Mercados hoje | Estudo mostra que maioria dos setores econômicos sofrem com demanda reduzida

Introdução:

Internacional

• Ativos internacionais operam acerca da estabilidade, com investidores de olho na temporada de balanços para justificar fluxo comprador;
• FMI divulgou relatório de panorama mundial e alerta pela não retirada de estímulos fiscais tão cedo;
• Produção industrial na zona do euro desacelera e registra ligeira alta de 0,70% em agosto;
• Agenda econômica internacional conta com IPP nos EUA e discursos de dirigentes do Fed.

Brasil

• Setores do agronegócio e construção civil já estão recuperados;
• Turismo, veículos automotores e empresas aéreas se destacam entre os que ainda sofrem com demanda reprimida causada pela pandemia;
• Maia defende avanço da reforma tributária dos deputados;
• STF analisa soltura de André do RAP enquanto parlamentares buscam retomar discussões sobre a prisão após condenação em 2ª instância.


CENÁRIO EXTERNO: TEMPORADA DE BALANÇOS E RELATÓRIO DO FMI MARCAM O DIA

Mercados… Bolsas asiáticas encerram o pregão de ontem em tom misto, refletindo o desempenho no vermelho das bolsas ocidentais. Na zona do euro, o Stoxx 600, índice que abrange uma série de ativos ao redor do continente, opera acerca da estabilidade. No outro lado do Atlântico, futuros em NY acompanham o movimento dos ativos europeus, enquanto o dólar se mantém estável contra seus principais pares (DXY). No plano das commodities, estas operam predominantemente em queda. Destaque para o preço do petróleo (Brent Crude) que, ao cair 0,49% até o momento, é negociado em torno dos US$ 42,20/barril.

Temporada de balanços… Enquanto investidores continuam digerindo a ausência de estímulos econômicos – ontem mesmo Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Deputados, anunciou que a proposta do presidente americano precisaria de sérias mudanças –, assim como ritmo de recuperação que dá constantes sinais de acomodação, o mesmos buscam novas pistas para justificar um fluxo comprador na temporada de balanços que se iniciou esta semana. Como de costume, o balanço dos bancos inicia a temporada, com destaque para gigantes do setor como Wells Fargo, Bank of America, Goldman Sachs e Morgan Stanley.

FMI prevê recessão menor, mas retomada será árdua… Em seu último relatório sobre as perspectivas para a economia global, o Fundo Monetária Internacional revisou a sua projeção para o crescimento do PIB mundial de -5,2% (junho) para -4,4%. A despeito da melhora, a economista chefe do Fundo, Gita Gopitath, alertou que a recuperação será lenta e, mais importantemente, extremamente desigual, com trabalhadores menos qualificados assumindo a maior parte do ônus da crise. Diante de tal cenário, o Fundo reiterou a importância de não subtrair o efeito expansionista da política fiscal tão cedo, argumentando que sua presença é indispensável para evitar a formação de uma dinâmica recessiva no pós-pandemia, principalmente quando se leva em conta o estado precário do mercado de trabalho mundo afora.

Mais estímulos ou não, eis a questão… Formuladores de política econômica ao redor do globo encontram-se em uma encruzilhada. A enorme expansão de gastos induzida pela crise da covid-19 ocasionou a formação de déficits primários sem precedentes na história recente, forçando a relação dívida/PIB a disparar. Assim, garantir a continuidade do suporte fiscal implica em aceitar um já alto e ainda maior nível de endividamento a ser pago no futuro. Diante deste trade-off, fica claro a vontade de no mínimo, reduzir, e, no máximo, cessar os programas de auxílio governamental.

A trajetória importa mais que o nível… De qualquer maneira, compreendemos que a trajetória, assim como a percepção sobre ela, importa mais do que o nível da relação dívida/PIB. Em mundo onde as taxas de juros estão em zero – ou até são negativas – governos podem se endividar praticamente sem custo adicional. Caso a taxa de crescimento do PIB das principais economias centrais seja maior do que a taxa real de juros – que certamente parece ser o caso no ano que vem – a relação dívida/PIB tende a se estabilizar, perdendo o caráter explosivo que assumiu durante 2020. Não à toa, compreendemos por que Powell, presidente do Fed, tem recorrentemente argumentado que o risco de “fazer demais” é bastante pequeno.

Economia europeia… Ao crescer apenas 0,70% em agosto após alta de 4,1% em julho, a produção industrial na zona do euro somou-se à cesta de indicadores que seguem apontando para o forte processo de desaceleração no ritmo de recuperação econômica. Com o resultado, observa-se que a produção industrial ainda continua 7,2% abaixo do nível verificado em igual mês do ano passado. A recuperação continua desigual entre países, com, por exemplo Portugal catalogando alta de 10,0% na margem e Alemanha queda de 0,20%. Frisamos que a recente apreciação do euro frente ao dólar, na medida em que desestimulas as exportações do continente, tem pesado sobre a economia continental.

Na agenda… Além da produção industrial na zona do euro, a agenda econômica internacional conta com a divulgação do Índice de Preços ao Produtor nos EUA (9:30) e os discursos de importantes dirigentes do BC americano. Clarida fala as 10:00hrs, Randal Quarles às 11:30 e 16hrs e Kaplan às 16hrs e 19hrs.


