Flash Macro | Produção industrial (PIM-PF) janeiro/21

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Em linha com as expectativas do mercado, a produção industrial avançou 0,40% no mês, dando sequência à anulação das massivas perdas ocorridas ao longo dos meses de março de abril, quando, por conta da implementação de medidas de restrição à mobilidade, registrou perda acumulada de 27,1%. O mês de janeiro é o nono resultado consecutivo positivo, concretizando uma expansão acumulada de 42,3% no período. Com o resultado, a produção industrial registra variação interanual de 2,0% catalogando, também, alta em duas das quatro grandes categorias.

No mês, a produção de bens de capital cresceu 4,5%, enquanto a manufatura de bens de consumo semiduráveis e não duráveis aumentou 2,0%. Bens intermediários e bens de consumo duráveis, no entanto, registraram perdas de, respectivamente, -1,3% e -0,7%. No acumulado dos últimos 12 meses, no entanto, o quadro segue desafiador. Bens de capital acumulam perda de -8,9%, bens intermediários, -0,80%, e bens de consumo, -9,0%. Entre os bens de consumo, os duráveis têm perda de -20,2% e os semiduráveis e não duráveis de -5,9%.

No mês de janeiro, os destaques positivos foram: alimentos (3,1%), indústrias extrativas (1,5%), produtos diversos (14,9%), celulose, papel e produtos de papel (4,4%), veículos automotores, reboques e carrocerias (1,0%) e de móveis (3,6%). Na ponta negativa, metalurgia (-13,9%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-10,6%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,4%), outros equipamentos de transporte (-16,0%), máquinas e equipamentos (-2,3%), produtos do fumo (-11,3%), manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (-4,9%) e produtos têxteis (-2,5%).

Nossa visão:

Em janeiro, a produção industrial continuou demonstrando resiliência, mas deu, assim tem sido nos últimos meses, constantes sinais de desaceleração no ritmo de recuperação. Ainda que tenha registrado avanço positivo na margem, desacelerou em relação aos meses passados, aos poucos demonstrando a perda de tração decorrente do recrudescimento da pandemia, piora nos índices de confiança, e, claro, o efeito contracionista sobre a atividade resultante da extinção do auxílio emergencial na virada do ano.

No mês, se manteve o descompasso de desempenho entre as grandes categorias que compõem o setor. A produção de bens intermediários – composto, majoritariamente, pela produção de bens ligados ao setor de commodities – manteve trajetória bastante positiva, auxiliada, nitidamente, pela manutenção de um elevado patamar nos preços das commodities e na cotação da taxa cambial. O cenário externo benigno, assim como a própria retomada interna da produção, tem beneficiado muito produtores de bens intermediários.

A produção de bens de capital – a maior alta do mês – também sustenta trajetória mais positiva, e reflete diretamente a retomada na demanda por investimento das empresas, que de fato surpreendeu positivamente na mais recente leitura do PIB (4T20). A expansão na produção de bens de capital é reflexo, também, da maior demanda por tais bens na esteira de um reduzido custo de capital, este determinado pela trajetória e manutenção da taxa básica de juros em patamares historicamente baixos. 

Na ponta final, a produção de bens de consumo, ainda que tenha se elevado em 1,0% na margem, segue fortemente pressionada. No acumulado dos últimos 12 meses, registra contração notável de 9,0%, influenciada pelo pobre desempenho de bens duráveis, que foram principalmente atingidos pela forte derrocada na produção de equipamento de informática, produtos eletrônicos e ópticos, além do efeito nocivo induzido pela retração na produção de outros equipamentos de transporte, exceto veículos automotores.

O ano apenas começou e, na ausência de estímulos fiscais massivos, compreendemos que a indústria tenderá a ficar pressionada no primeiro trimestre por conta da materialização do pior momento da crise sanitária desde o início da pandemia. O forte recrudescimento de casos e o semi-colapso dos sistemas de saúde estaduais por conta da aceleração nas hospitalizações freará a demanda, criando condições mais precárias para uma melhor contínua do setor. Ainda que negativo, entendemos que, devido à menor sensibilidade do setor a variações na taxa de propagação, o movimento não deve afetá-lo tanto quanto afetará o setor de serviços.

De qualquer maneira, na medida em que deteriora o mercado de trabalho e mantém a taxa de participação nele pressionada, contribui para enfraquecer a produção via queda de demanda, tornando a rápida vacinação da população ponto central daqui para frente. Reiteramos a mensagem que temos recorrentemente enfatizado: a vacinação será a principal ferramenta de política econômica para a crise, pois, como está ficando cada vez mais claro, o ano de 2021 será de retração fiscal e monetária.

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