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Flash Macro | IPCA de julho segue confirmando cenário complicado para a inflação

Tempo de leitura: 6 minutos

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou a alta de 0,53% em junho para 0,96% em julho, levando o avanço em 12 meses para 8,99%. Os preços administrados, influenciados pelos combustíveis e pela energia elétrica, aceleraram novamente de 0,81% para 1,68%, ao passo que os preços livres, em vista do avanço relevante na inflação de serviços, também aceleraram ao ir de 0,43% para 0,70%. No acumulando do ano, o IPCA registra alta de 8,99%, notavelmente acima do centro da meta de 3,75% para o corrente ano.

Quanto às categorias do IPCA, como esperado, as principais influências altistas derivaram de Habitação, Transportes e Alimentação e Bebidas. Conjuntamente, estas três categorias adicionaram 0,93 ponto percentual à alta total do índice, que foi parcialmente compensada pela deflação da categoria de Saúde e Cuidados Pessoais, que tirou 0,09 ponto percentual da alta total.

Em Habitação (3,10%), a alta relevante da energia elétrica (7,88%), por conta do reajuste no valor na bandeira vermelha patamar 2, foi a principal influência. Gás de botijão (4,17%), gás encanado (0,48%), aluguel residencial (0,93%) e condomínio (0,66%) também tiveram influência preponderante.

Em Transportes (1,52%), a principal contribuição veio das passagens aéreas (35,22%). Ainda assim, os combustíveis, influenciados pela retomada nos preços da gasolina (1,55%), também exerceram influência notável. Ainda em Transportes, veículos próprios (0,96%), usados (2,23%), motocicletas (1,41%) e novos (0,54%), assim como transportes públicos (4,52%) e por aplicativo (9,31%) também marcaram a alta do índice.

Alimentação e bebidas (0,60%), devido ao avanço de alimentação no domicílio (0,78%), voltaram a acelerar a alta em julho, influenciada por fatores climáticos recentes altamente desfavoráveis. Alimentação fora do domicílio (0,14%), no entanto, desacelerou com relação ao resultado de junho.

Na contramão das demais categorias, o grupo de Saúde e Cuidados Pessoais (-0,65%) refletiu, principalmente, a queda nos planos de saúde (-1,36%) decorrente do reajuste de -8,19% autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar.

Para verificar o avanço das demais categorias, assim como sua contribuição para o desempenho total do IPCA, verifique a tabela abaixo.

Nossa visão:

O IPCA de julho veio praticamente em linha com as expectativas, tanto em sua composição quanto em sua magnitude. Isto é, a aceleração para 0,96% ficou praticamente alinhada com a expectativa do mercado, que esperava uma alta de 0,95%. Quanto à composição, observou-se o esperado: pressão relevante dos preços administrados por conta da energia elétrica e dos combustíveis e avanço notável dos preços livres em função da retomada, ainda inicial, dos preços dos serviços. Vale notar que os serviços aceleraram intensamente de 0,23% em junho para 0,67%, claramente reagindo à liberação das restrições à mobilidade.

Quanto à dinâmica entre bens industriais e serviços, observamos uma dinâmica similar ao que foi visto no IPCA-15. Isto é, a inflação de serviços ainda não está sendo amplamente compensada por uma desinflação mais intensa de bens. Enquanto os serviços aceleraram a alta de 0,23% para 0,67%, os produtos industriais desinflacionaram apenas de 0,79% para 0,69%. Ou seja, a inflação de serviços está voltando com força, ao passo que a inflação de bens, devido à manutenção de pressões de custo relevantes, pena para devolver as recentes altas. Em outras palavras, ainda não vemos como provável uma compensação integral nesta frente, o que significa que ainda vemos uma inflação de bens relevante ocorrendo concomitantemente à retomada na inflação de serviços.

Com relação aos núcleos de inflação, a história não foi muito diferente. A média dos cinco núcleos acelerou levemente de 0,53% para 0,59%, expressando a manutenção dos efeitos secundários dos choques de oferta que tem contaminado os demais preços da economia. No acumulado dos últimos 12 meses, a média dos núcleos está em 5,48%, já estourando o teto da meta de inflação para 2021, fixada em 5,25%. Esta pressão constante sobre os núcleos preocupa, pois evidencia como os choques de oferta tem de fato se demonstrado mais influentes do que o inicialmente esperado.

Com relação à política monetária, o dado de hoje somente reforça a necessidade de seguir em frente com o ciclo de ajuste monetário. Os sucessivos choques de oferta pelos quais a economia brasileira vem passando contaminaram não somente os núcleos, mas também as expectativas, que continuam prevendo inflação acima da meta no final do ano que vem. Somado a isso, a volta da inflação de serviços coloca uma camada de complicação adicional, pois adiciona mais pressão inflacionária no lado da demanda em consonância com a reabertura da economia permitida pela vacinação. Dito isso, fica cada vez mais claro, como reforçou o Copom na sua ata divulgada hoje, que a Selic entrará em território contracionista – ainda mais em virtude do cada vez mais elevado risco fiscal.

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