Mercados hoje | Eleição americana rege o sentimento

Tempo de leitura: 9 minutos

Introdução:

Internacional

•Ativos de risco iniciam a sessão com viés claramente mais positivo;
• Expectativa com vitória de Biden e possibilidade de “onda democrata” nas eleições ilustra otimismo no mercado;
• Avaliação dos resultados das urnas devem se estender ao longo da semana regendo o sentimento dos mercados;
• Nos EUA, investidor também avalia decisão de política monetária do Federal Reserve e relatório de emprego de outubro nos próximos dias.

 

Brasil

• Grupo de governadores deve se reunir com Alcolumbre, Maia e Guedes para discutir liberação da vacina chinesa;
• Senado deve votar independência do BC, marco do gás natural e nova lei das falências;
• Embate em torno da presidência da CMO deve impedir avanços no plenário da Câmara;
• Governo deve buscar mais um atraso na sessão de análise de vetos da quarta-feira;
• Ata do Copom abre agenda da semana.


CENÁRIO EXTERNO: ELEIÇÃO AMERICANA REGE O SENTIMENTO

Mercados… Mercados asiáticos encerraram a sessão em tom positivo, com bolsas de Tóquio (+1,4%), Hong Kong (+2,0%) e Xangai (+1,4%) registrando altas relevantes. Na zona do euro, bolsas amanheceram na mesma direção, com o Stoxx 600, índice que abrange uma gama de ativos de risco da região, avançando 1,5% até o momento. Em NY, índices futuros também ensaiam abertura positiva para bolsas americanas, com variações positivas da ordem de 1,4%, enquanto o dólar (DXY) registra queda relevante contra os seus principais pares. Na fronte das commodities, ativos ilustram a mesma melhora verificada nos mercados acionários. O preço do petróleo (Brent crude) avança 2,2%, negociado próximo dos US$ 39,80/barril.

Eleição americana rege o sentimento… Mercados globais iniciaram a semana em tom positivo, recuperando uma parcela das perdas acumuladas na semana passada enquanto investidores antecipam uma vitória democrata na corrida eleitoral. As pesquisas eleitorais têm indicado uma clara vantagem de Joe Biden até o momento, mas com importantes “swing states” (estados pêndulos) no páreo, ainda não é possível definir um resultado concreto. De qualquer maneira, um mercado aparentemente mais otimista segue avaliando como boas as chances de uma “onda azul”, onde os democratas levam, além da presidência, a maioria nas Casas do Legislativo – fato que auxiliaria na transição mais rápida do poder e, como consequência, a aprovação mais rápida de novos estímulos econômicos na maior economia do mundo.

Na agenda… Além da eleição, que se encerra às 21h, o investidor recebe as encomendas à indústria em setembro nos EUA, às 12h. O restante da semana também promete, com as atenções do mercado divididas entre a avaliação dos resultados eleitorais – que tem início na madrugada desta 4ªfeira e provavelmente não trará um resultado concreto até a 6ªfeira –, a decisão de política monetária do Federal Reserve (5ªfeira) e a divulgação do relatório de emprego de outubro nos EUA (6ªfeira).


BRASIL: GOVERNADORES VÃO A BRASÍLIA EM DEFESA DA VACINA CHINESA

Governadores vão a Brasília para discutir vacinas… A falta de sintonia nas falas do governo em relação a compra de vacinas se tornou uma fonte de preocupação para vários governadores. Em vista disso, muitos dos mandantes dos Executivos estaduais pousarão hoje em Brasília para discutir o plano de vacinas do governo federal. Os governadores devem se reunir tanto com os presidentes do Legislativo, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM-AP), quanto com o ministro Paulo Guedes (Economia). A reunião deve trazer mais clareza em relação a compra da vacina chinesa desenvolvida em parceria com o Instituto Butantan.

“É claro que vai”… Na semana passada, o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, afirmou à revista Veja que governo comprará as 46 milhões de doses da vacina chinesa, isso após o seu companheiro de chapa, Jair Bolsonaro, ter desautorizado a inclusão do imunizante divulgada pelo ministro Pazuello (Saúde).

Senado pode votar independência do BC… O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), pretende pautar vários projetos relevantes durante o decorrer da semana. Entre estes projetos, se encontram dois que já passaram pelo crivo dos deputados: O PL 4458/20, que visa modernizar as normas que versam sobre declarações de falência; e o PL 4476/20, que trata do novo marco regulatório para o setor do gás natural. O PL 3877/20, que regulamenta os depósitos voluntários das instituições financeiras no BC; e o PL 19/19, que visa estabelecer a independência do BC, também podem ser inclusos na pauta, mas estes terão de ser aprovados pelos deputados antes que sigam para sanção presidencial.

