Carteira ESG – Investimento Sustentável

Tempo de leitura: 26 minutos

O que é ESG e o investimento sustentável?

A sigla ESG são as iniciais para Ambiental, Social e de Governança (nas palavras em inglês), e é sinônimo para o investimento em empresas sustentáveis e socialmente responsáveis. A sigla acabou se tornando sinônimo para as companhias que integram o tema ESG à sua estratégia, priorizam ações voltadas para a melhoria do meio ambiente, possuem foco questões sociais e formação de uma governança corporativa que leva em consideração os interesses dos stakeholders (clientes, funcionários, acionistas, fornecedores).

 O aumento na procura por empresas que atendam aos requisitos mencionadas para investimento por parte de fundos e investidores se deve, em primeiro lugar, pela mudança nas tendências de consumo, com os indivíduos priorizando produtos e empresas que possuem um impacto positivo na sociedade por meio das suas operações.

Quando analisamos as companhias brasileiras que se enquadram no tema ESG, vale lembrar que nenhuma delas possui as três características bem exploradas, destacando-se por uma ou duas delas que estão mais conectadas à suas estratégias.

  • Fatores Ambientais: Companhias que priorizam o fator ambiental em sua estratégia são aquelas que agem em prol do meio ambiente, no sentido de tornar sua existência cada vez menos nociva ao planeta. A Weg é uma empresa referência no assunto, já que seu negócio produz soluções de fontes renováveis de energia, práticas de eficiência energética e produtos e soluções com menor impacto ambiental, como a linha de motores elétricos e inversores de frequência para tração elétrica que a empresa vem desenvolvendo.
  • Fatores Sociais: Empresas que unem esforços para garantir a inclusão e a diversidade dentro de fora do ambiente corporativo, além de promover ações com comunidades, transparência com seus funcionários e stakeholders e engajamento entre os mesmos. A Lojas Renner possui como pilar mais desenvolvido o Social. A varejista possui o Instituto Lojas Renner, onde desenvolvem projetos bastante significativos dentro da cadeia de moda. Sua principal missão é o empoderamento da mulher dentro da cadeia têxtil e também reúnem esforços para impulsionar a geração de renda através do empreendedorismo. Um dos programas é o “empreendedoras da moda”, cujo objetivo é desenvolver a capacitação técnica em gestão, voltada para a profissionalização dos negócios que as participantes possuam;
  • Fatores de Governança Corporativa: As corporações que se destacam pela sua governança, são, na maioria das vezes, aquelas com grande número de membros independentes do conselho, diversidade presente na diretoria e conselho, além de robusta estrutura de comitês que viabilizam a integração de diferentes temas à estratégia da companhia. O Itaú Unibanco possui como fator mais forte entre os três, a sua Governança Corporativa, que é consolidada e integrada aos negócios do banco, permitindo com que incorporem a sustentabilidade à sua estratégia. A Governança do Itaú é baseada em três pilares: IUPAR (Itaú Unibanco Participações); Conselho de Administração do Itaú Unibanco; e Comitê Executivo. Possuem um Comitê de Impacto Positivo, um Conselho de Administração com seis conselheiros (de um total de doze) considerados independentes, além de grande transparência quanto às informações financeiros e não financeiras da empresa.

Vale a pena investir em empresas ESG?

Observamos uma performance de resultados acima do desempenho do mercado que as empresas que possuem o selo ESG. Essa comparação é observada por exemplo no índice MSCI ESG (índice global de empresas sustentáveis do Morgan Stanley) que possuem desempenho superior ao MSCI global.

Outro ponto importante é o caráter de perenidade para o investimento desse caráter, pois o horizonte desse investimento é de longo prazo, já que companhias que integram os temas à suas estratégias, acabam cultivando relações sólidas com a sociedade, reduzindo consideravelmente os riscos associados a corrupção, desastres ambientais, dentre outros, que podem afetar o valor de uma empresa no longo prazo. 

Vale ressaltar que, por ser um tema relativamente novo na indústria, ainda não é muito claro quais medidas tomadas pelas empresas realmente são capazes de criar relevante impacto no futuro e quais devem ser consideradas no momento da decisão de investimento. A partir disso, nós, da Guide, resolvemos então explorar o assunto de maneira mais profunda, trazendo os principais acoes que consideramos relevantes nas principais empresas negociadas no Brasil.

