Guide Mercados Hoje: Novo salto dos preços de energia traz de volta o termo “estagflação” à boca do investidor

Tempo de leitura: 11 minutos

No Mercados Hoje falamos sobre a abertura do mercado e listamos os principais acontecimentos do noticiário e da agenda econômica no dia.

Confira o relatório de 11 de outubro de 2021!

Mercados Globais:

Ativos de risco estão iniciando a semana em tom predominantemente negativo, com baixas das bolsas europeias e dos índices futuros de NY após uma sessão de ganhos liderada por Hong Kong nos mercados asiáticos. Por lá, a aplicação de uma multa inferior ao que o mercado esperava à Meituan – empresa líder no país em delivery de alimentos – por violações de regulação antitruste aliviou as preocupações em torno das investidas de Pequim em direção à regulamentação mais rigorosa do setor, impulsionando os papeis da techs do país.

Não obstante, o receio dos investidores parece crescer quando se pronuncia a palavra “estagflação”, após um fim de semana de novas altas dos preços de commodities energéticas elevar o risco de uma inflação mais permanente na medida em que projeções de crescimento são revisadas sistematicamente para baixo. Enquanto o petróleo manteve a tendência de alta, com o brent próximo dos US$ 84,00/barril, os preços de gás natural e carvão também operam nas máximas frente ao forte descasamento entre oferta e demanda na Europa e na China. Ainda nesta fronte, e como destaque no noticiário chinês, enchentes na principal região produtora de carvão do país promoveram mais uma sessão de forte alta dos preços da commodity, afastando qualquer possibilidade de um alívio nesta fronte no curto prazo (Vale ressaltar: a China está apresentado o maior nível de demanda por energia térmica desde a virada do século).

Neste ambiente de maior cautela, além do movimento de queda das bolsas no ocidente, também verificamos uma nova abertura dos juros futuros nas economias desenvolvidas (não haverá negociação de títulos federais nos EUA, com Treasuries fechadas para o Columbus Day) e um movimento de dólar forte ao redor do globo.
Olhando para os próximos dias, outro fator que deve atuar como catalizador para os mercados na semana será o início da temporada de balanços corporativos, que traz os resultados de grandes bancos americanos a partir desta 4ªfeira. Dado o cenário macro mais conturbado, decepções na fronte micro poderão adicionar receio em promover novos espasmos de volatilidade. Vamos acompanhar…


Nikkei 225: CSI 300: Stoxx 600: S&P Futuro: DXY: Juro T10: Petróleo:
+1,60%
28.498
+0,13%
4.936
-0,48%
455,46
-0,37%
4.376

+0,13%
94,20

1,61% a.a.
N/A (feriado)
+2,60%
US$ 84,55/barril

AGENDA INTERNACIONAL
019h00 – EUA – Discurso de C. Evans – Fed (Chicago)


HEADLINES

VALOR ‘Governo vai à CoP fazer maquiagem verde, sem ter feito lição de casa’. O Brasil vai à conferência sobre mudança climática em Glasgow, em novembro, com um grande estande para “fazer propaganda”, talvez um regulamento aprovado sobre a criação de um mercado de carbono, “mas sem fazer a sua lição de casa”, adverte o deputado Rodrigo Agostinho (PSB-SP), coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista do Congresso. “O mercado de carbono pode ajudar no combate ao desmatamento. Mas quem vai colocar dinheiro em um país que surge com discurso negacionista?”, questiona. “O mercado de créditos de carbono brasileiro é importante, mas não é sobre isso que o Brasil será cobrado”, continua o advogado, com experiência em negociação internacional e CoPs. 

VALOR Ministérios têm mais de R$ 27 bilhões de recursos ‘empoçados’. O volume de recursos liberados para os ministérios neste ano até agosto, mas não gastos, ficou em R$ 27,3 bilhões, segundo dados do Tesouro Nacional. O chamado “empoçamento” é um fenômeno recorrente, que ocorre com mais ou menos intensidade, e que reflete uma combinação de fatores, desde problemas de competência gerencial, trâmites burocráticos até as amarras legais, por causa, por exemplo, das vinculações de algumas receitas. Em igual período do ano passado, a diferença entre o autorizado e o efetivamente pago pelas diversas áreas do Executivo federal foi de R$ 33,2 bilhões. Mas é preciso recordar que 2020 foi marcado pelo início da pandemia de covid-19, que chegou a paralisar algumas atividades do governo.

ESTADÃO Desigualdade cresce mais no Brasil do que no restante do mundo na pandemia. A pandemia ampliou a desigualdade mais no Brasil do que nos demais países do mundo. Esse é o resultado de uma pesquisa feita pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV Social), com dados internacionais do Gallup World Poll, que mostra a percepção da população em relação às políticas públicas de saúde, educação e meio ambiente. O desempenho brasileiro nas três esferas foi pior do que o de outros 40 países. Os dados, colhidos antes e depois da pandemia, destacam ainda que a deterioração social brasileira foi mais forte entre a população de renda mais baixa. “A pandemia é um choque global que afeta o dia a dia do mundo inteiro. Mas, no Brasil, a administração e o gerenciamento das áreas de saúde, educação e meio ambiente foram piores. Por isso, tivemos um resultado abaixo da média”, diz Marcelo Neri, diretor do FGV Social.

