Mercados Hoje | Eleições do legislativo rendem novos ruídos

Tempo de leitura: 10 minutos

Introdução:

Internacional

• Bolsas globais iniciaram a semana com viés de baixa;
• Movimento de realização de lucros generalizado entre ativos evidencia uma maior cautela dos investidores após bolsas registrarem mais uma sequência de ganhos na semana passada;
• Democratas seguem em busca da retirada de Donald Trump do poder com apenas 10 dias para o final do seu mandato;
• O Fed divulga o seu Livro Bege nesta 4ªfeira.

Brasil

• Baleia Rossi, candidato à presidência da Câmara, reascendeu, no final da semana passada, debate em torno do auxílio emergencial;
• Comentários de Rossi fazem sentido à luz da dinâmica que caracteriza a política por trás das eleições à presidência da Câmara;
• Extensão do auxílio é demanda legítima, mas deve ser acompanhada do avanço das reformas;
• Em nota, Ministério da Saúde anuncia distribuição simultânea de Coronavac para estados brasileiros;
• Agenda da semana traz o IPCA de dezembro e as pesquisas setoriais do setor de serviços e do varejo em novembro.


CENÁRIO EXTERNO: ACOMODAÇÃO

Mercados… Mercados asiáticos iniciaram a semana com desempenhos predominantemente negativos, em dia que a bolsa de Tóquio não abriu para negociações. Na zona do euro, índices também amanheceram com viés baixista: o Stoxx 600, índice que abrange uma gama de ativos de risco da região, recua cerca de 0,3% até o momento. Em NY não está sendo diferente, com índices futuros operando com perdas da ordem de 0,5%, enquanto o dólar (DXY) segue ganhando terreno contra os seus principais pares (+0,4%). Na fronte das commodities, ativos também têm manhã menos favorável. Como destaque, o preço do petróleo (Brent crude) registra baixa de 1,3%, negociado em torno dos US$ 55,30/barril.

Acomodação… Mercados globais iniciam semana em tom baixista, com movimentos de realização derrubando índices acionários e commodities além de prover mais força para o dólar e o fechamento dos juros em países desenvolvidos. É natural que alguma acomodação aconteça depois dos movimentos acentuados que vem sendo verificados desde o fim de 2020: bolsas buscando novas máximas, juros voltando a abrir em países desenvolvidos e o dólar em queda livre contra os seus principais pares. Neste contexto, o alto nível de preços nas bolsas leva o investidor a adotar uma maior cautela enquanto o patamar deprimido do dólar e a alta dos juros nos EUA trazem de volta alguma atratividade à moeda americana.

Sobre a pandemia…A guerra constante entre governos e o coronavírus se mantém viva e adiciona um grau de preocupação ao investidor adentrando 2021. Na Alemanha, onde as autoridades já estenderam medidas restritivas até o fim de janeiro, o Ministro da Saúde voltou a alertar a população e pedir a redução dos níveis de interação social no país na medida em que o número de mortes relacionada à doença supera 40 mil. Paralelamente, o governo japonês reportou casos de uma mutação do coronavírus similar à que está afligindo o Reino Unido e a África do Sul, adicionando um ponto de interrogação ao tema. Até o momento, não existem indícios de que a variante do vírus reduz a eficácia das vacinas.

Confusão sem fim… Em meio às ameaças de grupos extremistas pró-Trump ao Capitólio dos EUA, a maioria democrata na Câmara dos Representantes, liderados por Nancy Pelosi, querem formalizar hoje um pedido de impeachment contra o presidente – com apenas 10 dias para o fim de seu mandato. Ainda não está claro se tal movimento teria apoio dos Republicanos na Casa Alta, embora muitos parlamentares já estejam pedindo a sua renúncia e até o seu afastamento forçado pela 25ª emenda. Vamos acompanhar…

Na agenda… Após um dia de agenda praticamente esvaziada na 2ª e na 3ªfeira, o investidor aguarda a divulgação da produção industrial de novembro na zona do euro, o índice de preços ao consumidor americano (CPI, na sigla em inglês) de dezembro e o Livro Bege do Banco Central americano – texto que traz a visão dos diretores do Fed com relação à situação corrente da economia americana – na 4ªfeira. Na 5ªfeira, como de costume, saem os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA. Por fim, na 6ªfeira, o investidor avalia o resultado da balança comercial europeia em novembro junto das vendas no varejo e a produção industrial em dezembro nos EUA.


BRASIL: ELEIÇÕES DO LEGISLATIVO RENDEM NOVOS RUÍDOS

Fim do auxílio emergencial…O candidato de Rodrigo Maia à presidência na Câmara dos Deputados, Baleia Rossi, causou tumulto no câmbio no fim da semana passada após defender a convocação do Congresso para levar a frente a aprovação de medidas adicionais de combate à covid-19. Naturalmente, o deputado referia-se à extensão do auxílio emergencial – marco da política fiscal brasileira no combate aos efeitos recessivos causados pela pandemia. O fim do auxílio somado ao estado deteriorado do mercado de trabalho configura um cenário extremamente desafiador para a economia brasileira, pois ameaça reverter anos de ganhos no âmbito da desigualdade econômica.

