Mercados Hoje | Ford fecha as portas no Brasil

Tempo de leitura: 9 minutos

Introdução:

Internacional

• Bolsas globais amanheceram mistas, sem grandes oscilações na Europa e nos EUA;
• Expectativa com vacina e retomada econômica segue sustentando mercados em manhã de poucas novidades no radar dos investidores;
• Democratas seguem em busca da retirada de Donald Trump do poder em ação sem precedentes na história americana.

Brasil

• Ford encerra operações no Brasil, pontuando falha da política industrial brasileira;
• Lira sinaliza apoio à PEC emergencial caso venha a chefiar a Mesa Direto da Câmara dos Deputados;
• Questões fiscais devem continuar norteando decisões de investimento, com impacto considerável sobre a recuperação econômica;
• Partido dos Trabalhadores comunica apoio à Pacheco para presidente do Senado;
• Em meio à deterioração econômica, confiança do consumidor brasileiro segue em baixa;
• IPCA de dezembro protagoniza agenda econômica do dia.


CENÁRIO EXTERNO: ESTABILIDADE

Mercados… Mercados asiáticos encerraram a sessão em tom positivo, com destaque para o CSI 300 em Xangai, que após registrar uma nova alta (+2,85) atingiu a maior cotação dos últimos 13 anos. Na zona do euro, índices amanheceram sem direções claras, com o Stoxx 600, índice que abrange uma gama de ativos de risco da região, registrando alta de 0,1% até o momento. Em NY, índices futuros operam com leve viés positivo (Fut. S&P 500: +0,2%), enquanto o dólar (DXY) segue se fortalecendo contra os seus principais pares (+0,1%). Na fronte das commodities, ativos têm sessão de forte recuperação. Como destaque, o preço do petróleo (Brent crude) registra alta de 1,6%, negociado em torno dos US$ 56,52/barril.

Estabilidade… Ativos de risco ensaiam uma sessão de estabilidade, em manhã com poucas novidades no radar de investidores. A expectativa de continuidade do processo de retomada econômica nas economias centrais, impulsionada por estímulos econômicos e pelo avanço das campanhas de vacinação, segue sustentando índices acionários ao redor do mundo. Nos EUA, o partido democrata se prepara para dar início a mais um processo de impeachment contra Donald Trump, cujo julgamento poderá ocorrer após o fim do seu mandato de maneira inédita. O movimento não faz preço porque terá valor puramente simbólico – o objetivo dos democratas é registrar a ação na história – e não altera o quadro para os mercados (o maior risco nesta frente é um novo impulso à forte polarização política nos EUA).

Na agenda… Em dia de agenda praticamente zerara, o único destaque será o relatório de emprego Jolts de novembro (12h).


BRASIL: FORD FECHA AS PORTAS NO BRASIL

Ford fecha as portas…Em anúncio chocante, porém não surpreendente, a montadora americana Ford optou por encerrar suas operações em solo brasileiro. Em nota ao público, disse que passaria a concentrar suas operações na Argentina e no Uruguai. A saída da gigante produtora de carros é indicativo, ao menos parcialmente, da enorme falha que foi a política industrial brasileira, altamente focada na implementação de incentivos fiscais para aumentar a atratividade da produção local. Não funcionou. Movimentos como este apontam a enorme urgência de reformular o ambiente competitivo da economia brasileira, principalmente no que se refere à burocracia, complexidade e insegurança jurídica encontrada dentro de nosso sistema tributário.

Lira sinaliza apoio à PEC emergencial…O candidato governista à Mesa Diretora da Câmara, Artur Lira (PP-AL), sinalizou que a prioridade número um do governo é a aprovação da PEC emergencial e, logo em seguida, a reforma administrativa. Os comentários do candidato ocorrem em meio ao renovado debate em torno do auxílio emergencial, que foi extinto no dia 31 de dezembro devido ao fim do decreto de estado de calamidade pública. A prioridade exposta pelo candidato é bem-vinda, pois equaciona o duplo problema de garantir a estabilidade fiscal e a ampliação da rende de proteção social do país. Com a aprovação da PEC Emergencial, o acionamento de gatilhos que cortam despesas principalmente relacionadas à gestão da máquina pública abriria espaço fiscal para auxiliar os mais vulneráveis sem colocar pressão adicional sobre o endividamento público.

Mesmos problemas de sempre…Sem grandes novidades, as questões relacionadas à dinâmica das contas públicas continuarão norteando as decisões de investimento ao longo de 2021. As conversas em torno do auxílio fazem parte de uma constelação de narrativas relacionadas à necessidade de reorganizar o modo e estrutura do gasto público brasileiro. A PEC Emergencial é proeminente e, caso Lira confirme sua promessa, sua aprovação promoveria forte alívio à taxa de câmbio e aos juros futuros, auxiliando a retomada da economia por via de uma menor pressão de custos relacionados à importação de insumos e ao custo de capital para investimentos em máquinas e equipamentos.

