Flash Macro | IPCA-15/janeiro

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A prévia do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) de janeiro apresentou inflação 0,78%, sinalizando uma redução de 0,28 ponto percentual (p.p.), em relação a dezembro, quando o índice teve alta 1,06%, e uma variação de 4,30%, no acumulado de 12 meses. Esse é o maior resultado para o mês de janeiro, desde 2016, quando o IPCA-15 teve alta de 0,96%.

A categoria de Alimentação e bebidas passou por uma redução do índice, em comparação com dezembro, passando de 2% para 1,53%, principalmente por conta dos alimentos para consumo no domicílio, que passaram de 2,57% para 1,73%. O maior impacto positivo entre os itens pesquisados foi das frutas, que foram de 3,62% para 5,68%, e o negativo foi o preço do tomate (-4,14%). A alimentação para consumo fora do domicílio acelerou 1,02%, principalmente por conta da variação de 1,45% no preço dos lanches. O grupo apresentou uma variação acumulada em 12 meses de 14,01%.

No grupo Habitação, houve alta de 1,44%, com o maior impacto vindo do item energia elétrica, que aumentou 3,14% e teve uma variação menor do que o mês anterior, devido a mudança da bandeira tarifária de vermelha para a amarela, que acresce R$1,343 na conta de luz a cada 100 quilowatts-hora consumidos. Além disso, o aumento pelo 8º mês consecutivo no preço do gás de botijão (2,42%) também impactou a categoria. A categoria registrou um avanço de 4,73% no acumulado do ano.

Nos Transportes, houve uma desaceleração considerável de 1,43% para 0,14%, por conta de dois principais fatores: a queda nos preços das passagens aéreas (-20,49%) e a alta menos intensa da gasolina (0,95%). Também se destacam as variações positivas dos automóveis novos (0,92%) e usados (0,88%) e dos transportes por aplicativo (8,72%). O grupo teve um avanço acumulado em 12 meses de 0,57%.

As demais categorias do IPCA-15 (Artigos de residência, Vestuário, Saúde e cuidados pessoais, Despesas pessoais, Educação e Comunicação) apresentaram, exceto o grupo de Comunicação, avanços que adicionaram 0,21 p.p. ao índice geral desse mês.

Nossa visão:

Em linha com nossas expectativas, a prévia do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo confirmou o processo de desaceleração no ritmo de avanço dos preços. Após sete meses de aceleração constante na margem, a desinflação observada em janeiro continua a refletir a perda de tração no ritmo de recuperação econômica.

Especificamente, a considerável desaceleração na categoria de alimentos e bebidas (de 2,00% em dezembro pra 1,53% em janeiro) – a principal responsável pela aceleração da inflação no ano passado – já evidencia o impacto baixista sobre os preços proporcionado pela redução de demanda causada pela extinção do auxílio emergencial. Ainda assim, compreendemos que, por conta da persistência de uma taxa de câmbio nominal ultra-desvalorizada e consequente manutenção de uma pressão negativa no lado da oferta, o choque dos alimentos deve ter duração maior do que observado em outros episódios parecidos.

Os núcleos de inflação, que capturam o movimento dos preços ausentem de fatores extremamente voláteis, deram sequência aos movimentos de alta, mas ainda seguem confortavelmente em linha com os intervalos de tolerância das metas de inflação. A média dos cinco núcleos acompanhados pelo BCB apresentou alta de 0,39% em dezembro para 0,65% em janeiro. O resultado levou a inflação acumulada na média do núcleo em 12 meses para a casa dos 2,70%.

Entrando em 2021, fica claro que a inflação de preços da economia continua caracterizada pelo avanço dos preços ligado à categoria de alimentos. Serviços e produtos indústrias ainda continuam com caráter relativamente contido e a extinção de diversos programa de manutenção da renda e do emprego, além de algumas instalações de crédito criadas pelo BCB, aliados ao atraso na campanha de vacinação e consequente prolongamento dos efeitos recessivos da pandemia, devem confirmar a continuidade deste movimento. 

Ainda, não se pode esquecer que a permanência de um elevado risco fiscal tende a produzir uma trajetória potencialmente altista sobre a inflação. Na medida em que permanecem as pressões pela extinção do auxílio emergencial sem contrapartida fiscal com a aprovação de alguma medida de ajuste das contas públicas, o real deve ficar sob pressão, apresentando alta volatilidade em nível elevado e criando condições para que os preços locais sejam continuamente contaminados pela taxa de câmbio.

Em termos de política monetária, o resultado confirma, ao menos parcialmente, o arrefecimento na inflação de preços prevista pelo Copom. A autoridade monetária abandonou o Forward Guidance, mas a existência de um ambiente econômico extremamente deteriorado, conjugado à desaceleração na inflação, faz jus ao diagnóstico do Copom de que a economia brasileira segue prescrevendo um grau de estímulo monetária extraordinariamente elevado.

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