Mercados hoje | Super quarta-feira movimenta os mercados

Introdução:

Internacional

• Movimento positivo segue dominando a dinâmica dos mercados na semana;
• Investidores aguardam atentos pelo fim da reunião do FOMC, que poderá render sinalizações importantes para a política monetária;
• Vendas no varejo de agosto e estoques brutos de petróleo do DoE são principais destaques da agenda econômica americana.

Brasil

• Bolsonaro desiste de criar Renda Brasil levando mercado a temer novos atritos com Guedes;
• Manchetes sobre possível congelamento de aposentadorias e cortes a outros benefícios irritam o presidente, que proíbe a palavra “Renda Brasil” durante o seu governo;
• A desistência alivia preocupação com flexibilização do teto de gastos;
• Guedes explica que “cartão vermelho” citado por Bolsonaro não o tinha como alvo;
• Luiz Fux desaconselha revisão de prisão para corruptos durante pandemia, confirmando expectativas sobre postura menos permissiva diante de crimes de corrupção à frente do STF;
• Decisão de taxa de juros do Copom protagoniza a agenda local.


CENÁRIO EXTERNO: De olho no Fed

Mercados… Bolsas asiáticas fecharam a sessão desta 4ªfeira com desempenhos mistos, sem grandes destaques. Na zona do euro, índices de mercado voltaram a amanhecer com desempenhos predominantemente positivos. O Stoxx 600, índice que abrange uma gama de ativos de risco da região, avança 0,3% até o momento. Em NY, índices futuros também apontam para a manutenção do bom desempenho das bolsas americanas na semana, enquanto o dólar (DXY) segue em trajetória de desvalorização contra os seus principais pares. Na fronte das commodities, ativos continuam ilustrando a mesma melhora verificada nos mercados acionários. O preço do petróleo (Brent crude) avança 2,2%, negociado acima dos US$ 41,40/barril. 

De olho no Fed… Ativos de risco globais seguem dando sequência ao movimento positivo iniciado na 2ªfeira, em manhã que não traz grandes mudanças no cenário. Como principal destaque no dia, investidores aguardam o fim da reunião do FOMC nos EUA, quando os formuladores de política monetária do Federal Reserve (BC americano) anunciam sua decisão de taxa de juros e o presidente da instituição, Jerome Powell, participa de uma coletiva de imprensa.

O que esperar para hoje… Com relação à decisão de taxa de juros não há dúvida que o BC americano manterá a taxa de juros estável no seu intervalo atual de 0,00% a 0,25% a.a. A expectativa, no entanto, está relacionada à sinalização futura da instituição, que poderá passar pistas importantes para o futuro da política monetária no comunicado (15h) e na entrevista de Powell (15h30). De modo geral, o investidor espera mais informações com relação à flexibilização das metas de inflação anunciada por Powell durante seu discurso no simpósio de Jackson Hole.

Mais do Fed… Além disto, parte do mercado também acredita que poderá haver alguma mudança na linguagem do comunicado no que diz respeito ao afrouxamento quantitativo (QE). Nesta frente, as apostas são que o Fed adote uma postura mais agressiva com relação à compra de ativos, sinalizando que fará o que for possível pela manutenção dos rendimentos das Treasuries de longo prazo de forma a manter baixo o custo de financiamento no país. Com isso, a instituição estaria mostrando que o achatamento da ponta longa da curva de juros voltará a ser o principal objetivo da ferramenta, uma vez que o objetivo de “garantir o bom funcionamento do mercado” já foi atingido.

Na agenda… Além do anúncio da decisão do FOMC, o mercado acompanha as vendas no varejo em agosto (9h30), a variação dos estoques empresariais em junho (11h) e os estoques brutos de petróleo (11h30) nos Estados Unidos.


BRASIL: COPOM PROTAGONIZA A AGENDA

Dia de Copom… Assim como o Fed, o nosso Banco Central anuncia a sua decisão de taxa de juros hoje, a partir das 18h. Por aqui, a aposta unânime também é de manutenção da Selic no seu patamar atual de 2,00% a.a. Assim, as expectativas estão voltadas ao comunicado divulgado na mesma hora da decisão, onde poderá haver mudanças com relação ao forward guidance introduzido pelo Copom, que contraria a curva DI do mercado ao apontar para a manutenção dos juros em patamares baixos por mais tempo. Dentre os riscos para esta previsão, o BC deverá apontar, além do fiscal, para uma volta da demanda mais rápida do que o antecipado e as recentes pressões inflacionárias derivadas de altas no dólar e no preço internacional das commodities.