O auxílio e o governo…Ainda, vale relembrar que as incertezas em torno do auxílio emergencial poderiam ter sido parcialmente evitadas caso o Governo tivesse proposto algo em seu lugar. A inaptidão em equacionar a responsabilidade fiscal com o apoio estatal aos mais vulneráveis, por meio da racionalização de outros gastos sociais, por exemplo, volta a cobrar seu preço. É novamente indicativo da incapacidade do Executivo em tomar decisões certas, mas politicamente custosas.

Pressão pela extensão…Os comentários proferidos pelo candidato à presidência da Câmara não devem ser entendidos como uma guinada em direção à irresponsabilidade fiscal. Ciente de que a pressão pela extensão do auxílio emergencial advém principalmente da oposição, faz sentido a adoção deste tipo de discurso. Afinal, Rossi e Maia firmaram acordo com os partidos de oposição para fazer frente ao candidato do Governo, Artur Lira. Ainda que a extensão do auxílio não seja à primeira vista compatível com o ajuste fiscal, representa, na verdade, uma demanda legítima, tendo em vista a continuidade da crise sanitária e seus efeitos desproporcionalmente maiores sobre a renda do trabalho desqualificado.

O auxílio emergencial e as reformas…A extensão do auxílio emergencial não é, por si só, uma questão isolada. Deve ser entendida em paralelo às reformas estruturais. Caso a extensão do benefício governamental seja acompanhada de um avanço relevante de uma das pautas de ajuste, como a reforma administrativa ou a PEC emergencial, por exemplo, não causaria tumulto no câmbio ou no mercado de juros futuros, pois demonstraria o comprometimento da classe política com o ajuste das finanças públicas. Caso contrário, tenderia a manter estes ativos pressionados. Entendemos o primeiro cenário como mais provável, tendo em vista o próprio discurso e comportamento do padrinho político de Rossi. Isto é, acreditamos que, assim como seu mentor, Rossi tratará de equacionar ambas as demandas caso venha a efetivamente angariar o comando da Mesa Diretora da Câmara.

Campanha de vacinação…Após reunião com o Instituto Butantan na última sexta-feira, o Ministério da Saúde anunciou que 100 milhões de doses da Coronavac serão distribuídas simultaneamente para todos os estados. A notícia é certamente positiva, tendo em vista o atraso do Brasil vis-à-vis o mundo em iniciar a campanha de vacinação. É importante entender que, por mais que o auxílio emergencial seja um mecanismo legítimo de combate à covid-19, é apenas paliativo. Um alívio definitivo só pode ser proporcionado pela distribuição e aplicação da vacina em massa. Caso contrário, a formação da segunda onda de infecções tenderá a manter o mercado de trabalho e o setor de serviços sobre considerável pressão.

Na agenda…Após o Boletim Focus e os dados da balança comercial semanal abrirem a agenda da semana nesta 2ªfeira, o investidor espera as divulgações do IPCA (3ªfeira) de dezembro, o volume do setor de serviços de novembro na 4ªfeira e as vendas no varejo para o mesmo mês na 6ªfeira.

E os mercados hoje?…Mercados globais iniciaram a semana em tom baixista, com ativos de risco repercutindo um movimento generalizado de realização de lucros após o bom desempenho angariado nas últimas semanas. No Brasil, a atenção segue voltada para as eleições do Legislativo, com destaque para a disputa pela presidência da Câmara dos Deputados, de onde tem saído sinais mistos e preocupantes para o mercado. Desta maneira, dado o fraco desempenho das bolsas e das commodities no mercado internacional e a falta de drivers positivo por aqui, esperamos que ativos de risco locais iniciem a semana em baixa.

 


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: 124.942 (+2,09%)
BR$/US$: 5,42 (+0,35%)
DI Jan/27: 7,01% (+5 bps)
S&P 500: 3.824 (+0,55%)

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Jornais:

VALOR
– Receita ignora portarias e aplica multas na pandemia
– Democratas temem mais violência
– União pode ser acionada no STF por vacinação
– Bolsonaro segue a pista de Trump, afirma Tasso

O GLOBO
– Estados vão leiloar este ano de aeroportos a abatedouro
– Apple e Amazon banem rede social de apoio a Trump
– Orçamento cai nas principais capitais do país
– Enem terá regras de segurança para a Covid-19

FOLHA DE S.PAULO
– Acesso a jornalismo profissional reduz efeito de fake news
– Taxação de fortunas é alvo de crítica da Receita
– Após Capitólio, relação entre Bolsonaro e Biden se complica
– Maia sobe tom e deve deixar para sucessor decisão de impeachment

O ESTADO DE S.PAULO
– Projetos limitam poder de governadores sobre polícias civil e militar
– Fim de auxílio pode jogar 3,4 mi na extrema pobreza
– Câmara quer julgar Trump nesta semana
– Abstenções na Fuvest crescem na pandemia

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