BRASIL: ESTUDO MOSTRA QUE MAIORIA DOS SETORES ECONÔMICOS SOFREM COM DEMANDA REDUZIDA

Estudo mostra quais setores se recuperaram desde o início da pandemia… Um estudo realizado pelo Itaú Unibanco aponta que somente 4 entre 14 setores analisados conseguiram se recuperar desde a eclosão da pandemia. O estudo do banco mostra que o agronegócio, partes da construção civil, o setor de alimentos e algumas áreas do varejo (aplicativos de entrega/vendas online) já se beneficiam de uma demanda igual ou maior em comparação aos níveis registrados no início do primeiro semestre de 2020. O estudo também revela que o setor de eletrônicos e vestuários já mostra sinais de recuperação, apesar de ainda não ter retornado aos níveis pré-pandêmicos. Entre os setores que ainda lidam com quedas severas na demanda se encontram o setor de turismo, as companhias aéreas e os fabricantes de veículos.

Maia busca sustentar otimismo em torno da tributária… O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) mantem-se esperançoso sobre a possiblidade de a reforma tributária ser votada no plenário da Câmara ainda em 2020. Segundo o demista, a proposta já preencheu os necessários requisitos na Comissão de Constituição e Justiça e na comissão especial que avaliou o seu mérito, estando assim pronta para o plenário da Câmara, pendente um acordo com as lideranças da Congresso e com o governo. Maia acredita que, caso esse acordo seja construído até o 1º turno das eleições (15/11), restará tempo suficiente para votar a PEC no plenário da Casa Baixa.

Tributária da Câmara… Quando Maia ressalta o fato de que reforma tributária já avançou pelas etapas que precedem a sua chegada ao plenário ele se refere à trajetória da PEC 45. Esta proposta é de autoria do deputado Baleia Rossi (MDB/SP) e tem como base os estudos do economista Bernard Appy. Avaliamos que esta propositura é mais moderna e implementável que o projeto do Senado (PEC 110). A visão do governo continua, em grande parte, um mistério, já que a única contribuição feita pela equipe econômica foi o projeto que visa unir o PIS e o Cofins. .

Embate de protagonismo… Para que o desejo de Maia seja realizado, tanto o governo quanto o Senado teriam de abrir mão das suas respectivas propostas para que a da Câmara avance. A recente reconciliação entre Maia e Guedes aumenta a probabilidade desta ocorrência, mas, até então, nenhuma sinalização surgiu da equipe econômica que sugere uma abertura a esta possibilidade.

STF analisa soltura de Líder do PCC… A concessão de um habeas corpus que liberou o traficante André Oliveira Macedo, melhor conhecido como André do Rap, trouxe à tona um debate sobre a Código de Processo Penal e nosso sistema jurídico como o todo. O traficante foi beneficiado por uma decisão do ministro Marco Aurélio que determinou a sua soltura após o pedido de prisão preventiva que mantinha Macedo em cárcere não ser renovado. O STF deve analisar a determinação feita por Luiz Fux que cassou a decisão de Marco Aurélio hoje em plenário.

Sumiço de André do Rap da novo ímpeto à prisão após condenação em 2ª instância… Além da reação célere da cúpula do Judiciário, a soltura e consequente desaparecimento da liderança do PCC desencadeou um retomada das discussões em torno da PEC que visa restabelecer a prisão após condenação em 2ª instância, uma jurisprudência que foi revista pelo STF no final de 2019 e resultou na soltura do ex-presidente Lula. Isso porque o notório criminoso já tinha sido condenado em 2ª instancia em dois inquéritos distintos. Agora, membros do colegiado, que estudam a proposta que visa reverter a determinação do STF, protocolaram um pedido para que comissão especial seja reinstituída para que seja possível dar continuidade ao trâmite da proposta.

Na agenda… Como destaque da agenda econômica local, o IBGE divulga à 9hrs a Pesquisa Mensal dos Serviços para o mês de agosto. No mês o setor – o mais afetado pelas medidas de isolamento social – deve catalogar leve alta de 1,6% (Bloomberg), levando a retração interanual para a casa dos -11%. Fique de olho em nosso Flash Macro sobre o assunto, disponível após a divulgação do dado.

E os mercados hoje?…

Ativos internacionais devem continuar operando de forma volátil enquanto investidores continuam digerindo a inércia dentro do Congresso americano para aprovar mais estímulos econômicos. No pano de fundo, a temporada de balanços que se iniciou esta semana deverá servir como um termômetro adicional para mensurar o grau de recuperação das economias, contribuindo, caso sejam positivas, para um fluxo comprador mais consistente. Aqui no Brasil, na ausência de novas notícias negativas no âmbito fiscal, comentários feitos por Maia devem reacender o otimismo em torno das pautas reformistas. Em função disto, esperamos o dia de viés neutro/positivo para ativos de risco domésticos.


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: 98.502 (+1,05%)
BR$/US$: 5,57 (+0,70%)
DI Jan/27: 7,39% (-14 bps)
S&P 500: 3.511 (-0,63%)

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Jornais:

VALOR
– Comércio entre Brasil e EUA cai a níveis de 2009
– Souza Cruz cresce e vira BAT Brasil
– BTG negocia compra da sucroalcooleira Atvos
– Libertação de traficante dá força a prisão na 2ª instância

O GLOBO
– Maioria do STF decidiu de outra forma sobre soltura de presos
– Governo dá primeiro passo para privatizar os Correios
– Única feira presencial do ano, ArtRio começa hoje
– Brasil faz simulação inédita de guerra na Amazônia

FOLHA DE S.PAULO
– Elite do ministério de Guedes acumula carga e infla salário
– ‘Não passo o Natal aqui’, disse André na cadeia
– Doutorado de Kassio tem trechos similares a artigos
– Investimentos em startups resistem durante a pandemia

O ESTADO DE S.PAULO
– De 14 setores da economia, só 4 se recuperaram de perdas
– Supremo deve manter decisão sobre Fux sobre líder do PCC
– Parlamentares defendem prisão após 2ª instância
– Para Salles, União é responsável por só 6% do Pantanal

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