Flash Macro | Indústria volta a perder fôlego em março, mas demonstra resiliência (PIM-IBGE)

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A produção industrial contraiu 2,4% em março, dando sequência às perdas registras em fevereiro, quando havia recuado 1,0%, em virtude da contínua piora dos índices de contágio, e interrompido uma sequência de nove altas consecutivas. Com isto, entretanto, a produção industrial cataloga alta de 10,5% na comparação interanual – reflexo, em parte, dos efeitos-base proporcionados pela queda acentuada do índice em março do ano passado. No acumulado dos último 12 meses, a indústria registra retração de 3,1%.

A queda da produção industrial foi observada em três das quatro grandes categorias econômicas. Na margem, bens de capital caíram 6,9% e bens de consumo, 11,0%. Entre os bens de consumo, os bens duráveis tiveram contração de 7,8%, ao passo que bens semiduráveis e não duráveis caíram 10,2%. Na ponta positiva, bens intermediários registraram leve expansão de 0,2%. Verifique a tabela abaixo ver os resultados interanual e acumulado no trimestre e nos últimos 12 meses das categorias da indústria.


               Fonte: IBGE. Elaboração: Guide Investimentos

A queda na produção de bens de capital foi puxada tanto pela queda na produção de bens de capital, excetos equipamentos de transporte (-2,8%), como máquinas e equipamentos, quanto pela produção de equipamentos de transporte industrial (-2,5%), como veículos automotores.

A produção de bens intermediários refletiu, principalmente, o bom desempenho de alimentos e bebidas elaborados destinados à indústria (9,7%) e combustíveis e lubrificantes básicos (2,3%).

A produção bens de consumo duráveis repercutiu, principalmente, a forte contração (-17,3%) da produção de automóveis para passageiros que sofreu, também, com os efeitos negativos proporcionados pela queda na produção de peças e acessórios para equipamentos de transporte (-4,8%). Já a queda bens semi e não duráveis refletiu, principalmente, a contração de produtos têxteis (-8,0%) e a confecção de artigos de vestuário e acessórios (-15,1%).

Nossa visão:

Como esperado, a produção industrial reagiu com queda à piora do quadro sanitário e à consequente reintrodução de medidas de isolamento social mais agressivas em março. Na medida em que tais ocorrências causaram um arrefecimento da demanda, induziram uma contração da atividade no setor industrial. A despeito da queda, impressiona o fato de que, mesmo e meio a um cenário de restrição à mobilidade, ausência de suporte fiscal e queda da demanda, a produção industrial caiu menos do que em março do ano passado, quando despencou 9,1% na margem.

Tal fato é indicativo de que o efeito da nova onda e dos lockdowns sobre a atividade econômica está, de fato, sendo menor, e aponta para um grande grau de resiliência da atividade frente à intensa derrocada do quadro sanitário que vem se concretizando desde o início do ano. É importante notar que o setor industrial é menos sensível à taxa de propagação do vírus e consegue – ao contrário do setor de serviços – se adequar ao cenário pandêmico com maior facilidade. Após um ano de pandemia, é natural que a produção consiga se ajustar, sem causar disfunções maiores, à dinâmica trazida pela segunda onda de infecções.

A produção de bens de capital, que em parte reflete a demanda por investimento das empresas, vem perdendo fôlego desde o início do ano, mantendo o resultado em 12 meses em patamar notadamente negativo. A despeito de juros reais de curto prazo historicamente baixos, o forte aperto das condições financeiras (alta dos juros de médio e longo prazo) desde o início do ano vem retirando força deste canal. Tal problema tende a sofrer intensificação adicional ao levar em conta as enormes incertezas – como consequência de um mercado de trabalho deteriorado – ligadas à trajetória futura da demanda por bens.

Já o resultado produção de bens de consumo, tanto duráveis quanto semi e não-duráveis, também embute um cenário de desafiador. O mercado de trabalho pena para ganhar tração, com a taxa de desemprego demonstrando enorme resistência à queda, e diversos índices de confiança do consumidor apontaram que, mesmo em abril, a demanda não ganhou tração relevante.  A reedição do auxílio emergencial a partir de abril pode promover algum alívio, mas nada muito significante, pois seu valor real – isto é, seu poder de compra – é menor do que foi no ano passado, quando a inflação estava em patamar menor.

Por fim, o grande destaque da indústria continua sendo a categoria de bens intermediários. A categoria, além de apresentar expansão no mês, já está no zero a zero no acumulado dos últimos 12 meses. A retomada da demanda global, principalmente por commodities de energia e metálicas, aliada às restrições de oferta em importantes partes do mundo, tem beneficiado intensamente a categoria por meio de uma alta dos preços. É esperado que está tendência continue, uma vez que não se espera um arrefecimento no preço de tais produtos nos mercados internacionais ao longo dos próximos meses.

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