Mercados hoje | Covid-19 em alta, ativos em baixa

Introdução:

Internacional

• Ativos internacionais iniciam o dia em baixa, refletindo a piora do quadro sanitário na Europa;
• Ressurgimento preocupante de casos e reinstituição de medidas restritivas focalizadas podem pesar sobre recuperação;
• Clarida, vice-presidente do Fed, volta adotar tom cauteloso ao falar sobre recuperação econômica dos EUA;
• Agenda econômica internacional trás pedidos de seguro-desemprego e estoques de petróleo bruto como destaque.

Brasil

• Projeto que quebra monopólio de entrega dos Correios representa o primeiro passo para privatizar a estatal;
• Governo divulga cronograma que aponta abril como a data de início para a distribuição de imunizações, mas ignora iniciativas estaduais;
• Estudo da Universidade de Washington prevê 175 mil óbitos em razão da Covid-19 até o final de 2020;
• Agenda econômica local tem IBC-Br como principal destaque.


CENÁRIO EXTERNO: COVID-19 EM ALTA, ATIVOS EM BAIXA

Mercados… Bolsas asiáticas encerraram o pregão de ontem com desempenho predominantemente negativo. Na Europa, o Stoxx 600, índice que abrange uma gama de ativos ao redor do velho continente, cai mais de 2% até o momento. Do outro lado do atlântico, futuros em NY acompanham o movimento, ao passo que o dólar continua ganhando terreno contra seus principais pares ao redor do globo (DXY). No plano das commodities, estas acompanham os movimentos dos mercados americanos e europeus, com destaque para o preço do petróleo (Brent Crude) que, ao cair mais de 2%, opera cerca dos US$ 42,39/barril.

Segunda onda em vista… Ativos de risco na Europa iniciam o dia em baixa, refletindo a piora recente do quadro sanitário. Após meses de esforços para achatar a curva de contágio, países do bloco agora se encontram em uma situação preocupante. De algumas semanas para cá, a propagação da covid-19 se intensificou, forçando alguns países como a França e Reino Unido a reimplementar uma série de restrições focais à mobilidade. Assim, um alta relevante de casos, anseios quanto ao Brexit, resultados corporativos mistos e a cada vez menor probabilidade de aprovação de um novo pacote de estímulos nos EUA marcam o teor negativo dos mercados. Na busca pela segurança, investidores da região elevaram sua demanda por títulos alemães.

Sobre os casos… Pela primeira vez em alguns meses, a dinâmica do vírus na Europa tem apresentando resultados piores do que aqueles observados nos EUA. No continente, os países têm registrado, na média, 152 casos diários por milhão de habitantes, ao passo que os EUA têm catalogado 150 pela mesma métrica. Alguns países em específico, como a França, Espanha, Reino Unido, Holanda e Bélgica tem registrado novos casos diários na casa dos 250 por milhão de habitantes.

Volta aos lockdowns?… A despeito de não vermos a volta aos lockdowns generalizados vistos em março como o cenário mais provável, entendemos que o severo ressurgimento de casos tem repercussões preocupantes. Ao forçar a reimplementação de medidas restritivas focalizadas – a França, por exemplo, anunciou o toque de recolher em Paris e outras três grandes cidades –, o ressurgimento do vírus volta a pesar sobre a confiança de produtores e consumidores e exacerba o fator medo que tem minado decisões de dispêndio e investimento. A situação é ainda mais preocupante para o setor de serviços, que, por depender amplamente do contato social, acaba sendo mais afetado. Em outras palavras, a recente piora do quadro sanitário tem forte potencial de protelar o ritmo de recuperação econômica, que já dá constantes sinais de acomodação.

Fed volta a adotar tom cauteloso… O vice-presidente do Fed, BC americano, voltou a adotar um tom cauteloso ao falar sobre a recuperação da maior economia do mundo. A despeito de robusta, a recuperação está longe de estar completa. O vice-presidente voltou a reiterar necessidade de mais suporte fiscal, mencionando que a volta aos níveis de atividade verificados em fevereiro – principalmente em vista do estado precário do mercado de trabalho – não deve ocorrer em até pelo menos um ano. De acordo com Clarida, somente desenvolvimentos relevantes com relação à vacina podem alterar drasticamente este quadro.

Na agenda… Além do discurso de importantes dirigentes do Fed (Quarles às 12hrs e Kashkari às 18hrs), a agenda econômica internacional conta com divulgação dos pedidos de auxílio desemprego nos EUA, que devem voltar a registar um patamar preocupante, além dos estoques de petróleo bruto no mesmo país.


