Flash Macro | Copom eleva Selic para 3,50% e mantém plano de normalização parcial do juro

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O comitê de política monetária do Banco Central confirmou suas intenções e elevou a taxa Selic em 75 bps para 3,50% a.a. Abaixo, verifique os principais destaques do comunicado:

• O cenário internacional permanece mais desafiador em função da reprecificação de importantes ativos financeiros – como os juros de longo prazo – por conta de um risco inflacionário que decorre da implementação das campanhas de imunização e dos estímulos econômicos;

• A atividade econômica apresentou resultado melhor do que o esperado recentemente, mas a intensidade da segunda onda se mostrou maior do que o esperado, mantendo a incerteza a respeito do crescimento acima do usual;

• Inflação corrente continua sendo pressionada pelas commodities e por alguns preços administrados, como a bandeira tarifária, que passou a ficar em nível mais elevado recentemente;

• Assumindo que a Selic encerra o ano de 2021 e 2022 em, respectivamente, 5,50% e 6,25%, a projeção de inflação do BC fica em 5,1% para 2021 e 3,40% para 2022;

• O balaço de risco continua com viés altista por conta do risco fiscal em alta, que somente será sanado com um avanço mais relevante das reformas estruturais;

• O Copom deu continuidade ao processo de normalização parcial da taxa, mas enfatizou que isto não é um compromisso e que a política monetária poderá ser ajustada para garantir o cumprimento da meta de inflação;

•  Copom antecipou mais uma alta na taxa de juro de igual magnitude para a reunião de junho.

Nossa visão:

A terceira decisão de política monetária do ano não trouxe grandes novidades. Como antecipamos em diversas oportunidades, o Copom manteve o trecho que sinaliza a intenção de normalização parcial da taxa até o fim do ano. Como comentamos, a manutenção deste plano de voo se deu muito em função da relativa estabilidade nas projeções de inflação do BCB – e do cenário – com relação à última reunião. Na reunião de março, o BCB projetava IPCA para 2021 e 2022 em, respectivamente, 5,00% e 3,50%. A relativa estabilidade das projeções era esperada, tendo em vista que o cenário traçado pela instituição, assim como os índices de inflação divulgados até então, não prescreveram um ajuste abrupto das projeções.

O interessante a se notar é que as projeções atuais do BCB utilizam uma Selic que encerra o ano em 5,50%, e não em 4,50%, como observado no último comunicado. Pode-se observar que, nesta situação, o IPCA encerrará o ano de 2022 abaixo da meta de 3,50%, indicado que, dada as informações atuais, a Selic tende mais para 4,50% no final do ano, como indica nossa expectativa, do que para valores muito acima disto, como 6,5%, tal qual precifica atualmente a curva de juros. Afinal, o objetivo da política monetária é colocar a inflação no centro da meta. Se uma Selic a 5,50% coloca o IPCA de 2022 – o principal alvo da política monetária agora – abaixo da meta, fica claro que este não pode ser o nível correto em termos de cumprir a meta inflacionária.

O comunicado deve, de forma geral, trazer um alívio às expectativas, principalmente em função do trecho que citou que “não há compromisso com essa posição [normalização parcial] e que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação.” Claro, aqueles que acreditavam na retirada do trecho de normalização parcial foram decepcionados, mas o fato de que o BCB se comprometeu com a meta de inflação, passando uma mensagem de “custe o que custar” para cumpri-la caso seja necessário, deve atender parcialmente os desejos daqueles que cobravam uma postura mais hawkish da autoridade.

Erramos ao prever que o Copom não daria uma sinalização concreta quanto aos seus próximos passos, mas compreendemos que a estratégia faz parte de sua intenção de promover um ajuste mais célere da política monetária. O movimento é, muito provavelmente, uma tentativa de prevenir uma deterioração adicional das expectativas de inflação, que vem subindo recorrentemente desde o início do ano. Entre março e maio, o Copom teve um sucesso parcial em conter essas expectativas. Caso a política fiscal não apresente novas surpresas negativas – ou até melhore na margem –, este deve novamente ser o caso até a reunião de junho.

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