ASG e a COVID-19

A disseminação do coronavírus acelerou o interesse dos investidores pelo tema, em função do impactado causado nas principais organizações ao redor do mundo e pelas dificuldades enfrentadas pelas populações ao redor do mundo. Diversas empresas aumentaram as suas iniciativas de ESG como forma de minimizar o impacto dos indivíduos que mais sofreram com a pandemia. 

O fluxo de investimentos sustentáveis inseridos na indústria financeira no período se acelerou de forma expressiva, o que pode ser comprovado pelo Morningstar reportando cerca de US$ 10 bilhões aplicados em fundos sustentáveis abertos e negociados em bolsa apenas no 1T20, o que já representa metade do total investido em 2019 nesse segmento de investimento.

Abaixo, explicamos de maneira mais detalhada a relação entre a pandemia e fatores sustentáveis:

Com relação ao meio ambiente, as medidas de isolamento social contribuíram para amenizar alguns impactos no meio ambiente, como por exemplo o fato de que com as pessoas trabalhando em suas casas, o número de carros nas ruas diminuiu, o que refletiu na desaceleração da atividade industrial e do consumo de carvão para geração de energia. Ao mesmo tempo, a luta contra mudanças climáticas acabou perdendo força diante do cenário, que contribuiu para o atraso de grandes eventos como a COP 26 Climate Conference para 2021.

Ainda, os benefícios observados podem ser rapidamente ofuscados pelo grande aumento do consumo de combustível fóssil durante a reabertura gradual, que pode ser impulsionado pelos baixos preços de energia, repetindo o que foi observado após a crise de 2008. No entanto, fontes alternativas de energia vêm se tornando mais populares e competitivas como a eólica e a solar. Estes são alguns dos produtos oferecidos pela Weg e também já utilizados nas lojas da Localiza e Lojas Renner.

B3 ON (B3SA3)

A Bolsa brasileira vem se reposicionando quanto as questões ESG. No final de abril, foi aprovado, no comitê de sustentabilidade da companhia, um plano de metas para 2021 que segue quatro etapas: (i) Entendimento do contexto, que analisa o cenário atual, tendências do mercado e das bolsas locais e internacionais, para que assim seja possível construir um plano de ação relacionado ao compromisso da B3 com a construção de índices e de títulos verdes; (ii) Criação de um mapa de oportunidades, para traçar a estratégia da companhia, composta de alguns deveres como a atualização dos seus índices de sustentabilidade (ISE e ICO2), garantindo a estes maior replicabilidade e acesso, com isso, esperam poder diversificar o portfólio de empresas que os compõem; (iii) Priorização de oportunidades, a cia optou por escolher aquelas que estavam conectadas à geração de valor para o negócio no curto prazo, fortalecimento do relacionamento com cliente, escalabilidade, potencial de parceria, imagem de reputação a zelar; (iv) estruturação das frentes, causas e valores, de modo que a ambição estratégica promova um ambiente alinhado à práticas ESG.

Com isso a B3 estabelece quatro pilares a serem cumprimos: (a) ser uma empresa alinhadas às melhores práticas de sustentabilidade (já possuem diversas em prática, mas ainda enxergam novas oportunidades), para isso passaram a tornar as pautas do comitê de sustentabilidade mais práticas e menos operacionais; (b) induzir boas práticas ESG no mercado brasileira, compartilhando bons exemplos de empresas nacionais, realizando parcerias com players do mercado, incentivando a discussão sobre o tema, concedendo maior entendimento dos green bonds; (c) fortalecer o portfólio atual de produtos ESG, revendo a metodologia dos índices, convidando as companhias do IBRX100 a participar do inventário do efeito estufa; (d) abrir e promover novas frentes de negócios de impacto.

Por fim, vale ressaltar a forte estrutura de governança da B3, com todos independentes no conselho de administração, presença de duas mulheres, o que os permitirá receber o selo de women on board, estruturas de gestão de risco bem colocadas, combate à corrupção e posicionamento ético e transparente da cia.