Eleição para presidência do Senado… Os senadores pertencentes ao Partido dos Trabalhadores (PT) divulgaram ontem apoio direto a Rodrigo Pacheco (DEM-MG), candidato de Alcolumbre e Bolsonaro à presidência da Casa Alta. Com o apoio do maior partido da oposição, Pacheco já garante cerca de 27 votos. Para se eleger, deve necessariamente obter 41 votos. A aliança ocorreu principalmente em função de dois pontos centrais: (i) respeito pela independência do Poder Legislativo e (ii) a implementação de uma agenda que respeite o Estado democrático do Direito. Aventa-se que, por mais que Bolsonaro esteja fechado com Pacheco, este não necessariamente tem um compromisso concreto com o presidente da República, ainda que tenha publicamente falado que ajudará o governo a avançar com as pautas econômicas.

Confiança das famílias em baixa… Após decair pelo terceiro mês consecutivo, o Índice de Confiança do Consumidor da FGV (ICC) caiu para 78,5 pontos em dezembro do ano passado. O agressivo e contínuo ressurgimento da pandemia; as incertezas quanto ao início e velocidade da campanha de vacinação; e a elevada taxa de desemprego tem pesado sobre o sentimento das famílias. O fim do auxílio emergencial, sem perspectivas de renovação, assim como a forte aceleração da inflação de alimentos em meio a um momento de estagnação da renda continua criando vetores de pressão relevantes. Esta perda de confiança preocupa, pois sinaliza perda de tração no dispêndio das famílias que, ao se defrontar com elevado nível de incerteza econômica, tenderão a aumentar a propensão a poupar.

Na agenda…O foco da agenda econômica do dia será a inflação, com as divulgações da 1ª prévia do IGP-M de janeiro às 8h e do IPCA de dezembro às 9h. Como principal destaque, o IPCA deverá trazer uma nova alta de 1,27%, resultado que fará com que o índice encerre o ano com uma inflação acumulada de 4,43%, acima do centro da meta de 4,0% estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional para 2020. Como principais destaques da leitura, esperamos uma nova alta dos preços dos alimentos acompanhada de um salto nos preços das categorias de habitação (destaque para a alta das tarifas de eletricidade após a mudança de bandeira da Aneel), transportes (destaque para o crescimento dos preços das passagens aéreas) e educação (movimento resultante da retirada parcial dos descontos das mensalidades escolares).

E os mercados hoje?…Mercados globais operam próximos à estabilidade na manhã desta 3ªfeira, com poucas novidades no radar de investidores. Como destaque no noticiário, as atenções seguem voltadas para os EUA, onde o partido democrata prepara mais um pedido de impeachment contra Donald Trump. No Brasil, a notícia da saída da Ford do país ajudou a pesar sobre o sentimento na sessão de ontem e reforça a necessidade de retomada da agenda econômica na volta do recesso parlamentar. No pano de fundo, as eleições no Legislativo continuam dando o que falar. Sendo assim, esperamos um dia de viés neutro/positivo para ativos de risco locais que, apesar de uma série de notícias negativas, deverá seguir se beneficiando do apetite pelo risco nos mercados e pela alta contínua das commodities.

 


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: 123.283 (-1,43%)
BR$/US$: 5,50 (+1,56%)
DI Jan/27: 7,21% (+18 bps)
S&P 500: 3.799 (-0,66%)

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Jornais:

VALOR
– Ford fecha no Brasil e Bahia já busca montadora chinesa
– Justiça libera usufruto de pagar ITCMD
– Novos projetos tornam leilão da Fiol mais competitivo
– Usinas travam preço do açúcar na exportação

O GLOBO
– Ford sai do país culpando mau ambiente econômico
– Redução do controle sobre as PMs gera reações
– Inep contraria recomendações e mantém Enem
– Pazuello fala em usar 1ª dose para conter pandemia

FOLHA DE S.PAULO
– Ford fechará suas fábricas no Brasil
– Democratas iniciam 2º impeachment contra Trump
– Acordo proíbe divulgar dados completos da Coronavac
– Vacinação começa no dia D e na hora H, diz Pazuello

O ESTADO DE S.PAULO
– Após um século, Ford encerra produção de veículos no País
– BB quer fechar 132 agências e cortar 5 mil funcionários
– Pazuello fala em mais tempo entre doses de vacina
– Câmara pede impeachment de Trump

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