Mercados Hoje | Maia quer aprovar Tributária com ou sem o Governo

Tempo de leitura: 11 minutos

Introdução:

Internacional

• Bolsas globais retomam trajetória altista após realização no fim de novembro;
• Sentimento continua em alta na esteira de dados de atividade fortes na China e de um fluxo positivo de notícias em torno da distribuição de vacinas contra o coronavírus;
• Mike Pence acredita que vacinas da Pfizer e Moderna poderão iniciar sua distribuição na semana do dia 14/12;
• Pfizer já se movimenta para aprovar imunizante na zona do euro;
• Powell discursa em frente ao Senado americano;
• PMIs industriais na China e na zona do euro seguem apontando para uma robusta recuperação do setor;
• PMIs industriais americanos protagonizam agenda de indicadores na maior economia do mundo.

Brasil

• Governo inicia semana decisiva com silencio inquietante;
• Com ou sem apoio do governo, Rodrigo Maia tem certeza que a reforma tributária tem “maioria tranquilo para aprovar”;
• Governador João Doria intensifica restrições do isolamento social no estado de São Paulo;
• Dados do Inpe revelam aumento de 9,5% no desmatamento da Amazônia;
• PMI industrial e balança comercial de novembro são destaques na agenda;
• Decisão inesperada da Aneel desencadeia revisões altistas para a inflação em 2020.


CENÁRIO EXTERNO: COMEÇO POSITIVO PARA O FIM DO ANO

Mercados… Na Ásia, mercados encerram a sessão em alta, com ganhos generalizados entre as bolsas de Tóquio (1,3%), Hong Kong (0,9%) e Xangai (1,8%). Na mesma direção, índices europeus amanheceram com ganhos relevantes: o Stoxx 600, índice que abrange uma gama de ativos de risco da região, avança 0,9% até o momento. Em NY, índices futuros também operam com viés altista, registrando ganhos superiores a 1,0%, enquanto o dólar (DXY) registra nova desvalorização contra os seus principais pares. Na fronte das commodities, ativos ilustram o mesmo bom desempenho verificado nos mercados acionários. O preço do petróleo (Brent crude) opera estável, negociado próximo dos US$ 47,90/barril.

Começo positivo para o fim do ano… Mercados voltaram a operar em tom positivo, com alta das bolsas e baixa do dólar na manhã desta 3ªfeira. Após uma pausa nos ganhos para realização no último dia de um mês que ficará marcado na história pelo bom desempenho dos índices acionários ao redor do mundo, o otimismo voltou a reger decisões de investimento na esteira de um fluxo de notícias promissor com relação à distribuição de uma vacina antes do final do ano. 

Vacina antes do Natal… Como destaque nesta fronte, o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, sinalizou que os órgãos reguladores americanos estariam preparados para a avaliação e rápida aprovação dos imunizantes da Moderna Inc. e da Pfizer Inc. que já enviaram pedidos de emergência para o uso antecipado das suas soluções. Segundo Pence disse a governadores, as vacinas deverão começar a serem distribuídas já na semana do dia 14/12. Paralelamente, a Pfizer já fez a mesma solicitação na Europa, abrindo as portas para que seu imunizante também possa começar ser distribuído no velho continente em 2020. 

Powell vai ao Senado… Em meio a desentendimentos com o Secretário do Tesouro americana, que ordenou o encerramento precoce de algumas linhas de crédito emergenciais do Fed, o presidente da Instituição, Jerome Powell, fala em frente ao Comitê de Bancos, Habitação e Assuntos Urbanos do Senado dos Estados Unidos. Ontem, Powell já antecipou parte do seu discurso, onde voltou a reforçar a fragilidade da economia americana e os desafios a serem enfrentados por ela mesmo após os avanços em direção à distribuição de uma vacina. Com relação ao rumo que será tomado durante a reunião de política monetária em dezembro, Powell não fez grandes revelações, apenas reforçou que o Banco Central americano irá continuar utilizando todas as ferramentas que tem ao seu dispor para ajudar na recuperação da economia.

PMIs… Ontem à noite, o Índice de Gerentes de Compras (PMI) industrial mensurado pela Caixin corroborou os dados oficiais fortes divulgados no final de semana na China, avançando para o maior nível desde 2010. Assim, como a pesquisa feita pelo Escritório Nacional de Estatísticas do governo, o resultado segue apontando para o bom momento da 2ª maior economia do mundo. Hoje mais cedo, o mesmo dado saiu para a zona do euro e, apesar de apontar para uma leve desaceleração em relação à leitura preliminar (flash) de novembro, também se manteve em um nível que aponta para a expansão robusta da atividade do setor industrial. Também vale ressaltar que a pesquisa europeia trouxe resultados mais heterogêneos entre os seus membros e as categorias econômicas, com a Alemanha se mantendo à frente da recuperação no bloco.