Itaú Unibanco PN (ITUB4)

O Itaú possui uma estrutura de sustentabilidade integrada à sua estratégia corporativa. Dentro do tópico ESG, o banco se destaca pela forte governança consolidada e integrada aos seus negócios, o que permite com que questões e tendências sociais, ambientais e econômicas façam parte das atividades e dos processos diários e o desempenho dessas questões periodicamente sejam acompanhados por meio de indicadores. Possuem ainda um Comitê de Sustentabilidade que passou a ser chamado de Comitê de Impacto Positivo, possibilitando uma melhor coerência entre os projetos, estimando a evolução dos impacto dos compromissos adotados pela companhia. Também possuem uma Comissão Superior de Ética e Sustentabilidade que é composta de membros do Comitê Executivo, e visa a integração entre as práticas de sustentabilidade e ética, promovendo assim a disseminação dos temas na cultura organizacional e na estratégia do grupo.

O banco oferta produtos e serviços com intenção de potencializar um impacto positivo na sociedade, por exemplo quando tratam de critérios para aprovação de crédito, os clientes são também submetidos a avaliações de critérios socioambientais. No segmento de Grandes Empresas, por exemplo, possuem uma classificação de risco socioambiental em alto, médio ou baixa que influencia diretamente em seu risk rating. O processo de categorização é baseado nos impactos do setor de atuação dos clientes e considera parâmetros de sustentabilidade como consumo de energia e de água, lançamento de efluentes líquidos, dentre outros.

Por financiar aquisição de veículos e construção de imóveis, o banco se compromete e medir os impactos indiretos que geram em emissões de CO₂. Além disso, o Itaú Asset Management  leva em consideração as questões ESG para direito de voto em assembleias gerais dos ativos detidos pelos fundos.

Por fim, a cia possui uma série de programas, entre os quais estão o Itaú Microcrédito, que os permite oferecer soluções financeiras para pequenos empreendedores, garantindo sua inclusão financeira, e o Itaú Mulher Empreendedora, que apoia o desenvolvimento de empresas lideradas por mulheres. Ainda, são signatários do programa CDP Supply Chain, que direciona a agenda de emissões de carbono e sua gestão para cadeia de fornecedores de grandes empresas, além de fazerem parte do índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) e do Índice de Carbono Eficiente (ICO2).

Klabin Units (KLBN11)

A Klabin alinha seu projeto de desenvolvimento sustentável ao plano de crescimento da companhia e à agenda de 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). Este consiste em um plano de ação composto por objetivos de curto, médio e longo prazo voltados para o Meio Ambiente, Sociedade e Governança Corporativa, os chamados KODS (Objetivos Klabin para o Desenvolvimento Sustentável).

Entre os principais órgãos de governança da Klabin, estão o Conselho de Administração, o Conselho Fiscal e a Diretoria, que atuam em sinergia para o alcance de resultados econômicos, financeiros, sociais e ambientais. A empresa possui uma Gerência de Riscos e Controles que busca desenvolver as melhores práticas para apoiar as unidades de negócio na análise de seus processos, com foco em controles e avaliação de riscos. Os riscos são avaliados conforme critérios de impacto e vulnerabilidade. Ainda, existe um programa de conduta ética e integridade, que reúne uma série de atividades voltadas à prevenção, identificação e remediação de condutas que possam expor a Klabin a situações indesejadas, que se contraponham aos princípios e valores da empresa. Este ganhou mais força em 2019, com a criação da Comissão de Integridade. A Klabin também possui bom relacionamento e forte vínculo com seus colaboradores, clientes, fornecedores, órgãos reguladores, investidores e com as comunidades. Vale ressaltar que a contratação de fornecedores na Klabin seguem diversos critérios para garantir que aspectos legais e de sustentabilidade sejam estendidos à sua cadeia de valor.

A companhia acredita que a criação de valor é feita do equilíbrio entre as esferas econômica, social e ambiental. Em 2019, estruturaram a Gerência Corporativa de Sustentabilidade, dividida nas áreas de Governança de Sustentabilidade, Responsabilidade Ambiental, Parque Ecológico e Responsabilidade Social. Foi criado também um Comitê Gerencial de Sustentabilidade com a missão de analisar previamente temas correlatos à sustentabilidade para posterior encaminhamento e validação junto à Comissão Fixa de Sustentabilidade. Ainda, a maior parte da madeira utilizada pela cia, para abastecer suas fábricas vêm de plantios próprios.

