Mercados Hoje | Instituto Butantan divulga e explica eficácia da Coronavac

Tempo de leitura: 10 minutos

Introdução:

Internacional

• Bolsas globais amanheceram sem direções claras em mais uma manhã calma para os mercados;
• Partido democrata se prepara para iniciar votação de novo inquérito de impeachment contra Donald Trump;
• BCE renova promessa de que manterá uma postura acomodatícia por período prolongado;
• Produção industrial europeia avança 2,5% em novembro;
• Livro Bege do Fed traz parecer dos seus diretores sobre a situação corrente da economia americana.

Brasil

• Instituto Butantan divulga e explica dados sobre eficácia da Coronavac;
• Diferentes valores de eficácia representam cenários distintos;
• Ao todo, vacina produzida em parceria com a Sinovac parece ser promissora;
• Avanço além do esperado do IPCA provoca renovação de expectativa de alta mais cedo da taxa Selic;
• Devido ao avanço vegetativo dos gastos obrigatórios, investimento público deve registar menor valor desde 2007;
• Volume de serviços em novembro é destaque na agenda econômica do dia.


CENÁRIO EXTERNO: MAIS DO MESMO

Mercados… Mercados asiáticos encerraram a sessão de maneira mista, sem direção única entre as principais bolsas do continente. Na zona do euro, índices acionários amanheceram sem direções claras, com o Stoxx 600, índice que abrange uma gama de ativos de risco da região, andando de lado até o momento. Em NY, índices futuros também oscilam em torno do zero a zero, enquanto o dólar (DXY) ensaia nova sessão de valorização contra os seus principais pares (+0,2%). Na fronte das commodities, ativos têm nova sessão positiva. Como destaque, o preço do petróleo (Brent crude) registra alta de 0,3%, negociado em torno dos US$ 56,72/barril.

Mais do mesmo… Ativos de risco iniciaram o dia próximos da estabilidade, em mais uma manhã calma para os mercados. Com poucas novidades no noticiário, os destaques ficam com as promessas de uma postura estimulativa por parte do Banco Central Europeu, reforçadas pelo membro do conselho governante, Francois Villeroy de Galhau. Galhau também voltou a comentar a atenção do BCE ao câmbio e o seu impacto sobre a inflação do bloco; fato que auxiliou no movimento de desvalorização do euro verificado no início da sessão.

Democratas tentam marcar história… Nos EUA, os democratas se preparam para votar um requerimento de impeachment histórico contra Donald Trump, buscando registrar o seu envolvimento na invasão do Capitólio ocorrida na semana passada. Segundo a líder da maioria democrata na Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, o presidente merece uma parcela da culpa por incitar seus seguidores mais radicais nas redes sociais. Apesar de operar um partido dividido e dos rumores de que republicanos estariam dispostos a votar contra seu presidente, uma condenação no Senado segue bastante improvável. Desta forma, Trump dificilmente será condenado e obrigado a deixar a Casa Branca antecipadamente, mas a ação dos democratas terá êxito em manchar a campanha republicana com a aprovação de um 2º inquérito de impeachment na Casa Baixa. Vamos acompanhar…

Indústria europeia… Mais cedo, o escritório de estatística da União Europeia (Eurostat) divulgou os dados produção industrial em novembro. Houve um avanço de 2,5% da atividade na margem, resultado que manteve a atividade industrial 0,6% menor quando comparada a novembro de 2019. Outro destaque da leitura é a maneira heterogêneo com que esta retomada está acontecendo entre os membros do bloco, com países como França (-4,9%), Itália (-4,2%) e Espanha (-3,7%) ainda muito atrás na comparação interanual. Desta forma, o dado aponta para a continuidade do processo de retomada da atividade, mas reforça o cenário desafiador que vive a economia do velho continente, com caminhos longos e divergentes entre os principais membros até os níveis de 2019.

Mais agenda… Os EUA têm agenda recheada, onde saem o Índice de Preços ao Consumidor americano (CPI) de dezembro (10h30), o estoques brutos de petróleo do departamento de energia (12h30) e o Livro Bege do Federal Reserve – documento em que os diretores do BC americano explicitam as suas avaliações da economia local.


BRASIL: Instituto Butantan divulga e explica eficácia da Coronavac

Eficácia da Coronavac… Após pressão por parte da classe política e sociedade civil, o Instituto Butantan abriu ao público dados sobre a eficácia da Coronavac, um dos principais imunizantes a ser utilizado na campanha de vacinação local. A eficácia geral da vacina ficou em 50,3%, patamar ligeiramente acima do mínimo (50%) requerido pela Anvisa para aprovação. O dado veio na contramão de outro dado divulgado na semana passada, que apontou para uma eficácia de 78%, causando um certo nível de apreensão. Afinal, por que os resultados entre esta semana e a outra são diferentes?

