Guia Político | Impactos da saída do ministro Sergio Moro

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Paulo Guedes aborda mídia e reduz anseios sobre uma possível saída

Após uma reunião tida pela manhã com o presidente Jair Bolsonaro, o ministro Paulo Guedes (Economia) abordou a mídia em frente ao Palácio da Alvorada e afastou qualquer possibilidade de uma saída sua do governo – pelo menos no curto prazo. Apesar da intensificação no clima de incertezas causado pela saída do ex-ministro Sergio Moro, cuja embarcada no governo Bolsonaro foi intermediada pelo próprio Paulo Guedes, o discurso do ministro da economia soou pouco alterado. Guedes se mostrou comprometido com a sua missão no governo e com o próprio presidente Bolsonaro.

A despeito do discurso de business as usual proferido pelo ministro, Guedes confirmou discretamente o seu desconforto com o plano Pró-Brasil, anunciado pela a ala militar do governo na semana passada. O ministro demonstrou a sua resistência aos novos gastos declarando que o governo não fará “plano nacionais de investimentos”, requalificando a iniciativa como um estudo que representa uma continuidade do que já estava em curso e não uma ruptura da pauta de ajuste fiscal até então defendida pelo governo.

De certa forma, a demolição de um dos pilares centrais do governo (saída do Sergio Moro) torna Paulo Guedes ainda mais indispensável. Em 2020, o ministro terá de se conter com o seu papel de evitar excessos nas medidas emergências – como no caso do projeto de auxílio emergencial aos estados, onde Guedes busca estabelecer um teto para a reposição da arrecadação perdida pelos estados e municípios. Apesar do ano perdido, Guedes ainda aparenta estar comprometido com a sua missão de reformar o Estado brasileiro.

 

Resultados concretos dos fatos relatados pelo ministro Sergio Moro

Durante a semana, algumas ações resultarão do discurso de saída do ex-ministro Moro. Primeiro, o ministro Celso de Mello (STF) deve analisar um pedido que solicita a abertura de um inquérito de investigação, de autoria do Procurador Geral da República Augusto Aras baseado nos fatos relatados na sexta-feira passada por Moro. O inquérito cita uma longa lista de possíveis crimes (falsidade ideológica, coação no curso do processo, advocacia administrativa, prevaricação, obstrução de justiça, corrupção passiva privilegiada, denunciação caluniosa e crime contra a honra) que a PGR tem interesse em investigar. Celso de Mello pode determinar a abertura do inquérito ainda hoje.

Além da investigação na PGR, também existe a possibilidade que uma Comissão Parlamentar de Inquérito seja estabelecida para avaliar os mesmos fatos relatados pelo antigo ministro da Justiça. Caso tal comissão seja criada, Moro deve ser convocado para prestar esclarecimentos sobre as motivações que levaram a sua desbanda da pasta, que pode trazer novos fatos à tona que venham a prejudicar o governo.

Mesmo assim, nenhum dos dois representa uma ameaça no curto prazo. A investigação da PGR, chefiada por um nomeando do presidente, tende a resultar em desfecho favorável para Bolsonaro. Já a comissão deve se tornar um campo de batalha, onde aliados e oponentes disputaram espaço para defender narrativas contra e a favor do presidente. Apontar um cronograma para essa batalha é um pouco mias complicado. Será necessário averiguar a viabilidade de conduzir os trabalhos por meios remotos. Caso não seja viável, tal CPI terá de ser postergada por alguns meses.

 

Pesquisas de aprovação devem medir o efeito Moro sobre o eleitorado

Durante a semana, pesquisas tentarão quantificar o estrago resultante da saída do ministro nos dados de aprovação do presidente. As enquetes anteriores apontavam para uma estabilização na avaliação do governo que tinha iniciado uma trajetória descendente junto a chegada do coronavírus. A insistência do presidente em dar um fim precoce à quarentena, além do seu embate com o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde), ambos que tinham o respaldo de mais ou menos ¾ da população, prejudicaram a sua aprovação.

A expansão inédita de programas assistenciais que beneficiam as camadas mais humilde da sociedade deve amortecer o impacto negativo causada pela desbandada do ministro da Justiça. Boa parte dos mais economicamente vulneráveis julgam o governo exclusivamente pela quantia de recursos disponibilizados que chegam aos seus bolsos.

Mesmo assim, a saída do Moro deve registrar algum efeito. O mais provável é que uma parte relevante dos que avaliam a atuação do presidente como regular migrem para o ruim/péssimo. O grupo bom/ótimo deve sofrer uma desbandada menos acentuada. Ainda mais interessante do que isso, serão as indagações, ainda precoces, que avaliam a força de Moro como um possível presidenciável em 2022.

Até a sua saída do governo, Moro era o mais forte candidato no segundo turno, mas essas enquetes eram baseadas em cenários onde o ex-juiz disputava o pleito com figuras da esquerda (Lula, Ciro, Haddad, Dino etc…). As próximas pesquisas devem incluir cenários onde Bolsonaro disputa o segundo turno contra o próprio Sergio Moro. A possibilidade de uma rodada final com dois representantes da direita ainda é bastante remota. Mesmo assim, os resultados representarão uma interessante queda de braço entre os antigos aliados

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