Entre outros compromissos voluntários, estão: o Pacto Global, desde 2003; Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), desde 2015; Princípios de Empoderamento das Mulheres da ONU, desde 2018; Movimento Empresarial pela Integridade e Transparência, desde 2018; Carbon Disclosure Project (CDP), desde 2006; Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV, desde 2009; Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), desde 2013; Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, desde 2013; e Pacto Empresarial pela Integridade e Contra a Corrupção, desde 2013.

Localiza ON (RENT3)

Dentro do conceito de ESG, a parte de Governança sempre foi muito forte e de muito interesse dentro da locadora. Possuem um comitê de sustentabilidade, no qual foi desenvolvida uma matriz de materialidade, definindo dez temas de sustentabilidade que devem ser explorados pela Localiza. Estes foram então transformados em metas, que hoje acoplam à estratégia da companhia. Entre estas metas, existe a de treinamento de 100% dos colaboradores com o código de ética e conduta, lavagem a seco dos carros (no ano passado esta era de 50% dos carros nas filiais, e a atingiram, a desse ano é de 59%), ainda, estão estudando a atuação com usinas solares, projeto que foi interrompido devido a pandemia e que consiste em abastecer toda operação elegível com energia solar. Já existem três usinas solares que alimentam parte da operação, mas nas agencias onde isto não é áplicável, instalaram placas solares.

Ainda assim, hoje 98% da sua frota é considerada flex, podendo ser abastecida tanto com etanol, quanto gasolina. A companhia só abastece os veículos com o primeiro, e incentivam seus clientes a fazerem o mesmo.

Ainda, a Localiza renova sua frota com bastante frequência, de modo que seus carros do segmento Rent a Car, são vendidos em até 16 ou 17 meses e os do Gestão e Terceirização de Frotas passam a ser comercializados logo após a devolução do cliente, que dura no máximo de dois a três anos, em um cenário comum. Dessa forma, os carros da companhia, por não serem muito antigos, possuem tecnologias que emitem menos gás carbônico (CO2).

No âmbito social, realizam trabalhos voltados para os colaboradores, com desenvolvimento e crescimento profissional através de uma pesquisa de clima anual, que consegue medir a qualidade de vida do colaborador, carreira, diversidade e inclusão. Ainda, possuem projetos que englobam as comunidade no entorno da empresa. Durante a pandemia, destinaram cerca de R$ 10 MM de reais com causas sociais.

Por fim, possuem o Selo Ecovadis Ouro 2019 para Localiza Gestão de Frotas, Selo Certificado RA 1000 – empresas que se destacam pela confiabilidade, compromisso e qualidade de sua pós-vendas, pelo ReclameAqui, Selo de Excelência em Franchising 2019 da Associação Brasileira de Franchising (ABF), pela 13ª vez, além de ser a Marca brasileira de Maior NPS (Net Promoter Score) pela Interbrand.

Lojas Renner ON (LREN3)

A Lojas Renner realiza um forte trabalho interno de engajamento com causas sustentáveis, o que a permite ter grande impacto em suas ações. Quando se trata de fornecimento, a companhia busca sempre uma relação de parceria que supera a parceria comercial, por conta disso, estas são de longo prazo, tendo duração de, em média, 20 anos. Todos os fornecedores de revenda nacionais de confecção, acessórios e calçados são certificados pela ABVTEX (Associação Brasileira do Varejo Téxtil), que avalia a adesão às boas práticas corporativas de responsabilidade social e meio ambiente. O ciclo de relacionamento possui ações específicas em cada um dos seguintes pilares: homologação; monitoramento e controle; desenvolvimento; e qualidade. Além disso, monitoram toda a cadeia, considerando questões de saúde, condições de trabalho e o comprometimento com os pilares sustentáveis (que faz parte do processo desde 2015).

Possuem o Instituto Lojas Renner, com projetos bastante significativos dentro da cadeia de moda. Possuem como principal missão o empoderamento da mulher dentro da cadeia têxtil e também reúnem esforços para impulsionar a geração de renda através do empreendedorismo. Um dos programas é o “empreendedoras da moda”, cujo objetivo é desenvolver a capacitação técnica em gestão, voltada para a profissionalização dos negócios que as participantes possuam.

