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Guide Mercados Hoje: Brasil aguarda PIB e votação da PEC dos precatórios em meio à manutenção de um ambiente global desfavorável

Tempo de leitura: 13 minutos

No Mercados Hoje falamos sobre a abertura do mercado e listamos os principais acontecimentos do noticiário e da agenda econômica no dia.

Confira o relatório de 02 de Dezembro de 2021!

Mercados Globais:

Ativos de risco estão amanhecendo sem direção única, com bolsas europeias em queda, índices futuros de Nova Iorque no verde, dólar estável e uma leve abertura dos yields das Treasuries americanas. De modo geral, investidores estão sustentando um grau maior de cautela frente aos riscos impostos pela nova variante do coronavírus e as sinalizações de uma aceleração da normalização da política monetária nos Estados Unidos.

Ontem, após esboçar uma robusta recuperação pela manhã, ativos de risco cederam aos receios de investidores com relação a pandemia após o anúncio da descoberta do primeiro caso da Ômicron nos EUA, enquanto novas sinalizações do Fed de maior preocupação com a inflação no seu Livro Bege aceleraram as perdas. Bolsas europeias, que haviam encerrado negociações antes da inversão em NY, parecem estar repercutindo a piora de sentimento na manhã desta quinta-feira. Do lado positivo, nem todas as notícias relacionadas à pandemia têm sido negativas, com diversos agentes do setor de saúde – inclusive a OMS – relatando que é provável que as vacinas de hoje protejam contra casos mais severos da doença.  

Na agenda econômica, investidores avaliarão com atenção os últimos dados semanais de pedidos de auxílio desemprego antes do relatório oficial de emprego do país, que sai amanhã, além de mais uma reunião dos membros da OPEP+ para decidir o nível de produção da commodity nos últimos meses – existe algum receio de possa haver uma pausa nos incrementos de 400 mil barris/dia que vem sendo realizados todo mês após os EUA liberar reservas estratégicas em novembro. 

Por fim, o mercado também deverá acompanhar de perto o impasse orçamentário enfrentado pelo governo americano, onde a falta de consenso entre Democratas e Republicanos pode culminar na paralização parcial do governo americano a partir desta sexta-feira (03).


Nikkei 225: CSI 300: Stoxx 600: S&P Futuro: DXY: Juro T10: N/A (feriado) Petróleo:
-0,65%;
27.753
+0,25%;
4.856
1,21%;
465,14
+0,54%;
4.537

-0,13%;
95,90

1,44% a.a.
+0,7 BPS;
+1,68%;
US$ 70,03/barril


AGENDA INTERNACIONAL
07h00 – Z. do euro – PPI (out): +5,4% m/m (est.: +3,5% m/m) – Eurostat
07h00 – Z. do euro – Taxa de desemprego: 7,3% (est.: 7,3%) – Eurostat
10h30 – EUA – Pedidos de auxílio desemprego (26/nov) – DoL
22h45 – China – PMI serviços (nov) – Caixin

HEADLINES

VALOR PEC dos Precatórios irá a voto hoje sem acordo entre Senado e equipe econômica. O relator da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) dos Precatórios, senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), indicou ontem que deve desidratar ainda mais o texto de seu parecer para conseguir o apoio de partidos críticos ao projeto, como PSDB, Cidadania e Podemos. Com isso, a expectativa é que a PEC seja aprovada no plenário do Senado hoje. Na sequência, deverá ser colocada em votação a Medida Provisória (MP) que cria o Auxílio Brasil, programa que substituirá o Bolsa Família, a qual também já foi aprovada pela Câmara e corre o risco de expirar no dia 7 de dezembro. Segundo Bezerra Coelho, a equipe econômica estaria “próxima de homologar” novas mudanças no seu relatório. A mais importante delas é a que coloca um prazo, até 2026, para revisão ou extinção do “subteto” dos precatórios. “Estamos construindo entendimento para que o subteto possa existir até 2026, e não até 2036”, explicou o relator. A afirmação do senador contraria, no entanto, as avaliações feitas dentro do Ministério da Economia. O Valor apurou que a pasta está contra esse ajuste no subteto. A leitura é que a medida, do jeito que está se encaminhando, vai acabar forçando uma necessidade de se mexer na Constituição para resolver como lidar com eventual estoque de precatórios.

