Flash Macro | IPCA-15/setembro

Tempo de leitura: 3 minutos

Resultado: +0,45% m/m; 2,65% a/a

Projeção (Guide): +0,30% m/m; 2,50% a/a

Anterior: +0,23% m/m; 2,28% a/a

Em setembro, o Índice de Preços ao Consumidor amplo 15 (informação coletada de 14/8 a 11/9) avançou 0,45%, acelerando com relação a agosto, quando apresentou alta de 0,23%. Assim, o índice de preços de referência cataloga alta de 1,35% no ano e 2,65% nos últimos doze meses.  O avanço ficou acima de nossa estimativa, que previa uma alta de 0,30%.

Como era de se esperar, a alta generalizada dos preços teve como principal responsável a alta relevante no preço dos alimentos e das bebidas. Este avançou 1,48%, puxando principalmente pela elevação das carnes (+3,24%), carnes e peixes industrializados (2,74%) e óleos e gorduras (+12,35%). No acumulado do ano e em 12 meses, esta categoria apresenta avanço de 7,35% e 9,93%, respectivamente.

A categoria de habitação variou 0,83%, puxado pelo reajuste nas taxas de aluguel (+1,75%), combustíveis (+2,60%) e reparos (+2,59%). Os preços da categoria de artigos de residência avançaram 0,79%. Por trás do movimento, verificou-se forte elevação nos itens de TV, som e informática (+2,04%); consertos e manutenção (+0,22%); e cama, mesa e banho (+1,90%). Na ponta negativa, o item de bens mobiliários (-0,14%) segurou uma alta mais forte da categoria. No acumulado do ano e em 12 meses a categoria apresenta variações de 1,03% e -0,09%, respectivamente.

Vestuários seguem sob pressão relevante ao apresentar deflação de -0,27%. Todos os subitens (roupas masculina, femininas e infantil) deflacionaram, porém, um baixa mais intensa da categoria foi contida pela abrupta elevação de joias e bijuterias (+2,52%). No acumulado do ano e em 12 meses, o índice registra baixa de -3,06% e -2,18%.

Os demais itens, como transportes, saúdes de cuidados pessoais, despesas pessoais, educação e comunicação apresentaram variações de +0,83%, -0,69%, +0,09%, -0,11% e +0,15%. No acumulado do ano, estas categorias registram variações de -2,37%, +0,76%, +0,28%, +0,90% e 2,44%.

Nossa visão

A aceleração da inflação no mês de setembro é, como antecipamos em outros relatórios, um forte reflexo da recente alta nos preços dos alimentos. Por compor aproximadamente 1/5 do índice, seu avanço acabou tendo influência contundente sobre o índice geral. Tal movimento era esperado, uma vez que a forte alta dos preços no atacado, como apontado pelo IGP-M (o IPA avançou 6,36% no 2º decêndio do mês segundo o Ibre/FGV), eventualmente deveriam contaminar os índices de preços ao consumidor. De qualquer maneira, voltamos a frisar a recente alta no preço dos alimentos – fomentada pela alta na demanda doméstica (em parte devido ao auxílio emergencial), câmbio desvalorizado, redução da oferta doméstica e patamar elevado do preço internacional das commodities – deverá ser transitória.

A despeito desta pressão de natureza altista, a avaliação dos núcleos de inflação – isto é, os índices de inflação que excluem itens voláteis para retirar os efeitos de ruídos transitórios para melhor compreender a trajetória da inflação – é de que os preços seguem trajetória ainda bastante comportada. O núcleo EX3, que agrega as medidas subjacentes de serviços e bens industriais, apresenta alta de apenas 1,27% em 12 meses. Pelos critérios do BCB, a inflação de serviços apresentada variação anualizada de -1,5%, enquanto os produtos industriais avançam 4,7%. Em outras palavras, retirando o efeito transitório da alta dos alimentos, os preços na economia seguem confortavelmente abaixo da meta e, até o momento, não prescrevem qualquer mudança com relação à condução da política monetária.

Em seu próprio comunicado, o BCB alertou que a inflação deve se elevar a curto prazo justamente por conta do que foi descrito acima. Adicionou que a normalização no preço de alguns serviços se verificaria, movimento que de fato ocorreu, pois a deflação acumulada em 12 meses em agosto era de 2,4%.

Assim, acreditamos que o IPCA de setembro siga refletindo o efeito da alta dos alimentos, porém, sem gerar preocupação com relação ao nível de preços e nem ser o suficiente para movimentar as expectativas de inflação. A elevada capacidade ociosa, assim como as incertezas com relação à dinâmica do vírus, deverá atuar na frente de manter a demanda reprimida, inibindo uma alta relevante nos preços, principalmente daqueles ligados ao setor de serviços.

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