Flash Macro – Ata do Copom Fev/20

A Ata do Copom não trouxe uma gama de novidades. Além de reiterar que o balanço de riscos está assimétrico para cima, fez alguns comentários pontuais com relação à ociosidade da economia brasileira e de que forma a disseminação do novo coronavírus pode impactar a condução da política monetária.

Sobre o balanço de risco, comunicou que enquanto a alta ociosidade puxa a inflação para baixo, o atual grau de estímulo, que atua com defasagens em um momento de transformação financeira, eleva as incertezas em torno dos canais de transmissão e pode elevar a inflação além do nível almejado. Este risco intensifica-se caso (i) a reformas fiscais encontrem um impasse ou (ii) o cenário externo de deteriore para economias emergentes.

Sobre o primeiro, membros do comitê ressaltaram que existe um descompasso entre recuperação do mercado de trabalho e o de bens e serviços.

Enquanto o primeiro demonstrou constante processo de recuperação, o segundo, como indicado por índices de produção industrial e investimento, segue penando. Isto deve-se, em parte, a uma restrição de oferta criada a partir do esgotamento do “modelo de alocação centralizada de capital”. Na prática, isto significa que políticas econômicas implementadas por governo anteriores – onde o governo agia como um empresário – reduziram o produto potencial da economia brasileira. Para a política monetária, isto significa que o nível de ociosidade talvez seja menor do que anteriormente estimado, o que eleva a cautela em torno de cortes futuros na taxa Selic.

No que tange ao coronavírus (nCov-2019), membros do comitê afirmaram que a reação da política monetária à disseminação do vírus dependerá na “da magnitude relativa da desaceleração da economia global versus a reação dos ativos financeiros.” A desaceleração da economia global reduz a demanda por exportações brasileiras, ocasionando uma queda na demanda agregada que deteriora o setor externo brasileiro, pressiona a inflação para baixo e prescreve, em teoria, uma redução do juro. A disseminação do nCov-2019, por impactar negativamente a demanda global – mas principalmente a chinesa – por commodities, reduz o preço dos mesmos e coloca uma pressão baixista sobre as ações de grandes empresas brasileiras exportadoras de commodities, afetando negativamente a atividade local e elevando a volatilidade, o que também prescreveria um estímulo adicional.

Nossa Visão: De modo geral, o Comitê voltou a justificar o encerramento do ciclo nos patamares atuais em março, mas deixou a porta aberta para novos estímulos em reuniões posteriores. Porém, reforçamos que só vemos o Copom voltando a agir com mais um corte perante uma deterioração relevante dos indicadores de atividade domésticos e/ou do quadro externo – o fato da Ata voltar a ilustrar um balanço de riscos assimétrico para cima com base na defasagem de atuação de política monetária e no andamento da agenda de reformas do governo reforça essa tese. Caso contrário, acreditamos que a Selic se mantenha nos patamares atuais, pelo menos até que haja uma maior clareza em relação a estes pontos.

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