Flash Macro | IPCA-15 dezembro/20

Tempo de leitura: 3 minutos

Resultado: +1,06% m/m; 4,23% a/a
Projeção (Bloomberg): +1,17% m/m; 4,35% a/a
Anterior: +0,81% m/m; +4,22% a/a

Prévia do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15)

A prévia do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) acelerou a alta em dezembro, registrando avanço 1,06% ante alta de 0,81% em novembro. Com o resultado, a inflação fechou o ano em 4,23%, acima do centro da meta de 4,00% mas dentro do intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual.

Com exceção da categoria de Vestuário (-0,44%), todas as categorias registram variação positiva. Alimentos e bebidas desaceleraram a alta de 2,16% para 2,00%; Habitação avançou de 0,34% para 1,50%; Artigos de residência passou de 1,40% para 1,35%; Transportes foram de 1,00% para 1,43%; Saúde e cuidados pessoais ficou praticamente estável ao ir de 0,04% para 0,03%; Despesas pessoais avançou de 0,14% para 0,39%; Educação teve alta de 0,01% para 0,34% e Comunicação passou de 0,06% para 0,46%.

Como destaque do resultado, pontuamos a pressão das seguintes categorias.

A categoria de alimentos e bebidas voltou a ser o principal responsável pela alta do índice total, adicionando 0,46 pontos percentuais ao resultado do índice. Consumo no domicílio (2,57%) avançou em detrimento do consumo fora do domicílio, que desacelerou de 0,87% para 0,58%. Entre os itens de consumo no domicílio, destaca-se o avanço para as carnes (5,53%), o arroz (4,96%) e as frutas (3,62%).

Habitação, muito por conta do reajuste tarifário da bandeira verde para vermelha por parte da Aneel, foi principalmente influenciado pelo subitem de energia elétrica (4,08%). Ainda, a taxa de água e esgoto, ao avançar 0,22%, também pressionou a categoria.

Transportes foram principalmente impactados pelo forte reajuste das passagens aéreas (28,31%). Adicionalmente, combustíveis (2,40%) acompanharam a valorização contínua da gasolina (2,19%) e do etanol (4,08%) no mercado de commodities internacional.

Educação, que presenciou pressões desinflacionarias por conta da manutenção das aulas não presenciais, teve um repique considerável devido à coleta extraordinária de mensalidades no final de ano. A maior contribuição veio de educação de jovens e adultos (3,91%), seguido por creches (1,48%) e ensino médio (1,10%). A influência das demais categorias em termos de adicionas pontos percentuais ao resultado final do índice foi marginal.

Desempenhos das categorias do IPCA-15

Nossa visão

O resultado do IPCA-15 para o último mês do ano veio praticamente em linha com as expectativas. Seguiu em processo de aceleração devido, em grande parte, à manutenção de pressões conhecidas outrora. O duplo choque de oferta (cambio desvalorizado que retrai a oferta doméstica) e demanda (auxílio emergencial que impulsiona a demanda) que pressiona a categoria de alimentos e bebidas continuou presente, mas já dá sinais de desaceleração. Seguimos com o diagnóstico de que a pressão da categoria é temporária, e esperamos um arrefecimento já a partir do início do ano que vem com a extinção do auxílio emergencial.

Além disto, pressões pontuais esperadas também foram verificadas. O reajuste tarifário promovido pela Aneel, principal responsável por levar a inflação além da meta em 2020, já surte efeito sobre a dinâmica dos preços. Adicionalmente, a contínua alta das commodities no ambiente internacional segue pressionando a inflação local por meio da categoria de transportes. O contínuo e ininterrupto processo de reabertura econômica alimenta este movimento. Por último, o pagamento extraordinário de mensalidades na categoria de educação também foi observado.

Olhando para o ano que vem, a retirada do auxílio emergencial, um importante propulsor de demanda por bens, configurará uma dinâmica inflacionária menos intensa e ajudará a retirar pressão dos alimentos. A elevada capacidade ociosa da economia, que conta com elevada taxa de desemprego, manifestará com maior vigor a formação de pressão desinflacionarias. O avanço das reformas estruturantes, na medida em que causam uma apreciação cambial, tendem a intensificar este movimento por meio de seu efeito baixista sobre bens sensíveis à taxa de câmbio, como alguns industriais e até a própria categoria de alimentos e bebidas.

É justamente por causa destes riscos baixistas à atividade e, portanto, à inflação que o BCB deve continuar adotando uma postura dovish, embora caracterizada por um maior nível de cautela. O cenário econômico continua prescrevendo um grau de estímulo extremamente elevado e, com a volta do ajuste fiscal, o processo de recuperação recai quase que integralmente sobre a autoridade monetária. Atualmente, o grau de estímulo é bastante elevado: a taxa real de juro está próxima de -2,30%, ao passo que a taxa de juro real estrutural estimada pelo BCB está em 3,00%.

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