Adeus Renda Brasil… Irritado com os rumores em torno dos cortes que seriam necessários para criar o espaço orçamentário exigido para o financiamento do programa Renda Brasil, o presidente Jair Bolsonaro aparenta ter desistido da expansão assistencialista. Entre as matérias que incomodaram o presidente estavam manchetes que apontavam para o congelamento de aposentadorias e cortes de auxílios para idosos e “pobres com deficiências”. Bolsonaro enfatizou que jamais cogitaria qualquer uma das medidas citadas pela mídia e determinou que a palavra “Renda Brasil” está proibida durante o restante do seu governo (até 2022), além de adicionar “…vamos continuar com o Bolsa Família e ponto final”.

Recuperação dever perder força no 4º tri… A surpreendente desistência do presidente Bolsonaro em criar o programa Renda Brasil impacta várias frentes. Primeiro, a possibilidade de rompimento do teto de gastos diminui drasticamente, apesar de não ter sido eliminada. Ainda existe a perspectiva que o governo proponha uma expansão mais modesta do Bolsa Família. Também se destaca o fato de o presidente ter desistido sumariamente da criação do programa sem sequer cogitar uma flexibilização do teto de gastos. Ao não considerar uma flexibilização, Bolsonaro demonstrou ter um apreço pela preeminência do teto maior do que muitos estimavam – principalmente quando se leva em conta os impactos positivos que a criação do programa teria sobre a sua aprovação, governabilidade e suas perspectivas de reeleição.

Cartão Vermelho… O mercado não reagiu bem à postagem do presidente, entendendo-a como um novo capítulo da recorrente narrativa de atritos entre Bolsonaro e o Ministério da Economia. Enquanto investidores começavam digerir o acontecimento, Guedes veio a público e negou que o “cartão vermelho”, termo usado por Bolsonaro no vídeo, tinha sido direcionado a ele. O fato apaziguo os ânimos dos que temiam novamente pela saída de Guedes. Mesmo assim, a especulação sobre a saída de algum membro da equipe econômica, possivelmente o secretário Especial Waldery Rodrigues, continuou. Rodrigues supostamente tinha compartilhado que o ministério cogitava o congelamento das aposentadorias, insumo que deu vez a manchete que tanto irritou o presidente.

Fux inaugura presidência da lei e ordem… Em seu primeiro ato como presidente do STF, o ministro Luiz Fux recomendou, por meio de uma norma do Conselho Nacional de Justiça, que presos por corrupção não sejam beneficiados por revisão de prisão em razão da pandemia de Covid-19, mesmo que se enquadrem no grupo de risco. A medida foi interpretada por muitos como uma sinalização de que Fux atuará de uma forma menos permissiva e piedosa diante crimes contra a administração pública do que o ministro que o antecedeu à frente do STF, Dias Toffoli.

Na agenda… Em dia de agenda morna, o investidor acompanhará o Monitor do PIB(FGV/Ibre) referente ao mês de junho e o IGP-10 de setembro, às 8h. À tarde (14h30), o Banco Central divulga os dados semanais de fluxo cambial.

E os mercados hoje?… No exterior, ativos de risco dão sequência ao movimento de alta que tem caracterizado a semana, enquanto investidores ficam na expectativa por novidades após mais uma reunião de política monetária do Fed.
No Brasil, a decisão de política monetária do Copom protagoniza a agenda. Apesar das apostas apontarem para a manutenção da Selic em 2,0% como certa, existe uma expectativa com relação a um maior esclarecimento do forward guidance do BC, que prevê juros baixos por muito tempo. Até lá, o investidor segue digerindo a decisão do presidente pelo fim do Renda Brasil.
Assim, com poucas novidades esperadas ao longo do pregão de hoje, o mercado local deve voltar a se beneficiar do bom humor externo, principalmente por ter perdido ímpeto em meio à ruídos políticos na sessão desta 3ªfeira.


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: 100.274 (+1,94%)
BR$/US$: 5,26 (-0,97%)
DI Jan/27: 6,94% (-3 bps)
S&P 500: 3.383 (+1,27%)

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Jornais:

VALOR
– Como a CPMF, Renda Brasil não acabou e vai ‘hibernar’
– Vacância em agências traz preocupação
– Após 48 anos, Sony decide sair do Brasil
– AL ganha destaque em eleição nos EUA

O GLOBO
– Azevêdo desmente Trump sobre guerra comercial
– Bolsonaro desautoriza equipe, e política social vive impasse
– Ensino médio tem inédita melhora, mas não atinge meta
– Presidente e aliados entram na corrida eleitoral

FOLHA DE S.PAULO
– Bolsonaro desiste do Renda Brasil e faz ameaça à equipe
– Foro de Flávio Bolsonaro ganha força no Supremo
– Ensino médio tem avanço em todos os estados
– Presidente parece sempre ser sincero, avalia analista

O ESTADO DE S.PAULO
– Em frente inédita, ONGs e agro pedem ações para a Amazônia
– Bolsonaro veta Renda Brasil e Congresso ‘assume’ pauta
– Ensino médio avança no país, mas não atinge meta
– Israel firma pacto com Emirados e Bahrein

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