Deflação europeia… Seguindo na zona do euro, a estimativa preliminar da inflação ao consumidor se manteve estável em -0,3% a/a em novembro, resultado que configura o 4º mês consecutivo de deflação no continente. Dentre os destaques, preços de bens do grupo de alimentos lideraram na ponta positiva (+1,9% a/a) enquanto uma forte deflação dos itens de energia (-8,4% a/a) garantiu a manutenção da dinâmica deflacionária no período. Além de apontar para a dificuldade na retomada econômica da região, o dado acende uma luz vermelha para o Banco Central Europeu (BCE), que já tem sinalizado a intenção de reforçar estímulos na última reunião de política monetária do ano. Hoje, a presidente do BCE, Christine Lagarde, participa em evento sobre liderança na crise, às 14h. Vamos acompanhar…

Na agenda… Nos EUA, além da fala de Powell no Senado, o investidor avalia os PMIs industriais de novembro do Instituto Markit e do Instituto para Gestão da Oferta (ISM, na sigla em ingês), às 11h45 e 12h, respectivamente.


BRASIL: MAIA QUER APROVAR TRIBUTÁRIA COM OU SEM O GOVERNO

Tributária tem voto sem o governo… Segundo o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a reforma tributária já tem os votos necessários para ser aprovado no plenário da Câmara dos Deputados, mesmo sem o governo. Maia estima que a PEC já tem o apoio de pelo menos 320 deputados, já que o centro não governista (DEM, PSDB, MDB, entre outros) já apoia o projeto e boa parte dos partidos de esquerda também devem apoiar a proposta.

Esquerda quer taxação de lucros e dividendos… O apoio das siglas de esquerda deve ser conquistado através de alterações como a tributação de lucros e dividendos, a proibição de dedução de juros sobre o capital próprio e a tributação progressiva de herança e patrimônio. Segundo o presidente da Câmara, será necessário também reduzir a alíquota do IR de PJs como contrapartida à taxação de lucros e dividendos. Sem a contrapartida, o Brasil terá a maior carga tributária para empresas do mundo.

Inação do governo causa perda de protagonismo… O governo corre o perigo de ser excluído do processo de formação da reforma tributária. Até então, a única contribuição da equipe econômica em relação ao debate foi a apresentação de um projeto de lei que unifica os tributos PIS (programa integração social) e Cofins (contribuição da seguridade social), criando a Contribuição Social sobre Operações com Bens e Serviços (CBS). A expectativa era que esse projeto seria a primeira de várias etapas apresentadas ao Congresso, mas esta entrega foi realizada em julho e, desde então, nada mais foi apresentado pela equipe econômica.  

Maia cobra pauta para o restante do ano… A inércia do governo afeta muito mais do que a reforma tributária. Para preservar aliados que disputavam prefeituras, o presidente Jair Bolsonaro optou por segurar todas as medidas e divulgações fiscais até a conclusão das eleições municipais. Na segunda-feira que sucedeu o término das eleições, nada foi revelado e ninguém da equipe econômica se manifestou a respeito das prioridades do governo para o que resta de 2020. O silencio inquietante do governo não passou despercebido por Rodrigo Maia. “Acho que o governo deveria ter começado o dia de hoje, cedo, com uma coletiva para falar qual a pauta que o governo tem interesse para os próximos dois meses”, afirmou o deputado.

Dados do Inpe revelam crescimento no desmatamento da Amazônia… Dados de satélite divulgados pelo Inpe mostram que o desmatamento na Amazônia cresceu 9,5% durante o período que espana agosto de 2019 a julho de 2020, em comparação com o mesmo período em 2018/2019. Os 11.088 km2 desflorestados representam a maior área devastada desde 2008.  

Pressão sobre exportações brasileiras deve continuar crescendo… A divulgação deve aumentar a pressão da comunidade internacional em relação a gestão ambiental do Brasil. As críticas da comunidade internacional já representam um óbice quase que incontornável para concretização de um acordo de livre comercio com a União Europeia. Salve uma mudança drástica na retórica e atuação do governo, essa pressão só deve aumentar com a eleição do presidente americano Joe Biden, que criticou abertamente a gestão ambiental do Brasil em um debate realizado durante a campanha presidencial americana.

