Flash Macro | IPCA/dezembro

Tempo de leitura: 5 minutos

Resultado: +1,35% m/m; +4,52% a/a

Projeção (Guide) +1,27%; 4,43%

Anterior: +0,89% m/m; 4,31% a/a

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo apresentou inflação de 1,35% no mês de dezembro, acelerando em relação a novembro, quando havia apresentado alta de 0,89% e encerrou o ano com variação de 4,52% no acumulado em 12 meses. Esta foi a maior variação do índice para o mês de novembro desde fevereiro de 2013 e repercutiu, em grande parte, a continuidade de pressões conhecidas outrora, além da influência de fatores idiossincráticos ao mês de dezembro.

A categoria de Alimento e Bebidas arrefeceu a alta em dezembro, indo de 2,54% para 1,74%. Contribui para a desinflação da categoria a baixa nos tomates (-13,46%) e a alta menos intensa das carnes (3,58%), do arroz (3,84%) e do óleo e soja (4,99%). Frutas aceleraram de 2,20% para 6,73% e alimentos para consumo no domicílio ficaram em 2,12%. Alimentação fora do domicílio acelerou para 0,57%. A categoria encerrou o ano com inflação acumulada de 14,06%.

A categoria de Habitação teve alta de 2,88%, principalmente impactada pela alta de 9,34% no item de energia elétrica. O reajuste da bandeira tarifária de verde para vermelha, ao aumentar em R$ 6,24 o custo de cada 100 quilowatts-hora, pressionou a categoria junto da alta de 0,10% na taxa de água de esgoto e o avanço de 1,99% no gás de botijão. A categoria registrou avanço de 2,88% no acumulado do ano.

Em Transportes, a maior influência adveio das passagens aéreas (28,05%). Transportes por aplicativo (13,20%) e gasolina (1,54%), cujos preços subiram pelo sétimo mês, também exerceram influência considerável para determinar o avanço acumulado em 12 meses de 1,36% da categoria.

No grupo Educação, que teve avanço de 1,76% na margem, constou a influência da coleta extraordinária de preços por parte das escolas. Educação de jovens e adultos (3,83%) apresentou a maior variação positiva e a categoria encerrou o ano com inflação acumulada de 0,48%.

As demais categorias do índice (artigos de residência, vestuário, Saúde e cuidados pessoais, despesas pessoas e comunicação) apresentaram ligeiros avanços, adicionando conjuntamente 0,23 pontos percentuais à alta do índice geral.

Nossa visão:

O principal índice de preços da economia encerrou o ano de 2020 acima do centro da meta de 4,00% estipulada pelo Conselho Monetário Nacional, mas ainda dentro do intervalo de tolerância de 2,50% e 5,50%. Como antecipamos, a aceleração da inflação ficou fortemente concentrada nas categorias de habitação e transporte, mas principalmente alimentos, como tem sido ao longo dos últimos meses.

A categoria foi fortemente pressionada ao longo de 2020 por conta do duplo choque de oferta e demanda ocasionado tanto pelas políticas econômicas de enfrentamento à pandemia, quanto pela influência de fatores adicionais. Por um lado, a redução da taxa básica, somada ao risco fiscal e à alta das commodities, pressionou a taxa de câmbio e ampliou a oferta internacional em detrimento da oferta local. Por outro, o auxílio emergencial combinado à recomposição da cesta de consumo pressionou a demanda, criando pressão adicional. A categoria adicionou 0,36 pontos percentuais à alta do índice.

Ao observar gráfico abaixo, é importante lembrar que a mudança dos pesos ocasionada pela variação dos preços relativos não captura o todo do efeito da mudança de hábito no consumo das famílias, podendo ser maior a depender de outros fatores não capturados por um simples gráfico. 

Com a extinção do auxílio emergencial reduz-se a pressão no lado da demanda por alimentos, mas a manutenção de um câmbio historicamente elevado ainda forçará um prolongamento dos efeitos sentidos pelo lado da oferta.

Na categoria de Habitação, vale salientar que a adição de 0,45 p.p ao índice refletiu majoritariamente o reajuste da bandeira tarifária. Ao longo de 2021, espera-se que a decisão seja, em algum ponto do ano, revertida, promovendo pressão na direção contrária à verificada na leitura de dezembro do ano passado.

Já os transportes – que adicionaram 0,27 p.p ao índice – devem continuar apresentando tendência altista. Com a continuidade do processo de reabertura e o início da campanha de vacinação em janeiro, a mobilidade deve continuar ganhando tração. Com isto, itens até então majoritariamente ignorados, como passagens aéreas, devem continuar em processo de normalização. O mesmo pode ser dito sobre a categoria de Educação que, com a volta das aulas presenciais, a partir deste ano e mesmo que parcialmente, pode reverta a baixa reação dos preços verificada ao longo de 2020.

Ao decompor o avanço dos preços em termos dos critérios definidos pelo BC – alimentação, serviços e produtos industriais – fica claro que a inflação de preços ao longo de 2020 não é um fenômeno estrutural ou generalizado. Ficou fortemente concentrado, como mencionado, nos alimentos. Enquanto Alimentação acumulou alta de 18,16% nos últimos 12 meses, serviços e produtos industriais tiveram avanços de apenas 1,73% e 3,18%, respectivamente. Caso a atual dinâmica dos preços fosse de fato estrutural, seria necessário verificar um avanço intenso destas categorias. Como fica nítido, não foi o que ocorreu.

Esta tese tende a ganhar força quando observamos os núcleos – assim como sua a média – acompanhados pelo Banco Central. Esta média encerrou o ano com inflação acumulada de 2,80%, em nível distante da meta estabelecida pelo BCB para o ano. É importante lembrar que núcleos de inflação nada mais são do que diferentes formas de compreender o comportamento dos preços na economia. Por exemplo: o IPCA-EX0 exclui itens de Alimentação no Domicílio e Preços Administrados, mas inclui os demais itens do índice. À luz do que foi descrito, fica claro por que é a curva com menor nível no gráfico, encerrando o ano com inflação acumulada de 2,30%.  Já o IPCA-P55 (IPCA – Percentil 55) inclui todos os itens, mas retira recorta a distribuição de forma ao isolar a volatilidade. Este núcleo encerrou o ano com alta acumulada da 3,48%; mais próximo, porém abaixo do centro da meta para 2020.

Já a partir do início deste ano, muito por conta da retirada de alguns estímulos fiscais e monetários, a inflação já deve começar a ceder a partir de janeiro. O leve arrefecimento da taxa de câmbio deve contribuir, enquanto o início da campanha de vacinação deve continuar causando a normalização dos preços dos serviços e da indústria. Para janeiro, esperamos uma alta de 0,10%; resultado que levaria a inflação acumulada para a casa dos 4,39%.

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