Diferentes tipos de eficácia… Em essência, os diferentes tipos de eficácia divulgados dizem respeito ao poder da vacina em evitar fortes desenvolvimento da covid-19 sobre o sistema imunológico. Isto é, ao tomar a vacina, o indivíduo terá uma chance de 50% de não desenvolver covid-19, a doença causada pelo coronavírus. Ainda, existe uma chance de 78% de que, caso infectado, o indivíduo apresente sintomas leves, mas não necessite de atendimento médico. Por último, a eficácia de 100% também divulgada na semana passada diz respeito à prevenção de casos muito graves. Ou seja, se tomou a vacina, existe 100% de chance de não precisar ser hospitalizado ou ir para a UTI. Este dado é preliminar, e certamente não deve ser verdadeiramente igual a 100%, mas aponta uma tendência positiva.

Que siga em frente a campanha de vacinação… Á primeira vista, a vacina produzida pelo Butantan em parceria com a Sinovac é promissora. Ao apontar resultados positivos no que diz respeito à prevenção de casos muito graves, reduz a pressão sobre o sistema público de saúde, evitando a materialização do principal problema decorrente da pandemia: um colapso completo da rede de saúde pública. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) comunicou que deve responder ao pedido de uso emergencial do imunizante até o domingo desta semana.

Inflação e expectativa de juros… Com avanço de 1,35% em dezembro, o IPCA encerrou o ano de 2020 com alta acumulada de 4,52% em 12 meses. O resultado veio acima da estimativa mediana do mercado e voltou a fomentar a expectativa de uma alta na taxa Selic já no primeiro semestre do ano. Acreditamos que o movimento é precoce. Em um cenário onde a economia já não sofre o impulso de uma política fiscal mega-expansionista; o desemprego bate níveis recordes; a existência do vírus segue colocando pressão considerável sobre o setor de serviços; e a política fiscal volta à austeridade, pressões desinflacionarias tendem a ganhar mais força. Em outras palavras, provocar um aumento da taxa de juro diante de um ambiente econômico deteriorado – mas com expectativas de inflação praticamente ancoradas nas metas – não parece ser muito razoável.

Compressão do gasto público… Devido ao crescimento vegetativo dos gastos obrigatórios, principalmente àqueles ligados à previdência, o investimento público deve registrar um valor extremamente baixo de R$ 28,6 bilhões em 2020. O movimento ocorre em linha com a compressão dos gastos discricionários para cumprir a regra do teto de gastos. Mais uma vez, surge a clara necessidade de se implementar medidas fiscais – tal qual a PEC Emergencial – que abram espaço no orçamento para ampliar o investimento público em infraestrutura, um crucial e importante indutor do crescimento do investimento do setor privado. A falta de uma infraestrutura moderna e renovada tende a subtrair do crescimento potencial da economia, afetando diretamente a produtividade das empresas e os possíveis ganhos de emprego e renda.

Na agenda… O IBGE divulga o volume de serviços em novembro (PMS), o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de dezembro (LSPA) e o 3º prognóstico da Safra para 2021, todos às 9h. Como protagonista da agenda, o volume de serviços deverá seguir pontuando um movimento de retomada do setor, mesmo que em ritmo bastante reduzido. Para o mês esperamos uma alta da ordem de 1,0%, resultado que configuraria uma queda de 6,5% na comparação com os níveis de novembro/19.

E os mercados hoje?… Mercados globais operam próximos à estabilidade em mais uma manhã calma, com poucas mudanças relevantes no quadro econômico global. Como destaque no noticiário, as atenções seguem voltadas para os EUA, onde o partido democrata prepara mais um pedido de impeachment contra Donald Trump. No Brasil, mais confusão com relação à campanha de vacinação brasileira marcou o noticiário, com destaque para um erro do Instituto Butantan na divulgação do nível de eficácia da sua vacina, o Coronavac. Nesta mesma fronte, o presidente Jair Bolsonaro voltou a se estranhar com o governador de São Paulo, João Dória, gerando ainda mais ruídos sobre o que será a campanha de vacinação aqui no Brasil. Sendo assim, continuamos com o mesmo prognóstico dos últimos dias: viés neutro/positivo para ativos de risco locais que, apesar de uma série de notícias negativas, deverá seguir se beneficiando do apetite pelo risco nos mercados e pela alta contínua das commodities.

 


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: 124.267 (+0,82%)
BR$/US$: 5,32 (-3,34%)
DI Jan/27: 7,11% (-14 bps)
S&P 500: 3.801 (+0,04%)

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Jornais:

VALOR
– Petrobras rebate acusação sobre ‘preços predatórios’
– Eficácia da Coronavac é de 50,38%
– Banco exclui as empresas de Trump
– Ford deixa espaço para concorrentes

O GLOBO
– Cientistas defendem uso imediato da CoronaVac
– Governo busca empresas interessadas nas fábricas da Ford
– Saúde levou três meses para negociar seringas
– MDB vai com Simone Tebet à disputa no Senado

FOLHA DE S.PAULO
– Coronavac previne 50,38% de todos os casos, diz gestão Doria
– Saúde pressiona Manaus pelo uso de cloroquina
– Incentivos a montadoras somam desde 2000 R$ 69 bi
– Vice de Trump, Pence se recusa a afastar presidente

O ESTADO DE S.PAULO
– Coronavac tem 50,4% de eficácia e Anvisa dará resposta domingo
– Governo terá menor verba para investir em 15 anos
– Macron liga soja do País a desmate na Amazônia
– Forças Armadas rejeitam status de general na PM

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