VALOR Em tom eleitoral, Guedes promete novas privatizações. A erradicação da pobreza por meio da venda de ativos públicos será um dos temas tratados durante a campanha eleitoral, disse ontem o ministro da Economia, Paulo Guedes. Ele afirmou também que já propôs ao presidente Jair Bolsonaro que no “novo governo” seja criado o Ministério do Patrimônio. da União, para gestão desses ativos. Guedes defendeu que é preciso avançar nos processos de privatização, citando, inclusive, o risco de perda de apoio de parte do eleitorado, que é favorável a essa agenda. “O Estado tem R$ 4 trilhões, R$ 1 trilhão em imóveis, R$ 1 trilhão em estatais, R$ 2 trilhões em recebíveis. Uma fortuna incalculável e o povo pobre miserável”, disse em evento da pasta sobre governança nas estatais federais. Hoje, a gestão de ativos está sob a responsabilidade do Ministério da Economia. Coordenador do tema na campanha de 2018, Guedes já havia prometido na campanha passada essa mesma ênfase na privatização. Mas não a vinculava a objetivos sociais.

FOLHA Governo retira precatório da educação do teto, e CCJ do Senado aprova novo texto da PEC. O governo sinalizou nesta quarta-feira (1) que a PEC (proposta de emenda à Constituição) dos Precatórios, que viabiliza o Auxílio Brasil de R$ 400 no próximo ano, deve ser novamente desidratada diante de pressão de partidos independentes no Senado. Apesar da indicação de que os pedidos do PSDB, Cidadania e MDB devem ser atendidos, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), adiou a votação da PEC para a sessão do plenário prevista para esta quinta (2). Com as concessões em negociação pelo governo, senadores que são contrários à PEC já admitem nos bastidores que o Palácio do Planalto deverá conseguir aprovar a proposta no Senado. Interlocutores do governo têm conseguido reverter a resistência de senadores ao projeto. As contas feitas por aliados do presidente Jair Bolsonaro mostram que o placar poderá ficar próximo de 52 votos —são necessários 49 votos dos 81 senadores para aprovar uma PEC no plenário. Um dos pontos em negociação é que o limite máximo para pagamento de precatórios vigore por menos tempo (até 2026, por exemplo, em vez de 2036, como já está na versão que passou pela Câmara).

FOLHAPGR arquiva apuração sobre offshores de Guedes e Campos Neto. A PGR (Procuradoria-Geral da República) arquivou a apuração preliminar sobre as offshores (empresas em paraísos fiscais) ligadas ao ministro da Economia, Paulo Guedes, e ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Para a Procuradoria, não há razão para levar adiante uma investigação porque não ficou demonstrada “nem a infração penal nem qualquer indicativo idôneo de sua existência”. Datada desta terça-feira (30), a manifestação foi assinada pelo procurador da República Aldo de Campos Costa, que atua em auxílio ao procurador-geral da República, Augusto Aras. A apuração preliminar da PGR foi instaurada em outubro após a publicação da série Pandora Papers. Reportagens revelaram que o titular da Economia mantinha US$ 9,5 milhões em uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas desde 2014. Campos Neto, por sua vez, foi apontado como proprietário de três offshores, nas Bahamas e nas Ilhas Virgens Britânicas. 

ESTADÃO Banco Central avalia rever o cálculo do rendimento da poupança. O Banco Central estuda mudar a regra de correção da caderneta de poupança, a principal fonte para os financiamentos à casa própria e ainda hoje o investimento mais popular dos brasileiros. A medida não é para agora, exigirá um prazo para consulta pública e uma transição longa e feita em etapas. Mas a fala do presidente do BC, Roberto Campos Neto, revelando os estudos em andamento, durante evento do setor imobiliário, acabou colocando o tema da remuneração da poupança em debate na véspera da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), quando a taxa Selic, hoje em 7,75%, poderá ultrapassar 8,5%. Pela regra em vigor, se os juros passarem desse patamar, a caderneta passaria a render 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (hoje, zerada). Com a Selic abaixo de 8,5%, o rendimento da poupança é de 70% da taxa Selic mais a TR. Esse modelo existe desde 2012 e foi adotado na época para permitir a redução dos juros naquele momento. O BC quer que a poupança tenha uma correção mais próxima daquela que é usada para fazer o financiamento de projetos imobiliários. Hoje, há um descasamento de prazos e de indexadores. A caderneta, que tem uma liquidez de curto prazo (ou seja, o poupador pode a qualquer momento fazer o saque do dinheiro), é também fonte do crédito imobiliário, em geral de longo prazo, entre 20 anos e 30 anos.

