Flash Política | Pesquisa Mensal dos Serviços (PMS)/dez

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No último mês de 2020, o índice de volume do setor de serviços interrompeu os seis meses anteriores de expansão e registrou uma leve queda de 0,2%, em comparação com novembro, e uma variação interanual de -3,3%. Assim, o valor acumulado da PMS, para o ano, foi de -7,8%, representando a queda anual mais intensa desse indicador.

Os serviços prestados às famílias apresentaram uma redução marginal de 3,6%, a qual foi acompanhada pela queda no volume dos serviços de alojamento e alimentação (-4,1%) e dos outros serviços prestados às famílias (-0,5%). Assim, a redução interanual de -25,4% e acumulada em 12 meses de -35,6% coloca esse segmento como um dos mais impactados pela pandemia, principalmente por conta de sua dependência no contato social.

Os serviços de informação e comunicação apresentaram um crescimento, em relação a novembro, de 0,3%, refletindo a melhoria nos serviços de tecnologia da informação (1,9%) e nos serviços audiovisuais (1%). Esse desenvolvimento é visível no aumento interanual de 1,5% do segmento. Porém, mesmo com essa recente recuperação, a categoria apresenta uma queda acumulada em 12 meses de -1,6%.

Já os serviços profissionais, administrativos e complementares tiveram uma recuperação marginal de 0,1%, também vista nos serviços administrativos e complementares (1,5%), mas não nos técnico-profissionais (-1,4%). Por outro lado, apesar da melhoria nos últimos meses, a categoria ainda se mostra fortemente impactada pela COVID-19 em sua variação interanual (-7,4%) e no acumulado no ano (-11,4%).

Os transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio tiveram uma redução, na comparação com novembro, de -0,7%. O setor foi negativamente impactado, em 2020, com o seu índice acumulado em -7,7%, repercutindo quedas significativas em transporte terrestre (-11,5%) e aéreo (-36,9%), mas crescimentos em transporte aquaviário (10,4%) e armazenagem, serviços auxiliares aos transportes e correio (2,8%).

A categoria de outros serviços, que contempla atividades desde manutenção de veículos e motos até corretoras a agência de seguro, apresentou uma expansão de 3,0%, dando continuidade ao processo de recuperação em termos interanuais (8,6%) e no acumulado em 12 meses (6,7%).

Nossa Visão:

Como esperado, a atividade econômica no setor de serviços contraiu na última leitura do ano, levando o índice de volume a ficar ainda distante do patamar verificado no período pré-pandemia. No final do ano, o setor de serviços sentiu o recrudescimento da pandemia, que contou com forte aumento de casos, hospitalizações e mortes. Seguimos entendendo que, devido à maior necessidade de contato social inerente às atividades no setor, os serviços continuarão pressionados a curto prazo.

Diante desta caracterização, compreendemos que a vacina continua sendo a principal ferramenta de política econômica para debelar a ociosidade presente no setor com maior participação no PIB nacional. Isto é, não adianta muito prover estímulos monetários e fiscais se os agentes da economia seguem um comportamento atrelado ao medo do contágio.

Este medo, por sua vez, segue sendo refletido nos serviços prestados às famílias (restaurantes, hotéis, buffets, alojamento, etc). Embora esta categoria tenha registrado melhoras ao longo dos últimos meses, não conseguiu atingir valores positivos na margem, levando-a encerrar o ano com uma intensa queda de 35,6% no acumulado dos últimos 12 meses. A perda de mobilidade induzida pelo agressivo ressurgimento da pandemia também impactou os serviços de Transportes, que caíram 2,1% no mês de dezembro e, no acumulado dos últimos 12 meses, registra notável contração de -7,7%.

O fechamento de empresas no setor de serviços, principalmente das atividades ligadas às famílias, tenderá a exercer pressão negativa sobre o já precário mercado de trabalho. Demissões ligadas ao endurecimento das medidas de isolamento podem voltar a agravar um dos principais problemas decorrentes da pandemia: forte pressão negativa na taxa de participação, que em essência mensura o grau de disponibilidade do fator trabalho para a produção. Isto é, quanto menor a taxa de participação, menor será a disponibilidade do fator trabalho para produzir.

Como de costume, seguimos acreditando que, além da vacinação em massa, é proeminente uma redução do risco fiscal para criar melhores condições de recuperação para o setor de serviços. Afinal, a manutenção de taxas longas elevadas, acoplada à persistência de um câmbio ultradesvalorizado por conta do risco fiscal, dificultam a recuperação, pois tendem a criar pressões contracionistas sobre a atividade econômica.

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