Flash Macro | IBC-Br Julho 2020

Resultado: +2,15% m/m; -4,89% a/a

Projeção (Guide): +3,00% m/m; -5,00% a/a

Leitura anterior (Revisado): +5,32% m/m; -6,32% a/a

IBC-Br: Índice de atividade do BC - julho 2020

O índice de atividade do Banco Central registrou crescimento de 2,15% em julho, refletindo o bom desempenho das pesquisas setoriais para o mês.  A alta é positiva, mas se apresenta como uma desaceleração com relação ao mês de junho, quando havia avançado 5,32% na margem. Com relação ao mesmo mês do ano anterior, o índice cataloga baixa de -4,89%, ao passo que registra baixa de -5,77 no ano e -2,90% nos últimos 12 meses.

Todos os três grandes setores (varejo, indústria e serviços) registraram crescimento no mês de julho.

As vendas no varejo no sentido restrito, que não contemplam as vendas de veículos automotores e materiais de construção, avançaram 5,20%, apresentando considerável desaceleração com relação a maio e junho, quando tinham crescido, 13,3% e 8,5%, respectivamente. Em termos interanuais, isto é, com relação ao mesmo mês do ano passado, as vendas no varejo registram alta de 5,5%. No sentido amplo, que contempla os itens supramencionadas, as vendas no varejo apresentaram alta de 7,2% em julho, após forte recuperação de 12,6% no mês diretamente anterior. Com isto, o resultado interanual do varejo ampliado também se situa em território positivo de 1,6%.

A produção industrial avançou 8,0%, após ter apresentando alta de 8,7% e 9,7% em maio e junho, respectivamente. Apesar das constantes altas, o ritmo de expansão ainda não é suficiente para recuperar a monumental queda de 27,0% acumulada nos meses de março e abril. A indústria registra baixa de 3,0% com relação ao mesmo período do ano passado e no acumulado dos setes meses do ano, há perda de 9,6%. Nos últimos 12 meses, o setor ainda acumula redução de 5,7%.

O setor de serviços mostrou um crescimento de 2,6% no volume de serviços, após alta de 5,2% em junho. O avanço acumulado nestes dois meses foi de 7,9%, mas insuficiente para recuperar a queda de 19,8% nos quatro meses consecutivos de queda de fevereiro a maio. Com relação a igual mês do ano anterior, o setor registra baixa de 11,9% e, no acumulado do ano e nos últimos 12 meses, recuo de 8,9% e -4,5%, respectivamente.

Nossa visão: Sem trazer grandes novidades, o resultado positivo do IBC-Br não configurou uma grande surpresa, uma vez o desempenho dos principais setores da economia apontava para tal resultado. De qualquer maneira, o dado dá sustentação à teses que temos apresentando recorrentemente: o processo de recuperação econômica tende a ser forte nos primeiros meses, mas perde tração ao longo do tempo devido ao efeito transitório da reabertura e dos estímulos fiscais e monetários.

Assim, como em outros relatórios, reforçamos que o movimento de recuperação deve continuar perdendo força em função de dois fatos relevantes:

A deterioração e elevada incerteza verificada no mercado de trabalho – a despeito de alguma melhora recente – continuará preconizando um nível de dispêndio aquém do desejado, inibindo uma retomada mais concreta da economia como um todo. As dificuldades encontradas no mercado de trabalho tendem a se amplificar quando levamos em conta sua natureza engessada. Aqui, o processo de demissões e contratações é penoso, custoso e altamente inflexível, tornando o processo de absorção da mão de obra ociosa extremamente lento. Soma-se a isso (ii) o fato de que o auxílio emergencial foi reduzido pela metade (R$ 300/mês) a partir de setembro, cria-se um terreno fértil para que o consumo assuma uma trajetória notadamente menos benigna. Por último, o vai-e-vem de Brasília com relação à agenda reformista pena para estabelecer um fio de credibilidade estável, inviabilizando uma retomada mais efetiva da confiança e, consequentemente, dos níveis de investimento por parte dos produtores.

Para os próximos meses, esperamos que o IBC-Br siga em frente com o processo de desaceleração já verificado entre maio e julho. A despeito da melhora, é importante lembrar que a atividade agregada, no acumulado do ano, segue em patamar preocupante. Diante de tal fato, e tendo em vista o provável retorno do ajuste fiscal no ano que vem, seguimos acreditando em uma retomada longa e tumultuosa para a economia brasileira, principalmente entrando no 4º trimestre de 2020.

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