Impasse na Câmara deve perdurar… Na Câmara dos Deputados, o impasse que impede a análise de matérias há um mês deve manter a pauta travada. Na semana passada, o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), culpou um boco de parlamentastes liderado pelo deputado Artur Lira (PP-AL) pela inatividade no plenário. Segundo o demista, o grupo obstruí as votações em tentativa de forçar o DEM e o MDB a abrirem mão da presidência da Comissão Mista do Orçamento (CMO). Na quinta-feira passada, Lira se referiu à reclamação de Maia como uma “narrativa do jornalismo político numa época de falta de notícias”, além de prometer que os parlamentares do Centrão estarão presentes e prontos para trabalhar em todas as sessões deliberativas realizadas entre 16/11 e 20/12, data que coincide com o final do 1º turno das eleições municipais.

Sessão de análise de vetos na quarta-feira… Senadores e deputados pretendem se reunir na quarta-feira para avaliar uma série de vetos proferidos pelo presidente. O governo tem, durante os últimos quatro meses, protelado a análise de vetos para evitar a derrubada de uma canetada do presidente que susta a desoneração de encargos trabalhistas para 17 setores da economia no último dia de 2020. A queda deste veto forçaria o governo federal a abrir mão de R$ 10 bi em arrecadação em 2021. Como já ressaltamos anteriormente, a probabilidade que o veto caia é alto. O consenso entre os senadores e deputados é que a desoneração precisa ser mantida para evitar uma nova leva de demissões nestes setores na virada do ano. O governo deve, mais uma vez, articular para que a sessão seja postergada.

Na agenda… Em semana encurtada pelo Dia dos Finados, a ata do Copom (8h) abre a agenda, seguida pelo boletim Focus (8h25), também divulgado pelo Banco Central. Na frente corporativa, o destaque fica com o balanço Itaú, divulgado após o fechamento. No documento (ata), o Banco Central deve confirmar a postura dovish (mais relaxada com relação à inflação e, portanto, propensa a sustentar medidas acomodatícias) ilustrada no comunicado, reforçando o apego ao forward guidance (prescrições futuras) adotado na reunião de agosto. Como destaques, o mercado ainda aguarda a divulgação da produção industrial de setembro (est.: +2,4% m/m) nesta 4ªfeira e do IPCA de outubro (+0,8% m/m) nesta 6ªfeira.

E os mercados hoje?…

 Ativos de risco iniciaram a semana em tom predominantemente positivo, com investidores de olho na eleição americana, que encerra hoje às 21h. No Brasil, as atenções devem se voltar à votação da independência do BC no Senado, além do possível adiamento de uma nova sessão de revisão de vetos presidenciais prevista para esta 4ªfeira. No pano de fundo, a manutenção do impasse com relação à presidência da CMO ameaça seguir impedindo o avanço de pautas prioritárias na Câmara dos Deputados. Assim, esperamos um dia de viés neutro/positivo para ativos de risco brasileiros, que deverão se beneficiar da abertura positiva no exterior, mas que seguirão pressionados pela falta de iniciativa no que diz respeito ao avanço das pautas fiscalistas.


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: 93.952 (-2,72%)
BR$/US$: 5,74 (-0,68%)
DI Jan/27: 7,55% (+5 bps)
S&P 500: 3.310 (+1,23%)

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Jornais:

VALOR
– Biden é favorito e Trump pode contestar votação
– Maia descarta prorrogação de apoio fiscal
– Exército lança cabos subfluviais na Amazônia
– Despesa com aposentadoria cai nos Estados

O GLOBO
– Sob tensão, EUA decidem hoje entre Trump e Biden
– Siglas destinam mais verba a quem está na frente nas pesquisas
– Líderes discutem votação de veto à desoneração
– Bancos começam testes do Pix com clientes selecionados

FOLHA DE S.PAULO
– Trump ameaça batalha judicial em votação que caminha para recorde
– Em 4 anos, tradições acabam, e EUA encolhem no mundo
– Atentado terrorista em Viena mata ao menos 2
– Vereador que busca ser reeleito é baleado no Rio

O ESTADO DE S.PAULO
– Trump põe eleição sob suspeita: ‘Não vai roubar, diz Biden
– Grupos políticos dominam cinco cidades de SP há décadas
– Só 50% dizem que destruição do ambiente os afeta
– Viena sofre ataques terroristas em série

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