O aspecto ambiental é bastante desafiador de ser explorado dentro do segmento de moda, pois é preciso respeitar o profissionalismo e a gestão das empresas que trabalham no ramo. Ainda assim, possuem todas as camadas de fornecimento muito bem mapeadas e definidas, já conseguindo inclusive medir o quanto de água demandou a produção de uma determinada peça. São uma corporação carbon free desde 2016, utilizam, sempre que possível, fontes de energia renovável, e possuem uma meta de reduzir as emissões absolutas de gases poluentes em 25% até 2021, além disso, no padrão de construção de suas lojas, sempre que possível, apoiam a gestão ecoeficiente, priorizando matérias primas de menor impacto. Ainda, mapeiam todos os resíduos que produzem e reciclam 99% dos que são gerados na operação direta.

A Lojas Renner possui 25% do seu conselho ocupado por mulheres e também comitês de sustentabilidade, pessoal, estratégico e auditoria e gestão de riscos que apoiam o conselho.

M. Dias Branco ON (MDIA3)

A M. Dias Branco produz e comercializa alimentos dentro do segmento de massas, biscoitos, farinhas e margarinas. Fundada em Fortaleza, a companhia hoje possui forte atuação dentro do Norte e Nordeste e vem trabalhando para aumentar sua influência no Sul, Sudeste e Centro Oeste. A estratégia da empresa também é bastante conectada à questões ESG.

No âmbito social, atuam através da doação de produtos para comunidades de baixo poder aquisitivo que residem em local próximo às fábricas da cia e realizam iniciativas educacionais, que são aplicadas através de cursos para o pessoal operacional e da fábrica, além de programas que conectam a empresa à escolas.

A M. Dias Branco também aborda questões ambientais, através da preocupação com o consumo de água e a questão de resíduos dentro de suas fábricas. Para isto, estão estabelecendo um plano de metas que envolve a diminuição do uso de matérias-primas nocivas ao meio ambiente, adoção de práticas mais sustentáveis e um limite da emissão de gases de efeito estufa. Adicionalmente, a cia assumiu um compromisso público de que, ,até 2025, 100% dos ovos utilizados deverão ser “cage free”.

Por fim, embora seja uma empresa familiar (75% de participação da família fundadora), a cia é referência em estrutura de governança, nunca tendo saído do novo mercado e promovendo programas de incentivo a encontros presenciais entre colaboradores de diversos níveis, que permitem a comunicação face a face e o engajamento, com impacto positivo no clima organizacional. Seu Conselho de Administração Titular é composto, em 50%, por membros independentes. Adicionalmente, possuem um indicador interno, o iMDB (índice M. Dias Branco de Governança Corporativa), que os permite viabilizar melhorias e mensurar avanços frente às demandas já consolidadas no mercado e na sociedade, com objetividade e pragmatismo, abrangendo os seguintes referimentos de mercado: (i) Regulamento do Novo Mercado; (ii) Código Brasileiro de Governança; (iii) Índice Dow Jones de Sustentabilidade; e (iv) Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE). Ainda, possuem uma série de fóruns e comitês que analisam determinadas pautas, reforçando a estrutura de governança da cia.

Magazine Luiza ON (MGLU3)

A companhia possui uma forte cultura de agir com propósito. Quando o cenário de pandemia se instaurou, o Magalu conseguiu se organizar rapidamente, estabelecendo três missões: (I) Saúde e Segurança, a premissa maior durante o período é cuidar da saúde dos colaboradores e clientes, por conta disso, afastaram pessoas pertencentes ao grupo de risco, fecharam todas as lojas no final de março, e nas que mantiveram as operações adotaram medidas hospitalares de segurança. Ainda, dobraram o auxílio creche para todas as mães da companhia, entre outras ações realizadas em prol de melhores condições para as pessoas presentes em sua operação; (II) Preservação de caixa e dos empregos, mesmo com a empresa tendo feito um Follow-on no final de 2019, e ter entrado na crise com robusta posição de liquidez, agiram como se estivessem sem caixa. O Magalu se comprometeu em não demitir, para isso, reduziram os salários da diretoria, do conselho e do restante da equipe que conseguiu contribuir de alguma forma, a medida durou de abril a junho; e (iii) Continuidade operacional/ Aceleração da estratégia, as duas últimas missões contribuíram para boa performance da empresa, que já está com vagas abertas, planejando aumentar o time.

