Flash Macro | IPCA-15/março

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O Índice Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) acelerou a alta em março (dados coletados entre 12/02 e 15/03), registrando inflação de 0,93% após avanço de 0,48% em fevereiro. Com este resultado, o IPCA-15 registra variação de 2,21% no acumulado do ano e alta de 5,52% no acumulado em 12 meses. Assim, o resultado de março coloca a inflação do IPCA-15 acima do limite superior do intervalo de tolerância estipulado pelo Banco Central, de 5,25%.

Como esperado, a inflação de preços em março voltou a repercutir, principalmente, a pressão derivada do grupo de Transportes (3,79% m/m); categoria altamente sensível às movimentações da taxa de câmbio e das commodities de energia. Além dos Transportes, todas as outras categorias, com exceção de Educação, registraram alta nos preços.

O grupo de Transportes foi principalmente influenciado, novamente, pela alta nos preços dos combustíveis (11,63%). O item com maior impacto foi a gasolina (11,18%). Outros combustíveis como etanol (16,38%), óleo diesel (10,66%) e gás veicular (0,39%) também sofreram aumentos. Com isto, a categoria adicionou 0,76 p.p. à alta geral do índice e registra aumento de 5,08% no ano e avança 6,17% no acumulado dos últimos 12 meses.

A categoria de Habitação, que adicionou 0,11 p.p. à alta do índice – a segunda maior influência entre todas as categorias –, teve alta de 0,71%. A maior contribuição para alta da categoria advenho do gás de botijão (4,60%), gás encanado (2,52%) e taxa de água e esgoto (0,68%). Habitação registra, até o momento, alta de 1,41% no ano e de 4,92% nos últimos 12 meses.

Alimentação e bebias, a principal fonte de pressão no ano passado, deu sequência aos movimentos de desinflação que vem apresentando desde o início do ano. A categoria, por conta da queda em tomate (-17,50%), batata-inglesa (-16,20%), leite longa vida (-4,50%) e arroz (-1,65%) obteve inflação de apenas 0,12% no mês. No acumulado do ano, a categoria registra alta de 2,21% e, em 12 meses, aumento de 14,51%.

As demais categorias (Artigos de residência, Vestuário, Saúde e cuidados pessoais, Despesas pessoais, Educação e Comunicação) adicionaram 0,03 p.p à alta geral do índice, não registrando aumentos ou quedas expressivas.

Nossa visão:

A prévia do IPCA de março continuou evidenciado a vulnerabilidade dos preços domésticos às condições do mercado internacional. A acentuada valorização das commodities – em específico, a rápida e acentuada alta do petróleo – continuou pressionado a inflação local dos combustíveis que, como comentado, já registram elevado aumento neste primeiro trimestre do ano. A manutenção de uma taxa cambial excessivamente depreciada também contribui para a piora, tendo em vista que o reajuste dos preços internos leva em conta tanto a variação do preço do petróleo quanto eventuais depreciações ou apreciações da taxa de câmbio R$/US$.

Entendemos que, na medida em que a economia mundial dá sequência ao processo de recuperação e vai, aos poucos, flexibilizado o comércio em consonância com o ritmo de vacinação, a pressão dos combustíveis deverá ser mantida. Retomada econômica significa mais demanda por energia, que por sua vez induz maiores preços no mercado internacional e, naturalmente, estes serão repassados continuamente aos consumidores do mercado doméstico.

Já a categoria de Alimentos e bebidas deu continuidade ao processo de desinflação previsto desde o final do ano passado. Como comentado outrora, a inflação de alimentos vem perdendo força devido à queda de demanda derivada da extinção do auxílio emergencial. Não obstante, a categoria não registra deflação (variação negativa) devido à manutenção de um choque negativo de oferta local causado por uma taxa cambial sistematicamente depreciada. Com a renovação do auxílio emergencial a partir do mês que vem, tal redução de demanda poder ser parcialmente revertida, voltando a colocar pressão sobre a categoria.

O comportamento dos núcleos de inflação – medidas que desconsideram itens voláteis para melhor compreender a tendência dos preços – evidenciam, no entanto, que os preços ainda continuam pressionados muito por conta dos alimentos e dos preços administrados. O IPCA-EX0, que exclui alimentação no domicílio e preços administrados, registra alta de 2,75% em 12 meses. O IPCA-EX03, que agrega medidas subjacentes de Serviços e Bens Industriais, por sua vez, cataloga alta de 3,20% em 12 meses. A média dos cinco núcleos acompanhados pelo BCB, registra movimento similar: alta de 3,29% em 12 meses.

Em relação à política monetária, entendemos que a recente aceleração do IPCA-15 cria ainda mais razões para dar continuidade ao recém iniciado processo de normalização parcial da taxa Selic. Continuamos esperando um alta de 75 bps para 3,50% na taxa básica, mas entendemos que, caso a inflação se demonstre mais forte do que o esperado, ou as expectativas de inflação continuem sofrendo constantes e agressivos aumentos – com destaque às projeções para 2022 –, a alta da próxima reunião poderá adicionar 1 ponto percentual cheio à Selic.

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