Flash Macro | FOMC outubro/20

O comitê de política monetária do Federal Reserve (Fed) divulgou hoje a sua decisão de política monetária e optou por manter a meta para a taxa de juros americana (Federal Funds Rate) em seu intervalo atual de 0,00% a 0,25% a.a., reforçando seu comprometimento em usar todas as ferramentas que tem ao seu dispor para dar suporte à economia americana no comunicado pós-reunião.

No documento, o comitê voltou a ressaltar a forte deterioração da atividade econômica induzida pelas medidas de distanciamento social implementadas no combate à pandemia, além da taxa de desemprego historicamente alta que passou a caracterizar o mercado de trabalho – fator que também contribuiu para aumentar a desigualdade social no país.

Em relação à dinâmica dos preços, a manutenção da cotação do petróleo no mercado internacional a níveis reprimidos reforçou o choque deflacionário que derivou da forte queda na demanda por bens e serviços, afastando o nível de preços da meta de 2,0% estabelecido pela instituição. Assim, tendo em vista as ameaças que a pandemia ainda representa no médio prazo pela pressão que foi colocada sobre as forças produtivas do país – principalmente tendo em vista as dificuldades que estão sendo encontradas na contenção do vírus –, o Comitê explicitou que planeja manter a taxa de juros no patamar atual até que seus membros estejam confiantes de que a economia americana superou os efeitos derivados da crise e está indo na direção do seu mandato (pleno emprego e estabilidade de preços).

Especificamente com relação ao nível de preços, o comitê espera manter a taxa de juros no seu patamar atual até que a inflação (PCE) opere moderadamente acima de 2,0% por algum tempo, de tal forma que a inflação atinja 2,0% na média e as expectativas sigam ancoradas pela meta. Nesta frente, o comunicado voltou a frisar a importância da contenção da 2ª onda do vírus nos EUA que, segundo o BC americano, é a maior fonte de incerteza com relação ao ritmo de retomada da atividade no país.

No tocante ao mercado de crédito, o comitê relatou que verificou melhoras nas condições financeiras, refletindo em parte as medidas econômicas de sustento à economia e uma melhora no fluxo de crédito para as famílias e empresas. Apesar dessa evolução, a instituição voltou a se comprometer a continuar inflando seu balanço através da compra de títulos de dívida em ritmo pelo menos igual ao atual, de forma a assegurar o bom funcionamento do mercado e a transmissão efetiva das políticas de afrouxamento monetário que vem sendo utilizadas para impulsionar o fluxo de recursos para as famílias e empresas. 

Diferente do usual, a decisão contou com duas dissidências, com Robert S. Kaplan (Dallas) e Neel Kashkari (Minneapolis) votando contra a mensagem passada pelo grupo no comunicado. Kaplan advogou a favor de uma maior flexibilidade com relação à estratégia do Fed uma vez alcançados os mandatos de pleno emprego e estabilidade dos preços em torno da meta enquanto Kashkari preferiria ter sinalizado que o Fed alterará o nível de estímulo a partir do momento que a inflação, no núcleo (medida que desconsidera componentes menos voláteis como preços de alimentos e de energia), opere de maneira sustentável ao nível de 2,0%.

Nossa visão

O Federal Reserve confirmou expectativas de mercado por uma postura mais dovish (mais favorável a uma postura mais acomodatícia – juros mais baixos – e menos preocupado com a inflação) ao reforçar a manutenção da implementação de medidas de injeção de recursos e estímulos monetários por um período estendido.

Como principais novidades, Powell reiterou a mudança na abordagem da política monetária do Federal Reserve, sinalizando que o BC americano irá permitir que o nível de preços supere a meta por algum tempo, de forma que a inflação média esteja em 2,0%. Em outras palavras, o Fed não irá aumentar a taxa de juros de maneira preventiva uma vez que a inflação convirja em direção a meta, mantendo uma postura acomodatícia por mais tempo. Corroborando esta visão, as projeções do FOMC mostraram que o comitê espera alcançar a sua meta de estabilidade de preços em torno da meta em 2023 e, até lá, não prevê ajustes no nível da taxa de juro.

Powell ainda reforçou a importância da aprovação de um novo pacote de estímulos econômicos no Congresso em conjunto à postura extremamente acomodatícia do banco central americano, uma vez que o Fed facilita o fluxo de recursos, mas não tem a autoridade para distribuí-los como o governo. Segundo o presidente do BC americano, a falta de um novo programa de auxílio aos desalentados pela pandemia pode ter repercussões alarmantes. Na falta de planos com este, o afrouxamento das condições financeiras se torna ainda mais crucial, pois a falta de recursos deverá levar as famílias a cortar o consumo de bens e serviços, pesando sobre a recuperação da economia.

Assim, podemos esperar um Fed “empurrando” a economia por muito tempo, de forma a alavancar a retomada da atividade aos níveis pré-pandemia, um trabalho que só terá sucesso caso o Congresso consiga avançar na aprovação de um novo pacote de estímulo trilionário. Tendo isso em vista, este impasse e a chegada das eleições presidenciais nos EUA passam a tomar a frente como fortes fontes de incerteza com relação ao rumo da maior economia do mundo e serão acompanhados de perto junto com a evolução do quadro sanitário do país até a próximo reunião (4-5 de novembro).

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