Além das ações tomadas durante a crise, vale lembrar que a varejista trata com frequência do fator ambiental. Estão procurando reduzir a emissão de gases nocivos ao meio ambiente, diminuir o consumo de energia, com a meta e adotar energia solar em 300 lojas até o final do ano e atingir metas que estabeleceram, voltadas para a produção de resíduos. Sua atuação se divide em quatro ações: (i) construção de fortes parcerias éticas e transparentes, que são mutualmente benéficas aos fornecedores; (ii) incentivar a valorização do meio ambiente, através da implementação de políticas e processos desenhados para promover uma gestão sustentável de suas operações; (iii) implementar um programa que atenda à Política Nacional de Resíduos Sólidos internamente, criando um modelo inovador na gestão de resíduos recicláveis; (iv) estabelecer metodologia que gerencie emissões de carbono para formulação de objetivos e metas, além de conscientização dos colaboradores sobre a importância das questões ambientais.

O Magalu ainda realiza investimentos sociais, visando promover o desenvolvimento de crianças e adolescentes em situações de vulnerabilidade. Seus investimentos são direcionados para quatro focos diferentes de atuação, que são: cultura, educação, saúde e esporte.

Por fim, a empresa, desde sua abertura de capital, está no nível mais elevado de governança na B3. A varejista possui em seu Conselho de Admnistração, três mulheres (inclusive a presidente) e quatro membros independentes, de um total de sete membros. Sua estrutura de governança corporativa foi aperfeiçoada entre 2011 e 2012, com a melhora dos trabalhos do Comitê de Auditoria e Riscos e do Conselho de Administração

Movida ON (MOVI3)

A Movida está entre as três principais locadoras de carro no Brasil. 55,1% da companhia é detido pela JSL. O movimento ESG é hoje muito forte dentro da companhia. O tópico começou a ser explorado por um gerente de projeto, mas com o tempo, viram que poderia se tornar muito mais amplo. Desse modo, a estratégia da Movida passou a integrar a trilha para que ela se tornasse uma “Empresa B”, certificado que recebeu no início de 2020.

A empresa estruturou em 2019, uma área de Sustentabilidade, na qual desenvolvem e estimulam a prática dos temas ASG na empresa. Na mesma área, desenvolvem, entre outros projetos, o carbon free, no qual os clientes que optarem por pagar R$1,00 a mais em seu aluguel, contribui para a plantação de árvores que contrabalancearão a emissão de gás carbônico do carro alugado. A empresa também contribui para a mitigação da geração de gases do efeito estufa a partir da ampliação da sua atuação dentro de mobilidade, passando a operar com o mercado de bicicletas, segmento que ainda não representa parcela muito significativa de sua operação. A locadora se mantém atenta aos desafios propostos pelos Dez Princípios do Pacto Global das Nações Unidas, do qual o Grupo JSL é signatário desde 2014 e que em 2020 passou a ser assinado formalmente pela Movida, e também aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS). Devido às iniciativas que passaram a ser tomadas dentro da empresa, a empresa passou a fazer parte do índice de sustentabilidade empresarial da B3.

Desde sua abertura de capital, a companhia faz parte do Novo Mercado da B3. Adotam boas práticas internas pra fortalecer sua governança, como a  manutenção de políticas para transações com partes relacionadas, critérios de atuação de conselheiros independentes – dentro dos patamares exigidos –, direitos a acionistas minoritários, e, conforme constante do Estatuto Social, a segregação dos cargos de presidente do Conselho de Administração e de principal executivo. Outro fato interessante sobre o seu Conselho de Administração é a presença de dois membros independentes, de um total de cinco membros, incluindo o presidente, que se reúnem doze vezes por ano.

Por fim, contribuem para a diminuição da desigualdade social através do uso da mobilidade como instrumento de inclusão social, ou seja, com o aumento do acesso a serviços pela população de média e baixa renda e a oferta de condições especiais para novos públicos (motoristas de aplicativo, por exemplo). Vale ressaltar ainda que sua controladora mantém o Instituto Júlio Simões, responsável pelo Investimento Privado da JSL S.A. e de suas empresas coligadas e também por ações de responsabilidade social em localidades onde a holding atua.

