Flash Macro – IBC-Br | agosto

Resultado: +1,06% m/m; -3,92% a/a

Projeção (Guide): +1,70% m/m; -4,10% a/a

Anterior (revisado): +3,71% m/m; -4,30% a/a

Em agosto, o índice de atividade do Banco Central apontou para um crescimento de 1,06% na margem, reduzindo a retração interanual para -3,92% ante o valor revisada de -4,30% para julho. O desempenho positivo da atividade agregada segue, assim como em meses anteriores, refletindo o bom desempenho das pesquisas setoriais. De qualquer maneira, o resultado ficou abaixo das expectativas do mercado, que previam um crescimento de 1,70% na margem. No acumulado do ano e em 12 meses, o indicador registra baixa de, respectivamente, -5,44% e -3,09%.

Nossa visão

Ao longo dos últimos três meses, os três grandes setores da economia – varejo, indústria e serviços – tem reagido positivamente à liberação de uma demanda reprimida pelas medidas de isolamento social e ao efeito expansionista da política fiscal e monetária. Destaque para a expansão do crédito por via de programas como o Pronampe, o auxílio emergencial e o financiamento da folha de pagamentos das empresas por parte do governo federal. De qualquer maneira, o resultado acumulado no ano e em 12 meses deixa claro que a economia brasileira ainda tem um bom caminho para trilhar até retornar aos patamares verificados no início do ano.

Ainda, o relativamente fraco desempenho da atividade agregada reflete, indiretamente, o comportamento bastante heterogêneo dos diferentes setores. Enquanto a indústria e o varejo têm apresentando resultados bastante sólidos, o setor de serviços tem apontado para um desempenho bastante tímido, configurando-se em patamar bem mais deprimido do que os outros dois setores. A razão por trás disto é clara: o setor de serviços, ao contrário do varejo e da indústria, depende muito mais do contato social e da mobilidade entre os indivíduos da sociedade para funcionar adequadamente. Sem uma vacina produzida e distribuída, tal dinâmica tende forçar a atividade do setor a operar em patamares aquém do desejado.

A despeito do avanço, compreendemos que existem claros riscos para garantir um ritmo de recuperação robusto e consistente ao longo deste e do próximo ano.

Em primeiro lugar, a elevada deterioração do mercado de trabalho – que ainda conta com elevada taxa de desocupação e baixa taxa de participação – preconiza um menor nível de renda disponível por parte dos consumidores, ferindo a possibilidade de avanços mais concretos na demanda. Paralelamente, o arrefecimento e eventual retirada dos auxílios emergenciais contribui para intensificar este movimento, ao passo que a elevada inflexibilidade do mercado de trabalho – aqui o processo de contratações e demissões é altamente custoso, burocrático e demorado – inibe a absorção rápida e eficiente de toda a mão de obra ociosa deixada pela pandemia.

Em segundo lugar, o elevado risco fiscal, na medida em que mantém as taxas de juros de longo prazo em alta, também atua no sentido de causar uma retração do investimento e do consumo. Quanto maiores a taxas de juros de longo prazo – as mais importantes para as decisões de investimento das firmas –, maior é o custo de capital e consequentemente menor o investimento. Este desestimulo ao investimento, por sua vez, pode exacerbar os problemas verificados no mercado de trabalho, uma vez que se os investimentos em máquinas e equipamentos é baixo, a demanda por trabalho também é.

Em terceiro lugar, a inércia dentro do Congresso Nacional para aprovar medidas de ajuste das contas públicas, tal qual a reforma administrativa e a PEC do Pacto Federativo, tem potencial de agravar o segundo e, indiretamente, o terceiro risco. No limite, se nada for feito nesta frente, uma severa crise de confiança pode se instalar, ocasionado pressão adicional sobre os juros de curto e longo prazo, o dólar e as expectativas de inflação. Em um cenário devastador onde isto ocorre, uma aceleração das expectativas de inflação causaria um avanço da inflação efetiva, corroendo o salário real da população e exercendo pressão baixista adicional sobre a demanda. De qualquer maneira, reforçamos que este não é nosso cenário base. Acreditamos que a reformas devem ganhar tração, embora aos trancos e barrancos, ao longo do próximo ano.

Por fim, o resultado de hoje também não altera nossas expectativas com relação à política de juros praticada pelo Banco Central. A economia continua operando com ampla capacidade ociosa e os mais recentes índices de inflação – em principal os núcleos – reforçam que a inflação de preços contínua em terreno bastante confortável.

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