Flash Macro | Prévia para o Copom – 17 e 18/03

Tempo de leitura: 3 minutos

Além de serem marcados pela extrema volatilidade nos mercados, os últimos dias têm alterado muito as expectativas sobre quais serão os próximos passos do COPOM (Comitê de Política Monetária), cuja decisão da taxa de juros está agendada para amanhã. Em função disso, apresentamos a nossa visão sobre os últimos acontecimentos e como estes devem direcionar o Comitê.

Em 1º lugar, apesar da grande incerteza que permanece sobre qual será a magnitude e duração dos impactos econômicos da crise atual sobre a economia brasileira, acreditamos que é razoável tirar esta conclusão: qualquer avanço no que tange a aceleração da atividade econômica foi novamente adiado.

Estamos no início do ciclo de disseminação do novo coronavírus e, portanto, fazemos projeções com base no que já estamos vendo no exterior. Pelo que tudo indica, o governo brasileiro será obrigado a reproduzir as estratégias de contenção usadas ao redor do globo, o que significa fechar a economia e reforçar a “tempestade perfeita” composta por choques tanto do lado da demanda quanto do lado da oferta. Olhando pela ótica da demanda, teremos consumidores deixando de ir às ruas atrás de bens e serviços por medo de contágio. Pelo lado da oferta, teremos o encerramento de atividades em várias etapas da cadeia de produção pelo fato de que operários são impossibilitados de produzir em “home office”. Estes choques se traduzem em duas sinalizações para o Copom.

Primeiro, o fato de as pessoas estarem deixando de consumir derivar da própria decisão de não consumir (em 1º momento) e não pela falta de renda, enquanto as empresas deixarão de produzir por conta da desarticulação da cadeia de produção e não pela falta de incentivo ao investimento, limitam muito o alcance da política monetária. Adicionalmente, a economia deverá permanecer ociosa (hiato negativo do produto), o que, junto com a queda generalizada dos preços das commodities, a queda da confiança para a realização de investimentos e o afrouxamento monetário coordenado entre as economias centrais, deverá manter a inflação confortavelmente abaixo da meta até o final do ano. Com isso, abre-se espaço para que o Copom volte a realizar cortes na taxa Selic sem que haja um grande risco de pressão sobre os preços da economia.

Em contrapartida, a crise política vivida atualmente no Brasil, com uma disputa entre o Executivo e o Legislativo ameaçando atrasar o andamento das reformas estruturais, além de pôr em risco a agenda de responsabilidade fiscal que vinha sendo preconizada pelo governo até recentemente, ameaça colocar a percepção de risco do país em trajetória ascendente. Nos últimos dias, o risco fiscal foi elevado após o Congresso Nacional derrubar o veto do presidente que alterava os requerimentos mínimos necessários para se ter acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), o que pode resultar em uma redução na economia do governo em um total de R$ 20 bilhões por ano – valor que representaria cerca de 25% do que será poupado com a reforma da previdência em 10 anos. A situação piora quando se leva em consideração os gastos adicionais que terão de ser aprovados com o objetivo de amortecer os impactos econômicos e conter a disseminação da doença (Paulo Guedes já anunciou o 1º pacote de 147 bilhões com estas finalidades).  Para o Copom, as implicações são uma revisão no balanço de riscos atual, principalmente no que tange a ancoragem das expectativas de inflação, com ênfase para a dinâmica que vem sendo verificada para o câmbio.

Dadas estas considerações, acreditamos que o Comitê terá condições de dar sequência ao ciclo de cortes da Selic de maneira cautelosa (0,25 p.p.), mantendo as portas abertas para movimentos adicionais nas próximas reuniões. Dito isso, reforçamos a importância de novas medidas de incentivo no âmbito creditício, assim como as que foram apresentadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) neste final de semana. No momento atual, novas linhas de crédito e um novo corte no compulsório, por exemplo, seriam medidas muito mais efetivas para ajudar as empresas afetadas por uma queda na receita a conseguirem rolar as suas dívidas e para o mercado conseguir aliviar a pressão derivada do crescimento da inadimplência no curto prazo do que um corte isolado na taxa juros.

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