ESTADÃO TIM, Claro e Vivo pedem impugnação do edital do 5G. As operadoras TIM, Claro e Vivo enviaram para a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) pedidos de impugnação do edital do 5G. A medida, porém, não compromete o andamento do leilão. As petições são meramente burocráticas e tratam de impugnações de itens que as teles consideram erros materiais na redação do edital. Portanto, sem maiores consequências para o andamento do certame. A entrega dos lances pelas proponentes está marcada para 27 de outubro, e a sessão de abertura, análise e julgamento de propostas de preço em 4 de novembro. O prazo para pedidos de esclarecimento ou ajustes no edital terminou na quinta-feira, 7. As respostas da agência reguladora serão apresentadas até 17 de outubro – o equivalente a dez dias de antecedência para entrega dos envelopes.

FOLHAConstrução civil vê dificuldade para contratar mão de obra. A CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) diz que tem sentido gargalos na contratação de mão de obra. Levantamento feito pela entidade mostra que 77% das empresas estão com dificuldade no recrutamento. A indústria reclama que estão faltando profissionais e qualificação. Diz também que o valor de remuneração pedido está alto. Segundo a pesquisa, mais de 65% das empresas dizem que está muito difícil contratar mestre de obras, que faz a gestão da construção. Na sequência, aparecem carpinteiro, com 55% das menções, e pedreiro, com 46%.

FOLHABolsonaro chega à disputa de 2022 com a maior carga eleitoral negativa desde a redemocratização. A análise das pesquisas de intenção de voto realizadas pelo Datafolha nas oito eleições presidenciais ocorridas desde a redemocratização mostra que Jair Bolsonaro (sem partido) entra na disputa de 2022 com a maior carga eleitoral negativa da história. O total do eleitorado que declara hoje que não votaria de jeito nenhum a favor da sua reeleição é de 59%, 21 pontos percentuais a mais do que seu principal adversário até agora na disputa, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) —com 38%. A atual rejeição a Bolsonaro é, disparada, a maior medida pelo Datafolha na comparação com a dos presidentes que foram eleitos nas oito disputas anteriores, incluindo ele próprio em 2018.

GLOBO CPI da Covid já tem atalho para denunciar Bolsonaro no STF sem depender de Augusto Aras. A cúpula da CPI da Covid já tem uma estratégia para fazer com que suas denúncias contra Jair Bolsonaro cheguem ao Supremo Tribunal Federal caso o procurador-geral da República, Augusto Aras, se recuse a fazê-lo. Desde que assumiu o cargo, Aras vem se resistindo a dar seguimento a ações contra o presidente, como a que tentou vedar a campanha “O Brasil não pode parar”, que ia contra o isolamento social, no início da pandemia, ou a que propõe a responsabilização criminal de Bolsonaro por não usar máscara. Por lei, Aras tem 30 dias para dar um encaminhamento ao relatório final da CPI, que será entregue a ele no dia 21. Se o PGR arquivar o relatório ou não enviar as denúncias ao STF, entidades de direito privado entrarão com ações diretamente no STF.

GLOBO Com inflação em 10%, custo anual da dívida pública já aumentou em R$ 280 bi. Das contas públicas ao investimento, do crescimento às aplicações, a inflação que ultrapassou 10% ao ano, algo que não se via desde 2016, vai minando a confiança, encolhendo os desejos de consumo e afetando as decisões das empresas. Desestrutura a economia, com efeitos que vão muito além do bolso, a começar pelas finanças públicas. Num primeiro momento, a alta da inflação ajuda o governo a controlar o déficit público. Como produtos e serviços ficam mais caros, o imposto embutido no preço aumenta, elevando a arrecadação. Mas o Brasil gasta mais do que arrecada, e a dívida cresce junto com a inflação. Nos cálculos do economista Fabio Klein, da Tendências Consultoria, o custo anual do serviço da dívida pública — o que se paga de juros para administrar a dívida — aumentou cerca de R$ 280 bilhões neste ano, com o avanço da inflação e a alta de juros.


AGENDA BRASIL
05h00 – IPC (1ª quadrissemana de outubro): +1,09% (ant.: +1,16%) – Fipe
08h30 – Relatório Focus (08/out) – BCB
15h00 – Balança comercial semanal (08/out) – Secint

E OS MERCADOS HOJE?
Mercados globais estão iniciando o dia sem direções claras, com investidores à espera de dados chave de emprego qMercados globais estão iniciando a semana em tom predominantemente negativo, após mais um fim de semana de alta dos preços de energia a nível global elevar o receio de investidores com uma maior longevidade da inflação. No pano de fundo, o mercado também se prepara para o início da temporada de balanços corporativos nos EUA. Por aqui, o impasse em torno do financiamento do Auxílio Brasil se estende e já faz com que o governo cogite o retorno da cláusula da calamidade, o que abriria portas para a extensão do auxílio emergencial até além da virada do ano. Enquanto isso, rumores de que o governo estaria atrás de um substituto para Paulo Guedes também contribui com a apreensão na volta do fim de semana. Na agenda, o desempenho do setor de serviços e o IBC-Br fecham a série de dados de atividade para o mês de agosto à partir desta 5ªfeira – até agora marcado por decepções com relação às projeções do mercado. Desta forma, esperamos uma abertura de viés negativo para ativos locais, que deverão acompanhar o desempenho fraco das bolsas desenvolvidas na falta de avanços positivos em âmbito local.


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: 112.833,20 (+2,03%)
BRL/USD: 5,52 (-0,02%)

DI Jan/27: 10,47% (-15 bps)
S&P 500: 4.391,42 (-0,19%)

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


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