Na agenda… O investidor local recebe o PMI/Markit (HSBC) industrial às 10h, que deve seguir apontando para um ritmo de expansão robusto do setor, seguido pelos dados da balança comercial mensal em novembro (15h). Como destaque na sessão de ontem, a decisão inesperada da Aneel de retomar o sistema de bandeiras tarifárias em dezembro, com a tarifa vermelha no patamar dois, deve resultar em uma onda de revisões altistas para o IPCA em 2020.

E os mercados hoje?… Ativos de risco retomam trajetória de alta após pausa para realização de lucros no fim do mês de novembro. Após fechar um mês historicamente favorável em novembro, bolsas iniciaram o último mês do ano com o pé direito, na esteira de dados positivos na China e de um fluxo de notícias promissor com relação à distribuição de vacinas contra a covid-19 ainda em 2020. No Brasil, o governo iniciou um período decisivo de 3 semanas em silêncio, sem dar sequer uma sinalização com relação ao que pode ser apresentado nas últimas semanas do ano – como comentamos ontem, o mercado espera avanços que podem dar direcionamento ao fiscal entrando em 2021. Desta forma, apesar de acreditar que o mercado local deverá seguir se beneficiando do forte apetite pelo risco mundo afora, o investidor seguirá acompanhando Brasília no pano de fundo. 


Sobre o fechamento do último pregão:

Ibovespa: 109.074 (-1,36%) ­­
BR$/US$: 5,35 (+0,35%)
DI Jan/27: 7,55% (+6 bps)
S&P 500: 3.621 (-0,46%)

*Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg.


Jornais:

VALOR
– Corrente do bem contra a covid-19 atinge R$ 6,4 bi
– SP restringe os horários do comércio
– Liberty leva prêmio por gestão de RH
– Auxílio menor faz baixa renda buscar crédito

O GLOBO
– Cientistas alertam para risco de colapso na Saúde

– Paes anuncia Pedro Paulo e Calero em secretarias
– Apenas 17% dos parlamentares candidatos foram eleitos
– Congresso deixa discussão das pautas econômicas para 2021

FOLHA DE S.PAULO
– Doria aperta restrições de SP um dia após Covas se eleger

– Desmate na Amazônia volta a bater recorde
– Moro é contratado por consultoria ligada à Odebrecht
– Brasil e Argentina deixam diferenças de lado em reunião

O ESTADO DE S.PAULO
– SP restringe atividades; 15 de 22 regiões têm contágio acelerado
– Governo busca brecha na lei para barrar Huawei no 5G
– DEM se divide entre apoio a Doria e Huck
– Desmatamento na Amazônia é o maior em 12 anos

Este relatório foi elaborado pela Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores, para uso exclusivo e intransferível de seu destinatário. Este relatório não pode ser reproduzido ou distribuído a qualquer pessoa sem a expressa autorização da Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores. Este relatório é baseado em informações disponíveis ao público. As informações aqui contidas não representam garantia de veracidade das informações prestadas ou julgamento sobre a qualidade das mesmas e não devem ser consideradas como tal. Este relatório não representa uma oferta de compra ou venda ou solicitação de compra ou venda de qualquer ativo. Investir em ações envolve riscos. Este relatório não contêm todas as informações relevantes sobre a Companhias citadas. Sendo assim, o relatório não consiste e não deve ser visto como, uma representação ou garantia quanto à integridade, precisão e credibilidade da informação nele contida. Os destinatários devem, portanto, desenvolver suas próprias análises e estratégias de investimentos. Os investimentos em ações ou em estratégias de derivativos de ações guardam volatilidade intrinsecamente alta, podendo acarretar fortes prejuízos e devem ser utilizados apenas por investidores experientes e cientes de seus riscos. Os ativos e instrumentos financeiros referidos neste relatório podem não ser adequados a todos os investidores. Este relatório não leva em consideração os objetivos de investimento, a situação financeira ou as necessidades específicas de cada investidor. Investimentos em ações representam riscos elevados e sua rentabilidade passada não assegura rentabilidade futura. Informações sobre quaisquer sociedades, valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros objeto desta análise podem ser obtidas mediante solicitações. A informação contida neste documento está sujeita a alterações sem aviso prévio, não havendo nenhuma garantia quanto à exatidão de tal informação. A Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores ou seus analistas não aceitam qualquer responsabilidade por qualquer perda decorrente do uso deste documento ou de seu conteúdo. Ao aceitar este documento, concorda-se com as presentes limitações.

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