Weg ON (WEGE3)

A Weg possui um Conselho de Administração com três conselheiros independentes, além de um Comitê de Divulgação de Informações (CDI), que acompanha, aprova e delibera assuntos relacionados à sustentabilidade corporativa, no âmbito de divulgação de informações públicas.

Quando se trata de inovação e sustentabilidade, a Weg se destaca por seu modelo de negócio, que cresce de forma alinhada aos dois pilares produzindo soluções de fontes renováveis de energia, práticas de eficiência energética e produtos e soluções com menor impacto ambiental, como a linha de motores elétricos e inversores de frequência para tração elétrica que a Weg desenvolve. Vale ressaltar que veículos elétricos deixam o caminho mais verde por fazerem parte de um grupo de veículos denominados “zero emissão”. Além de não poluírem, eles são bastante silenciosos e têm custos de operação e de manutenção mais baratos do que a solução a combustão. Além disso, são mais eficientes, recuperando a energia da frenagem e auxiliando o sistema de freio tradicional do veículo através da frenagem elétrica regenerativa. Estas práticas são direcionadas para cidades, indústria e consumidor final, estendendo o impacto positivo com tecnologias alinhadas à economia de baixo carbono e de redução de impactos ambientais, sociais e econômicos para a sociedade.

O ano de 2019 foi marcado por grandes realizações nesse sentido, já que a companhia reuniu esforços para atingir algumas das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) dentro de: (I) Energia Limpa e Acessível; (ii) Trabalho Decente e Crescimento Econômico; (iii) Indústria, Inovação e Infraestrutura; (IV) Ação Contra a Mudança Global do Clima. Um dos grandes destaques dentro da área de mobilidade foi a seleção da WEG para participação no e-Consórcio de fabricação do e-Delivery, da Volkswagen, o primeiro caminhão leve 100% elétrico do Brasil. A cia será responsável pelo fornecimento do powertrain elétrico, além de motores e inversores para sistemas auxiliares. Além disso, foi quando a WEG se consolidou como um dos principais fornecedores de produtos e soluções para usinas solares do país. Juntas, as usinas são capazes de gerar energia suficiente para abastecer mais de 200 mil residências e evitar o lançamento de 780,2 mil toneladas de CO² ano na atmosfera. A empresa também é um dos principais players do mercado brasileiro de energia eólica e atua no fornecimento de soluções completas para geração hidrelétrica, que desde 2018 houve aumento no fornecimento de soluções para CGH’s (Centrais Geradoras Hidrelétricas) até 5 MW.

Por fim, fazem parte do índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da B3 há oito anos seguidos, do índice DJSI-EM (Emerging Markets) desde 2014, dos índices do MSCI ESG LEADERS INDEX desde 2012, do índice FTSE4Good desde 2015 e do Índice de Carbono Eficiente da B3 (ICO2) desde 2017.

Conclusão

A pandemia de coronavírus surpreendeu o mundo todo, que teve de rapidamente se adaptar a nova realidade. Ela ficará marcada como a primeira crise de sustentabilidade do século 21, o que, de certa forma, contribuiu para um aumento da conscientização do investidor, que passou a destinar maior atenção para as questões ambientais, sociais e de governança.

As empresas que abordam o tema, sempre se provaram extremamente resilientes, mas a crise conseguiu enfatizar ao mercado a forte relação que existe entre questões sustentáveis adotadas por uma companhia e a sua performance. A correlação foi comprovada quando índices de sustentabilidade ao redor do globo seguiram com bons desempenhos, o que é bastante justificado pela baixa volatilidade de seus componentes, quando comparados a outras empresas que não possuem fatores ASG inseridos em suas estratégias, o que contribui para que estas sofressem menos com as grandes quedas dos mercados globais. A relação também passou a ser notada no nível corporativo, o que explica o crescente número de empresas dispendendo maior atenção aos tópicos, visando a entrada em índices de sustentabilidade e também o grande projeto interno da B3 de atualizar seus índices envolvendo as causas, as regras estabelecidas para determinada empresa fazer parte deles e ainda de avaliar a criação de novos, que também analisem tais critérios.

Acreditamos que a boa performance de companhias que abordam temas ASG durante a crise, pode estimular um aumento da procura e consequentemente da entrada de grande fluxos na indústria do investimento sustentável.

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