenda econômica internacional é dominada por indicadores pertencentes a maior economia do mundo. Às 9:30hrs saem as vendas no varejo para o mês de setembro, acompanhado pela produção industrial às 10:15. Expectativas de mercado prevêem crescimento de 0,70% para ambos os indicadores econômicos. Por fim, a confiança do consumidor, confeccionado pela Universidade de Michigan, sai às 11hrs e deve ficar estável em torno dos 80 pontos – bem abaixo dos níveis verificados no período pré-pandemia.


BRASIL: MAIA VOLTA DEFENDER APROVAÇÃO DA PEC EMERGENCIAL COMO PRIORIDADE #1

Maia: “É impossível votar Orçamento sem aprovar a PEC emergencial”… O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), voltou defender a proeminência da aprovação da PEC emergencial ontem em evento realizado pelo Banco BMG. Segundo o demista, aprovar o Orçamento de 2021 sem antes aprovar a PEC – que permite que o governo implemente cortes emergenciais de gastos – representa uma grande ameaça para o governo. Maia prevê dois possíveis cronogramas para a aprovação da PEC. Caso o Senado aprove a proposta antes do final de dezembro, os deputados poderão chancelar a emenda entre o Natal e o ano novo. Caso contrário, o presidente da Câmara entende que será necessário trabalhar durante o recesso parlamentar de janeiro.

Renda Cidadã deve contemplar menos pessoas… Mesmo com o moratório imposto pelo presidente Bolsonaro para as discussões em torno do financiamento do Renda Cidadã, ideias para financiar o programa continuam sendo discutidas. Nesta semana, a possibilidade de uma expansão mais modesta do número beneficiados foi mencionada de forma recorrente. Ao focar nas famílias mais vulneráveis, o governo espera reduzir os cortes que serão necessários para tirar o programa do papel sem comprometer o teto de gastos. O governo agora trabalha com a meta de incluir 3 milhões de famílias às 14,2 milhões que já são beneficiadas pelo Bolsa Família. Anteriormente, o governo pretendia incluir o dobro de novas famílias.

Revisão de renúncias tributárias e desonerações… Apesar da meta mais modesta, a equipe econômica ainda encontra grandes dificuldades para cobrir o aumento de gastos. A mais recente ideia a ser arejada pretende financiar o programa por meio de uma revisão de renúncias tributárias e desonerações. A intenção da equipe econômica é abastecer um fundo criado especificamente para financiar a expansão do programa com essa nova fonte de arrecadação.

Governo quer tornar fundos de desenvolvimento regional em entidades privadas… O ministério de Desenvolvimento Regional pretende reestruturar fundos de desenvolvimento das Regiões Nordeste (FDNE), da Amazônia (FDA) e do Centro-Oeste (FDCO) para criar entidades privadas. Atualmente, os fundos concentram R$ 6,5 bi em recursos públicos que seriam transformados em cotas no novo arranjo governamental. Um dos benefícios da alteração para a União seria a redução dos custos relacionados à taxa de administração do fundo, que, junto a outros custos associados à gestão dos recursos, gera uma despesa primaria de R$ 1 bi.

Na agenda… Como destaque do dia, o investidor se atenta à divulgação do IGP-10. Ao inflacionar 1,02%, o indicador configura variação interanual de 3,20%. Naturalmente, o avanço ainda repercute a alta dos alimentos que tem contaminado os índices de inflação ao consumidor.

E os mercados hoje?…

Ativos financeiros internacionais iniciam o dia em tom positivo, enquanto investidores seguem ponderando os riscos do cenário (casos da covid-19, brexit e falta de estímulos nos EUA) com pontos de entrada atrativos. Diante de um cenário que segue bastante incerto, espera-se que os mercados continuem apresentando movimentos altamente voláteis. Aqui no Brasil, a defesa em prol da aprovação da PEC emergencial por parte do presidente da Câmara dos Deputados deve promover alívio na medida em que emite a sinalização correta quanto à condução da política fiscal. Isto, junto com o ambiente externo positivo, deve resultar em dia de viés positivo para ativos de risco domésticos.


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: 99.054 (-0,28%)
BR$/US$: 5,61 (+0,43%)
DI Jan/27: 7,51% (+15 bps)
S&P 500: 3.483 (-0,15%)

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Jornais:

VALOR
– Politização pode atrasar a vacina contra coronavírus
– “União estável” com senador tem fim abrupto
– Fux indica que pode ter gestão de contendas
– Cadastramento do Pix abre ‘guerra das chaves’

O GLOBO
– STF suspende senador que escondeu dinheiro na cueca
– Diante da crise, planos de saúde mais baratos
– Ibope: Paes amplia vantagem; em SP, disputa se acirra
– STF retoma sessão e mantém prisão de traficante por 9 votos a 1

FOLHA DE S.PAULO
– Barroso afasta senador pego com dinheiro dentro da cueca
– Estados avançam em privatizações e concessões
– STF mantém revogação de habeas corpus a André do Rap
– Tendência na Europa sugere ao país como lidar com vírus

O ESTADO DE S.PAULO
– Vencimento de dívida no início de 2021 põe governo em alerta
– Pesquisa mostra empate técnico entre Covas e Russomanno
– Surto europeu ameaça recuperação econômica
– Ministro do STF afasta senador flagrado com dinheiro na cueca

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