Flash Macro | COPOM – Decisão da Taxa de Juro/março

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O Comitê de Política Monetária do Banco Central contrariou as expectativas do mercado e optou por uma alta de 0,75 ponto percentual na taxa Selic, retirando-a de seu piso histórico de 2,00%. Seguem os principais destaques do comunicado pós decisão: 

  • Cenário internacional, devido à manutenção de estímulos monetários e fiscais e avanço da vacinação, segue com perspectivas positivas no médio prazo; 
  • Expectativa de forte recuperação, no entanto, tem fomentando a alta dos juros externos, tornando o ambiente mais desafiador para economias emergentes; 
  • Economia brasileira teve forte recuperação no final do ano passado, mas dados ainda não refletem recrudescimento da pandemia. Incerteza em torno do crescimento segue acima do usual; 
  • Inflação local continua pressionada devido à valorização das commodities em âmbito internacional; 
  • Expectativas de inflação para 2021, 2022 e 2022 situam-se em, respectivamente, 4,60%, 3,5% e 3,25%; 
  • Projeções de inflação do Copom para 2021 e 2022 situam-se, respectivamente, em torno de 5,0%, 3,5% 
  • Balanço de riscos continua com assimetria altista por conta do ainda elevado risco fiscal. Ou seja, o risco fiscal segue criando trajetórias acima do esperado; 
  • Membros do Copom consideraram que a economia já não necessita de estímulos extraordinários; 
  • Os benefícios de uma alta mais rápida na taxa, de acordo com o Copom, encontram-se na redução da probabilidade de não cumprir a meta de inflação deste ano, assim como em garantir a ancoragem das expectativas para 2022; 
  • Para a próxima reunião, o Copom se comprometeu – salve mudanças drásticas nas expectativas ou no balanço de riscos – com mais uma alta da mesma magnitude. 

Nossa visão:

O Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil surpreendeu nossas – e do mercado – expectativas ao elevar a taxa Selic em mais de 50 pontos base. A alta mais intensa da taxa, como descrito, ocorreu em virtude de uma preocupação com o não cumprir as metas de inflação para o horizonte relevante da política monetária. Como comentamos em outra oportunidade, ao elevar a taxa agora, o Copom reduz o risco de contaminação das expectativas de inflação para 2022 em virtude de todas as incertezas fiscais e políticas que rodeiam o país. Ao sinalizar mais um corte de igual magnitude na próxima reunião, o Copom pretende reforçar o impacto deste movimento sobre as expectativas futuras. 

A decisão tomada pelo Copom hoje tem importantes implicações sobre diferentes ativos financeiros. O movimento, na medida em que surpreendeu as expectativas do mercado, tenderá a exercer maior influência sobre a cotação da taxa cambial. Na medida em que aumento os rendimentos dos títulos de renda fixa, tende a aumentar a demanda por reais, proporcionado uma valorização do real frente ao dólar. O movimento também tem efeitos importantes sobre a curva de juros. Ainda que pareça contra intuitivo, esta alta mais intensa da taxa tenderá a exercer pressão baixista sobre as taxas longas, pois reduz a necessidade de um aperto monetário maior no futuro. Por fim, também exerce influência sobre o mercado de renda variável. O aumento da taxa tende a aumentar o custo de oportunidade e manter capitais em renda variável, estimulando o clássico fluxo migratório de capitais entre renda fixa e renda variável. 

Para as próximas reuniões, membros do Copom devem continuar monitorando cuidadosamente o avanço da atividade, inflação e dados de política fiscal.  Para o fluxo de dados que ainda tem que ser divulgado, o cenário não é muito animador. Esperamos uma contração da atividade no primeiro semestre do ano, acompanhada de uma desaceleração significativa no ritmo de recuperação do mercado de trabalho. Frente a este cenário, que conta com o contínuo e agressivo avanço do vírus, o Copom segue frente a um cenário bastante desafiador: redução do grau de estímulo em meio às perspectivas deterioradas quanto ao processo de recuperação neste início de ano. 

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