ESTADÃOCongresso acelera projetos de interesse dos parlamentares às vésperas de 2022. O Congresso se prepara para acelerar, nas próximas semanas, um pacote de propostas que atendem ao lobby de grupos políticos. É uma espécie de “Black Friday” parlamentar, antes da virada do ano. Medidas defendidas pelo Centrão, como a liberação de jogos de azar e a derrubada do veto do presidente Jair Bolsonaro ao Fundo Eleitoral de R$ 5,7 bilhões, estão previstas para a pauta de dezembro. A pressa dos deputados e senadores tem motivo: eles querem votar tudo agora porque 2022 é ano eleitoral e, além do desgaste que iniciativas como essas podem representar, boa parte dos políticos costuma se ausentar de Brasília para fazer campanha em seus Estados. O Fundo Eleitoral é um dos itens que desperta mais interesse dos parlamentares. Após o financiamento de empresas ser vetado, em 2015, o dinheiro público se tornou a principal fonte para candidatos e partidos bancarem gastos de campanha. Por se tratar de uma medida relacionada ao Orçamento de 2022, os congressistas querem tomar uma decisão antes do fim deste ano.

GLOBOSem acordo, votação da PEC dos Precatórios fica para quinta-feira. Mesmo após uma série de concessões, o governo ainda não conseguiu fechar um acordo para votar no Senado a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios, que abre um espaço orçamentário de R$ 106 bilhões no ano que vem e indica um caminho para um Auxílio Brasil de R$ 400 mensais. Com a indefinição, a votação, antes prevista para esta quarta-feira, ficou para a quinta. O Executivo tem pressa para votar o projeto e garantir o pagamento do benefício que substitui o Bolsa Família ainda em dezembro, antes do Natal. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), disse que a votação será na manhã desta quinta-feira. Além de votar a PEC, o Senado vai votar a medida provisória (MP) que cria o Auxílio Brasil, em substituição ao Bolsa Família. O ponto de maior entrave neste momento é a duração da regra que estabelece um limite para o pagamento dos precatórios (dívidas do governo decorrentes de decisões judiciais). A PEC cria um limite para o pagamento dos precatórios com base na despesa paga em 2016. Naquele ano, foi criado o teto de gastos, a regra que impede o crescimento das despesas da União acima da inflação.

GLOBOTCU marca sessão secreta para julgar gastos milionários do cartão corporativo de Bolsonaro. O plenário do Tribunal de Contas da União vai julgar, em sessão secreta marcada para esta quarta-feira, uma auditoria de mais de 80 páginas que analisou os gastos com cartão corporativo do presidente Jair Bolsonaro e seus familiares. O relator do processo é o ministro Raimundo Carreiro, indicado pelo presidente da República para assumir a embaixada do Brasil em Portugal. A auditoria foi feita pela equipe técnica do TCU e analisou os gastos, ao longo de 2019, de mais de R$ 14,8 milhões de reais de Jair Bolsonaro e seus familiares. Conforme mostrou O GLOBO no último dia 19, Carreiro foi alvo de um pedido de suspeição da relatoria do caso feito pelo deputado Elias Vaz (PSB-GO), integrante da Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados. Elias Vaz é quem assina o pedido de fiscalização dos gastos do presidente.  



AGENDA BRASIL
05h00 – IPC (nov): +0,72% m/m (est.: +0,85% m/m) – Fipe
09h00 – PIB (3T21) – IBGE
Sem hora definida – Vendas de veículos (nov) – Fenabrave

E OS MERCADOS HOJE?
Mercados globais estão amanhecendo sem tendência bem definida, com investidores atrás de mais informações sobre a ameaça da variante Ômicron enquanto acompanham uma nova tentativa de resolução do impasse orçamentário enfrentado pelo governo americano e aguardam uma nova reunião dos líderes da OPEP+. No Brasil, o mercado recebe o resultado do PIB no terceiro trimestre do ano, cujo resultado pode configurar uma recessão técnica caso mostre uma contração da atividade no período. Em Brasília, as atenções seguem voltadas à PEC dos Precatórios, cuja votação no plenário do Senado foi postergada para hoje – a MP do Auxílio Brasil também está prevista para ser votada na Casa Alta nesta quinta-feira. Assim, esperamos uma abertura de viés neutro/positivo para ativos locais, que terão seus desempenhos condicionados ao humor externo e às agendas internacional e local, além dos novos desenvolvimentos envolvendo o trâmite da PEC dos Precatórios no Legislativo.


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: 100.774 (-1,12%)
BRL/USD: 5,67 (+0,61%)
DI Jan/27: 11,44% (+6 bps)
S&P 500: 4.512 (-1,18%)


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