Flash Macro | Decisão de Taxa de Juro (COPOM) janeiro/21

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Resultado: 2,00% a/a

Projeção (Guide): 2,00% a/a

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O Comitê de Política Monetária do Banco Central confirmou o consenso das expectativas e manteve a taxa Selic estacionada em seu atual patamar de 2,00%. No que diz respeito ao comunicado, membros do corpo diretório salientaram os seguintes pontos de interesse.

Em âmbito internacional, embora o ressurgimento da covid-19 proporcione uma piora da atividade a curto prazo, a implementação de estímulos fiscais e monetários e o avanço dos programas de imunização tendem a dar sequência ao processo de normalização da atividade a médio prazo. Esta combinação de fatores cria um ambiente positivo para mercados emergentes.

Sobre a economia local, o Comitê comentou que o processo de recuperação segue robusto, mas dá constates sinais de arrefecimento, não contemplando, ainda, o recente agravamento da pandemia. Com isto, as perspectivas de crescimento seguem com incerteza acima do usual, principalmente quando levamos em conta o arrefecimento dos programas de suporte à renda e ao emprego.

Sobe a inflação, membros do corpo decisório destacaram a alta das commodities como fator inflacionário importante e mantiveram o diagnóstico de que a recente aceleração da inflação é temporária, ainda que tenham tido persistência maior do que o esperado.

Para os anos de 2021 e 2022, as projeções do Banco Central passaram para 3,60% e 3,40%, respectivamente. Neste cenário, a taxa de câmbio evolui a partir R$ 5,35 de acordo com a PPC. A taxa Selic encerra os anos de 2021 e 2022 em, respectivamente, 3,25% e 4,74%.

No que diz respeito à inflação, permanecem riscos em ambas as direções:

Por um lado, a alta ociosidade da economia preconiza uma pressão baixista no nível de preços. Destaque para a concentração da ociosidade no setor de serviços, cuja participação no PIB roda em torno dos 60%. Tal risco tende a se intensificar caso uma reversão mais lenta dos efeitos da pandemia prolongue o ambiente de elevada incerteza e de aumento da poupança precaucional.

Por outro, o prolongamento das políticas fiscais de resposta à pandemia que piorem a trajetória fiscal do país, ou frustrações em relação à continuidade das reformas, podem elevar os prêmios de risco no mercado e as expectativas de inflação, produzindo uma trajetória ascendente para o nível de preços. Com isto, o Copom voltou a enfatizar a importância de seguir em frente com as reformas estruturais e que, caso contrário, poderemos verificar uma elevação na taxa de juro estrutural, potencialmente tornando o atual grau de estímulo contraproducente.

Por fim, o Copom abandonou o uso do Forward Guidance, admitindo que as projeções e expectativas de inflação já estão suficientes próximos das metas de inflação. Assim, de agora em diante, a política monetária seguirá o receituário tradicional de análise do balanço de riscos para a inflação prospectiva.

Ainda assim, como mencionado outrora, abandonar o Forward Guidance não implica em um aumento mecânico da taxa de juro, uma vez que as condições da economia seguem prescrevendo um elevado graus de estímulo.

Nossa visão:

O comitê de política monetária do Banco Central do Brasil confirmou as expectativas do mercado ao optar pela manutenção da Selic em 2,00 a.a. na sua primeira reunião de 2021. Como principais pontos a se avaliar no comunicado, destacamos a evolução da projeção do cenário básico para a inflação para 2021 que, ao avançar de 3,4% em dezembro para 3,6% na presente edição, contribuiu para que o Banco Central abandonasse o Forward Guidance (FG) adotado em sua 232ª reunião – “o Copom avalia que essas condições deixaram de ser satisfeitas já que as expectativas de inflação, assim como as projeções de inflação de seu cenário básico, estão suficientemente próximas da meta de inflação para o horizonte relevante de política monetária”. Naturalmente, aqui coube reforçar que o fim do uso do FG não implica mecanicamente uma elevação da taxa de juros já na reunião de março.

De olho na próxima decisão, o desenrolar da campanha de vacinação e do quadro sanitário local, assim como as suas implicações para as contas públicas (a reintrodução de medidas de suporte à renda e ao emprego já estão sendo cogitadas no presente momento), serão providenciais para que o BC tenha uma maior previsibilidade sobre o rumo que está tomando a economia do país. Paralelamente, a aprovação de um orçamento dentro do teto de gastos e a sinalização em direção à aprovação de itens da agenda fiscal (PECs Emergencial e do Pacto Federativo) serão providenciais para manter o prêmio de risco em xeque e permitir que o BC sustente a Selic no seu patamar atual por mais tempo.

Desta forma, tendo como premissas os pontos apresentados acima, acreditamos que o BC mantenha a Selic estacionada em março, sustentando a postura de “esperar para ver”, principalmente porque o 1º semestre deste ano deverá ser um de adaptação para o mercado – mesmo que tudo corra como o esperado. Não obstante, caso a assimetria altista do balanço de risco passe por uma deterioração adicional (resultante de qualquer uma das premissas não se consolidando), abre-se espaço para o início do movimento de aperto monetário já nas próximas reuniões (maio e junho).

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