Flash Macro | PMS/novembro

Tempo de leitura: 4 minutos

Resultado: +2,60% m/m; -4,80% a/a

Projeção (Guide): +1,00 m/m; -6,4% a/a

Anterior: +1,70% m/m; -7,40% a/a

PMS - índice de volume

Em novembro, o índice de volume no setor de serviços registrou aumento de 2,60%, concretizando o sexto mês consecutivo de expansão e reduzindo a contração interanual de -7,4% para para -4,8%. No acumulado dos últimos 12 meses e no ano, o setor ainda registra contração considerável de -7,4% e -8,3%, respectivamente. O avanço na margem refletiu a alta generalizada das principais atividades do setor.

Os serviços prestados às famílias apresentaram crescimento de 8,2%, repercutindo a continuidade da recuperação nos segmentos de alojamento e alimentação (+9,06%) e outros serviços (1,50%) prestados às famílias. Ainda assim, a retração interanual de 26,2% da categoria deixa claro como a categoria – cuja sensibilidade à taxa de propagação do vírus é maior – ainda tem muito caminho a percorrer. No acumulado do ano, a categoria catalogou contração da ordem de -33,4%.

Serviços de informação e comunicação tiveram ligeiro avanço de 0,51% na margem, refletindo, principalmente, a contínua recuperação das atividades ligadas aos serviços audiovisuais, de edição e agência de notícias (+5,61% m/m). A categoria já registra alta de 2,56 em termos interanuais, movimento causado principalmente pela forte recuperação dos serviços de tecnologia de informação (13,20% a/a).

Serviços profissionais, administrativos e complementares, apesar de apresentar crescimento de 2,50% na margem, seguem em patamar bastante deprimido na comparação interanual: -10,96%. Tanto serviços técnico-profissionais (-3,15% a/a) quanto serviços administrativos e complementares (-13,73% a/a) continuam em patamar bastante distante dos níveis pré-crise.

Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio aumentaram 2,40% no mês de novembro, mas seguem em patamar notadamente negativo na comparação interanual: -3,72%. Transporte aéreo (-31,49% a/a) continua pesando sobre a categoria, sendo substituído mais pelo transporte terrestre (-3,72% a/a) e aquaviário (1,64% a/a). Armazenagem, serviços auxiliares aos transportes e correio apresentam resultado positivo de 5,50% na comparação interanual.

A categoria de outros serviços, que contempla atividades desde manutenção de veículos e motos até corretoras a agência de seguro, apresentou expansão de 0,53%, dando continuidade ao processo de recuperação em termos interanuais, que ficou em 7,31% com a leitura de novembro.

Nossa visão

Como esperado, o ininterrupto processo de reabertura econômica, acoplado à manutenção de políticas econômicas de impulso à demanda, confirmou a continuidade do processo de recuperação do setor. O destaque do mês ficou com a categoria de serviços prestados às famílias que, embora continue bastante pressionado, dá sinais constantes de recuperação. De qualquer maneira, alertamos que o recrudescimento da pandemia – que ocorreu de forma mais severa justamente em meados de novembro – configura um risco concreto para o resultado dos serviços no ano, sacramentando a já esperada forte contração do setor com maior participação no PIB nacional.

Como comentamos em outras oportunidades, a situação do setor de serviços é bastante delicada frente ao quadro pandêmico. Por depender amplamente do contato social para executar suas operações, um alívio definitivo ao setor não ocorrerá até que uma vacina seja amplamente produzida e, mais importantemente, distribuída. Isto é, até que a população esteja amplamente vacinada, algum grau de distanciamento social deve permanecer, inibindo que o setor volte à ao pleno emprego de suas atividades. Para efeito de noção, trata-se de uma dinâmica que não permite que os restaurantes, por exemplo, utilizem toda a capacidade instalada (mesas) ao ofertar seus serviços para a população.

Esta inabilidade de retornar ao pleno emprego tem efeitos secundários sobre a economia. Ao limitar o quanto pode ser produzido, cria-se um vácuo na demanda por trabalho, limitando, também, a recuperação do mercado de trabalho. Se há menor demanda por trabalho, menor serão os salários e maior será a dificuldade de recuperação da economia como um todo. Há de se lembra que, com a perda de participação da indústria no PIB nacional ao longo das últimas décadas, o setor de serviços é o que mais emprega indivíduos da força de trabalho.

O fraco desempenho do setor de serviços vis-à-vis os setores de varejo e industrial aparece, também, de forma muito clara nos preços. A inflação de serviços ao longo de 2020, como deixou claro a última leitura do IPCA para 2020, foi extremamente baixa, ficando distante da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Por conta destes fatores (atividade pressionada e inflação reduzida), seguimos acreditando que o Banco Central manterá sua política estimulativa por mais algum tempo. Afinal, o Banco Central alertou em seu balanço de riscos que um elevado nível de ociosidade, principalmente quando concentrado no setor de serviços, apresenta sérios riscos baixistas ao atingimento da meta de inflação para os anos que seguem.

Relacionados

Apito Final | Keep on flying

Internacional Ativos internacionais tem dia de correção na esteira de realização de lucros e comentário de Yellen referente aos juros;Vemos correção como [...]

Alejandro Ortiz Cruceno - 04/05/2021

Rio Bravo: Olhar Atento | O parecer da reforma tributária

O parecer da reforma tributária deve ser divulgado hoje pelo relator. Será um texto que derivará da PEC 45 (Câmara) e [...]

Rio Bravo - 04/05/2021

Guide Empresas - ITAU - Resultado forte, com ressalvas

Itaú: 1T21 mostra resultado robusto, mas impulsionado por linhas não recorrentesImpacto: Marginalmente positivo Confira os destaques de hoje: Itaú: 1T21 mostra resultado robusto, [...]

Luis Sales - 04/05/2021
Logo o guia financeiro

Entrar

Como deseja continuar?

Abra sua conta

Preencha os campos abaixo
ou use uma das opções