Flash Macro | Produção Industrial (PIM) outubro/20

Tempo de leitura: 4 minutos

Resultado: +1,1% m/m; 0,3% a/a
Projeção (Guide): +1,1% m/m; 0,4% a/a
Anterior (Revisado): +2,8% m/m; +3,7% a/a

No mês de outubro, a produção física do setor industrial obteve alta de 1,1% perante o mês diretamente anterior, reduzindo novamente a taxa de expansão verificado nos meses anteriores de em maio (8,7%), junho (9,6%), julho (8,6%), agosto (3,4%) e setembro (2,8%). O avanço robusto da produção ao longo dos meses anteriores foi suficiente para apagar a perda de 27,1% acumulado durante os períodos mais agudos da crise. Em relação ao mesmo mês do ano passado, o crescimento foi de 0,30%. No acumulado do ano, o setor registra baixa de 6,3% e, em doze meses, de 5,6%.

Dentre as quatro grandes categorias do setor, houve expansão na margem de bens de capital (7,0%) e bens de consumo duráveis (1,4%). Na contramão, bens intermediários (-0,20%) e bens de consumo semiduráveis e não duráveis (-0,10%) ficaram próximos à estabilidade. Em termos interanuais, observa-se forte retomada de bens intermediários (3,2%) e bens de capital (2,1%) a despeito do ainda deprimido nível de bens de consumo semi e nãoduráveis (3,4%) e bens de consumo duráveis (-8,3%).

A produção de bens intermediários foi principalmente influenciada pela aumento da produção ligados às atividades de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (17,7%), de produtos alimentícios (7,9%), de produtos de minerais não metálicos (9,8%), de produtos de borracha e de material plástico (7,2%), de produtos de metal (7,5%), de metalurgia (3,4%), de produtos têxteis (13,8%), de celulose, papel e produtos de papel (4,0%) e de máquinas e equipamentos (5,8%), enquanto as pressões negativas foram registradas por indústrias extrativas (-6,0%), veículos automotores, reboques e carrocerias (-18,1%) e outros produtos químicos (-1,6%).

Bens de capital, por sua vez, foram positivamente influenciados pela expansão de bens de capital agrícolas (27,9%), para fins industriais (4,9%) e para construção (6,4%). Na contramão, a produção de bens de capital para transporte segue pressionado (-7,9%).

Bens de consumo semi e não-duráveis, ao apresentar desempenho negativo, foi impactado pela queda observada no grupamento de carburantes (-12,6%), pressionado pela menor produção de álcool etílico e gasolina automotiva. Houve, também, queda relevante nos alimentos e bebidas elaboradas para consumo doméstico (-1,1%).

Por fim, a categoria de bens de consumo duráveis foi, como era de se esperar, pressionado pela derrocada na produção de automóveis (-22,1%). Houve, também, forte influência negativa da produção de motocicletas (-14,2%).

Nossa visão

O desempenho do setor industrial em outubro reiterou a resiliência do setor frente à dinâmica social induzida pela pandemia. O setor como um todo tem apresentado desempenhos altamente positivos, em parte porque tem uma menor sensibilidade ao quadro sanitário – isto é, não depende do contato social amplo para organizar a manter a produção em dia. Ressaltamos que, devido à presença contínua dos estímulos monetários e fiscais, além do processo quase que ininterrupto da abertura, o setor tem se beneficiado de uma forte retomada da demanda. Ainda assim, entendemos que, olhando para o futuro, o setor industrial enfrentará alguns desafios pontuais.

O primeiro risco reflete, naturalmente, à própria dinâmica da pandemia. Caso a segunda onda em curso passe por uma deterioração mais aguda, a incerteza tenderá a arrefecer a evolução da demanda, principalmente no que diz respeito ao desempenho de bens duráveis e semi e não-duráveis. A menor demanda tende retrair impulso da produção, enquanto uma volta às restrições de mobilidade tem forte potencial de agravar o forte descompasso entre a oferta e a demanda por insumos que tem caracterizado a dinâmica do setor. De qualquer maneira, um impacto nos moldes de março e abril não é esperado, uma vez que uma série de empresas já aprenderam a lidar com a implementação de medidas de distanciamento social.

Em segundo lugar, frisamos novamente o comportamento da política fiscal. Na medida em que o Executivo e o Congresso deixam de dar sinalizações claras quanto ao rumo das contas públicas, o risco fiscal, assim como os prêmios ao longo das curvas de juros, segue em alta. Estes prêmios obviamente aumentam os custos de financiamento de longo prazo para investir em máquinas e equipamentos, produzindo um cenário menos favorável principalmente para a categoria de bens de capital do setor industrial.

Em terceiro lugar, colocamos o estado deteriorado do mercado de trabalho como agravante adicional. Por ora, a recomposição de renda auferida pelo auxílio emergencial deve manter algum grau de tração na parte da demanda, beneficiando a produção do setor. Olhando para 2021, com a fim dos auxílios e com a elevada taxa de desemprego e baixa taxa de participação, vemos o consumo e, portanto, a produção perdendo tração.

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