Flash Macro | IPCA-15/fev

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A prévia do Índice de Preços ao Consumidor Amplo desacelerou para 0,48% em fevereiro, ante avanço de 0,78% em janeiro. Com o resultado, o principal índice de preços da economia passa a registrar alta acumulada em 12 meses de 4,57%, acima do registrado em janeiro, quando estava em 4,30%. O resultado do índice foi principalmente influenciado, como mencionamos, pelos grupos de alimentos, transportes, educação e, em menor grau, habitação.

A categoria de alimentos e bebidas desacelerou da alta verificada em janeiro (1,53%) para 0,56%, puxada principalmente pela desinflação dos alimentos para consumo no domicílio, que passaram de alta de 1,73% em janeiro para 0,56% no atual mês. No mesmo sentido, batata-inglesa (-5,44%), leite longa vida (-1,79%), óleo de soja (-1,73%) e do arroz (-0,96%) também contribuíram para a queda. Alimentação fora do domicílio também arrefeceu, com alta de 0,56% ante 1,02% em janeiro. No ano, a categoria avança 2,09% e, em 12 meses, 14,77%, adicionando 0,12 p.p a alta geral do índice.

Os transportes, por sua vez, refletiram primordialmente a alta no preço dos combustíveis (3,34%), com impacto considerável da gasolina (3,52%), que subiram pelo oitavo mês consecutivo. O óleo diesel (2,89%), etanol (2,36%) e o gás veicular (0,61%) também avançaram. No ano, a categoria registra alta de 1,25% e, em 12 meses, de 1,48%. A categoria adicionou 0,22 p.p. na alta total do índice.

A categoria de educação, na contramão, acelerou o movimento de alta de 0,11% em janeiro para 2,39% em fevereiro, repercutindo o reajuste habitual de início de ano das mensalidades, mas também a retirada de descontos exercidos por parte de diversas instituições. Houve alta da pré-escola (6,14%), do ensino fundamental (4,71%) e do ensino médio (4,23%). O ensino superior e a pós-graduação apresentaram variações de 0,91% e 2,27%, respectivamente. A categoria adicionou 0,15 p.p. à alta total dos índices, e registra avanço de 2,51% no acumulado do ano e de -0,07% em 12 meses.

Habitação, na contramão das demais categorias, deflacionou em 0,74%, refletindo a queda na energia elétrica (-4,24%), que conta com a manutenção da bandeira amarela. Destaca-se também, no entanto, a alta de 3,18% no gás de botijão, assim como o avanço do gás encanada (1,19%) e a taxa de água e esgoto (0,45%). A categoria retirou 0,12 p.p. do índice cheio e acumula avanço no ano e em 12 meses de, respectivamente, 0,69% e 3,89%. As demais categorias (artigos de residência, vestuário, saúdes e cuidados pessoais, despesas pessoais e comunicação) avançaram ligeiramente e adicionaram, conjuntamente, 0,10 p.p. à alta geral do IPCA-15.

Nossa visão:

A leitura de fevereiro do IPCA-15 deixa claro como o incessante avanço das commodities e a elevada cotação da taxa cambial continuam a influenciar com bastante força o índice de preços local. Como destacado, o avanço dos combustíveis – reflexo da política de preços da Petrobras que acompanha o valor do preço do barril e do dólar – foi o principal responsável pela alta dos preços em fevereiro. Ainda que os alimentos tenham passado por um arrefecimento, refletindo a queda de demanda que acompanhou a extinção do auxílio emergencial, seguem sob a influência do choque negativo de oferta causado justamente pelo câmbio desvalorizado e pelo elevado patamar das commodities.

No que se refere ao avanço futuro da categoria de transportes, há de se levar em conta o recente imbróglio político envolvendo Bolsonaro, Castello Branco e a nomeação de Silva e Luna para chefiar a petroleira. Caso o novo mandante se submeta às vontades política de Bolsonaro de frear o reajuste do preço interno da gasolina, a pressão derivada da categoria tenderia a arrefecer. Por ora é difícil julgar se isto de fato acontecerá, pois não se sabe (i) até que ponto Silva e Luna será submisso a Bolsonaro e (ii) de que forma isto pode efetivamente afetar a política de preços da Petrobras, definida no estatuto da empresa. Boa parte da inflação dos preços segue caracterizada pela inflação dos alimentos, que seguem avançando e, de acordo com os critérios do BCB, já atingem alta acumulada em 12 meses ligeiramente superior a 19,0%. Ainda assim, o gradual processo de recuperação e continuidade no processo de reabertura continua alimentando o descompasso entre oferta e demanda no consumo de produtos industriais. Embora os produtos indústrias tenham desacelerado a alta de 0,85% para 0,60% entre janeiro e fevereiro, acumulam avanço de 4,12% em 12 meses acima da meta de 3,75% para o ano de 2021. Os serviços, no entanto, seguem bastante deprimidos (1,28% em 12 meses), naturalmente refletindo a ausência de um controle mais efetivo da pandemia.

No que se refere à atuação do BCB, a visão geral é de que a manutenção de um risco político excessivamente elevado está aumentando as chances de a autoridade monetária retirar os estímulos monetários de forma relativamente precoce. Como comentando, a taxa de câmbio ultra desvalorizada – consequência de um elevado risco fiscal que não viabiliza a absorção dos efeitos positivos trazidos pelos termos de troca mais favoráveis – segue pressionando os alimentos e os combustíveis, acentuando a influência altista, cujo BCB não tem nenhum controle, do avanço dos preços internacionais das commodities. Por ora, mantemos o diagnóstico de alta na taxa Selic apenas em maio – afinal, as condições objetivas da economia continuam a prescrever um extraordinário grau de estímulo monetários –, mas compreendemos que desenvolvimento políticos que podem agravar um risco fiscal já elevado podem forçar o início o ciclo de normalização antes do que o antecipado.

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