BRASIL: GOVERNO RESSUSCITA AGENDA DE PRIVATIZAÇÕES

Governo prepara terreno para privatização dos Correios… O ministro Fabio Faria (Comunicações) apresentou ontem ao presidente Jair Bolsonaro um projeto de lei que visa quebrar o monopólio postal dos Correios. A proposta configura como o primeiro passo necessário para eventualmente privatizar a estatal. A intenção do governo é privatizar a empresa de entrega de cartas e encomendas durante o decorrer de 2021. Nos últimos messes, vários relatos sobre o interesse de empresas privadas (Magazine Luiza, FedEX, DHL, Amazon, entre outras) nos Correios foram citados pelo ministro Faria.

Sinalização positiva… Como a empresa não tem capital aberto, esta privatização não gera impacto direto no mercado. Nada obstante, o fato de que o governo registra passos concretos em direção a privatização de uma grande estatal represente uma sinalização positiva para a agenda de desinvestimento como um todo.

Governo prevê início de distribuição de vacina Oxford em abril… O Ministério da Saúde divulgou cronograma que estabelece o mês de abril como a data de início para a distribuição da vacina contra o coronavírus. O calendário apresentado pelo governo prevê a disponibilização de 100 milhões de doses durante o S1 de 2020 e entre 100 e 165 milhões no S2 do mesmo ano.

Governo federal ignora iniciativas de governo estaduais… A apresentação do cronograma foi criticada por alguns secretários estaduais que ficaram insatisfeitos com o fato de que o calendário contemplou exclusivamente a vacina de Oxford, ignorando as iniciativas de compra e distribuição de governos estaduais – como a que ocorre em São Paulo, por exemplo. Neste estado, profissionais de saúde devem começar a ser imunizados já em dezembro com a CoronaVac, uma inoculação de origem chinesa.

Brasil deve se aproximar de 175 mil mortes em 2020… Um novo estudo da Universidade de Washington projeta que o Brasil deve entrar em 2021 com 175 mil mortes em razão da pandemia do coronavírus. Na segunda-feira, o Ministério da Saúde divulgou que o Brasil tinha oficialmente ultrapassado o limiar de 150 mil óbitos. O estudo da Universidade de Washington contempla uma margem de erro que prevê uma variação no total de falecidos entre 170 mil e 181 mil. O resultado presume a continuação do processo de flexibilização das medidas de distanciamento social e o uso de máscaras por 2/3 da população brasileira.

Na agenda… Como destaque da agenda econômica, o IBC-Br – proxy mensal para o PIB produzido pelo BCB – marca o dia. O índice captura o desempenho dos três principais setores da economia (varejo, indústria e serviços) e apresentou crescimento de 2,15% em julho. Para agosto, o índice deve respeitar o desempenho positivo das pesquisas setoriais (PMC, PMS e PIM) ao apresentar crescimento na casa do 1,70%. Caso se confirme, a retração interanual – isto é, com relação ao mesmo mês do ano passado – deve passar de -4,89% para -4,10%. Ao longo da manhã, o investidor também se atentará ao leilão de LTNs e NTN-Fs promovido pelo Tesouro Nacional, que será um verdadeiro teste da recente atuação conjunta entre o BC e o Tesouro.

E os mercados hoje?…

 Ativos financeiro ao redor do globo iniciam o dia em queda, refletindo a piora do quadro sanitário na Europa e a consequente reinstalação de medidas restritivas focalizadas. No pano de fundo, resultados corporativos mistos, ausência de suporte fiscal nos EUA e anseios quanto ao Brexit produzem volatilidade adicional. Aqui no Brasil, a retomada das conversas em torno da privatização dos Correios pode promover algum alívio, mas não deve ser suficiente para promover uma alta dos ativos domésticos, que devem reagir com maior intensidade a piora do cenário externo. Em função disto, esperamos um dia de viés negativo para ativos financeiros locais.


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: 99.334 (+0,84%)
BR$/US$: 5,59 (+0,52%)
DI Jan/27: 7,36% (-2 bps)
S&P 500: 3.488 (-0,66%)

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Jornais:

VALOR
– Agenda privada sustentável supre omissões do governo
– Pantanal ganha megaprojeto privado de conservação
– Prejuízos se espalham em fundos DI
– Acordo abre caminho para JBS listar ações nos EUA

O GLOBO
– Maioria do STF vota para manter prisão de traficante
– Pobreza no Rio na contramão do país
– Contra 2ª onda, França impõe toque de recolher
– FMI prevê que dívida passará de 100% do PIB

FOLHA DE S.PAULO
– STF tem maioria para manter ordem de prisão de traficante
– PT já impõe prazos a Tatto e debate apoio a Boulos
– Banco Mundial, FMI e G20 fazem alerta a emergentes
– Europa usa toque de recolher após nova alta de casos

O ESTADO DE S.PAULO
– 82% dos municípios não veem condições de retomar as aulas
– STF forma maioria a favor de prisão de traficante
– Para experts, elogios de TV a Bolsonaro violam Carta
– Moody’s indica que pode cortar nota de crédito

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