Flash Macro | Índice de Pesquisa Mensal dos Serviços – Agosto

Tempo de leitura: 4 minutos

Resultado: +2,9% m/m; -10,0% a/a

Projeção (Guide): +1,6% m/m; -11,5% a/a

Anterior: +2,6% m/m; -12,2% a/a

No mês de agosto, o índice que traça o volume de serviços no Brasil, ao avançar 2,9%, catalogou a terceira taxa de crescimento positiva. Vale salientar, entretanto, que este crescimento foi precedido por quatro quedas mensais, acumulando uma intensa baixa de 19,8% na atividade econômica do setor de serviços. Com o resultado do mês de agosto, a queda interanual, isto é, com relação ao mesmo mês do ano passado, ficou em 10,0%. No acumulado do ano e em 12 meses, o setor registra baixa de, respectivamente, 9,0% e 5,3%.

 A maioria das categorias do setor apresentaram crescimento positivo na margem: serviços prestados às famílias aumentaram 33,3%; serviços profissionais, administrativos e complementares avançaram 1,0%; transportes, serviços auxiliares aos transportes e correios catalogaram alta de 3,9% e outros serviços registram avanço de 0,8%. Na ponta oposta, apenas serviços de informação e comunicação registram uma baixa de 1,4%.

Quando observamos a base de comparação interanual, no entanto, a figura retratada pelo setor de serviços é bem menos animadora. Os serviços prestados às famílias continuam 43,8% abaixo do nível verificado em igual mês do ano passado, enquanto serviços de informação e comunicação; serviços profissionais, administrativos e complementares; e transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio continuam, respectivamente, 4,0%, 14% e 8,5% em território negativo. Somente outros serviços (+7,2%), impulsionado pelo aumento de receita das empresas ligadas à bolsa de valores, registram desempenho em patamar positivo.

No gráfico abaixo, pode-se observar que no acumulado do ano, o cenário não é muito diferente.

Nossa visão

A despeito de surpreender nossa expectativa de crescimento de 1,6% na margem, fica claro que o desempenho do setor com maior participação no PIB pena para se recuperar com a mesma robustez que o varejo e a indústria. A razão é clara: por depender amplamente do contato social, o fator medo inerente à atual crise exerce pressão mais contundente sobre o setor de serviços. Frisamos que até que uma vacina seja produzida e eficientemente distribuída, esta dinâmica deve continuar caracterizando a atividade econômica do setor.

Vale notar como a recuperação das próprias atividades contidas no setor de serviços também apresentam desempenhos bastante divergentes. Pode se notar que os serviços prestados às famílias – como hotéis, restaurantes, discotecas, academias, etc. –  e os serviços profissionais, administrativos e complementares – como serviços de limpeza e locação temporária de mão de obra – tem apresentado um nível de inércia no processo de recuperação muito maior do que, por exemplo, transportes, serviços auxiliares ao transportes e correio, que se beneficiam da forte retomada da indústria verificada desde o início da reabertura econômico. Outros serviços, que abrange atividades como a administração de bolsas de mercados de balcão organizado, avaliação de riscos e perdas e compra e venda de aluguéis, também tem apontado para um desempenho muito mais sólido. Serviços de informação e comunicação, que geralmente abarcam atividade relacionadas à prestação de serviços de TI e telecomunicações, tem tido desempenho localizado em torno do meio; melhor do que àquele observado para famílias, transportes, profissionais, administrativos e complementares, mas pior do que outros serviços.

Em outras palavras, o desempenho das diferentes categorias contidas no setor de serviços é inversamente relacionado à quantidade de contato social e grau de mobilidade necessária para que ocorram. Ou seja, quanto maior o contato social ou grau de mobilidade necessário, menor o desempenho. Assim, listando as atividades em termos de mais para menos contato social e grau de mobilidade, temos a seguinte ordenação: serviços prestados às famílias (-25,5%); serviços profissionais, administrativos e complementares (-6,6%); serviços de transportes (-6,2%); serviços de informação e comunicação (-0,6%) e outros serviços (+6,3%). Não à toa, pode-se observar que as atividades foram indiretamente organizadas em termos da maior para a menor retração no acumulado do ano.

Em termos de política monetária, voltamos a enfatizar que o resultado, assim como em outras ocasiões, não deve alterar o plano de voo do Banco Central. Os resultados deixam claro que ainda existe ampla capacidade ociosa no setor de serviços que tardará para ser revertida. Desta forma, compreende-se por que a inflação de serviços nas leituras mais recentes do IPCA tem demonstrado um comportamento bastante fraco. A média móvel de três meses anualizada para a inflação de serviços subjacentes apresenta alta de apenas 1,7%, ao passo que inflação de serviços pelo critério do BC tem deflação (variação negativa) de 0,90%. Assim, a política monetária deve continuar em território estimulativo por um bom tempo, caso a política fiscal permita.

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