Flash Macro | Produção Industrial (PIM)/dez

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No último mês de 2020, a produção industrial apresentou um avanço de 0,9%, em relação a novembro, gerando uma variação interanual de 8,2% e uma queda no acumulado no ano de -4,5%. Depois de oito meses em alta, o setor cresceu 41,8%, eliminando a perda de 27,1% que ocorreu entre março e abril do ano passado, como reflexo dos danos econômicos da pandemia. Apesar desse recente crescimento, a indústria brasileira ainda se encontra 13,2% abaixo do seu nível recorde, alcançado em maio de 2011.

Em relação às categorias econômicas que compõe a pesquisa, a maioria apresentou um crescimento, em relação a novembro de 2020. Bens de Capital expandiu 2,4%; Bens Intermediários, 1,6% e Bens de Consumo, 0,4%. Dentre os Bens de Consumo, os Duráveis aumentaram 2,4%, enquanto os Semiduráveis e os não duráveis apresentaram uma variação de -0,5%, o único decrescimento registrado. No acumulado do ano, por outro lado, todas as categorias registraram quedas: Bens de Capital (-9,8%), Bens Intermediários (-1,1%) e Bens de Consumo (-8,9%). Dos Bens de Consumo, os Duráveis caíram 19,8% e os Semiduráveis e não Duráveis, 5,9%.

Entre as atividades, os maiores destaques positivos, em relação a novembro do ano passado, foram da Metalurgia (19,0%) de Veículos automotores, reboques e carrocerias (6,5%) e das Indústrias extrativas (3,7%). Além disso, outras contribuições positivas vieram de Máquinas e equipamentos (6,0%), Produtos têxteis (15,4%), Confecção de artigos do vestuário e acessórios (11,5%), Produtos de borracha e de material plástico (4,8%), Produtos farmoquímicos e farmacêuticos (8,4%), Equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (4,7%) e Produtos de metal (2,9%). Além disso, as principais contribuições negativas vieram das atividades de Produtos alimentícios (-4,4%), Bebidas (-8,1%) e Coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-1,3%).

Já na comparação interanual, as principais influências para indústria vieram das atividades de Veículos automotores, reboques e carrocerias (22,6%), Máquinas e equipamentos (37,4%) e Metalurgia (28,9%). Ademais, os outros impactos positivos vieram de Produtos de metal (23,6%), Produtos de borracha e de material plástico (18,6%), Produtos de minerais não-metálicos (17,5%), Outros produtos químicos (9,9%), Equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (28,8%), Máquinas, aparelhos e materiais elétricos (18,8%), Produtos têxteis (29,7%), Produtos farmoquímicos e farmacêuticos (17,5%), Couro, artigos para viagem e calçados (21,5%), Confecção de artigos do vestuário e acessórios (11,8%), Produtos de madeira (16,8%) e Móveis (16,3%). Na outra ponta, os maiores impactos negativos vieram das Indústrias extrativas (-3,9%) e Impressão e reprodução de gravações (-49,8%), mas também contribuíram os ramos de Produtos alimentícios (-1,7%), Outros equipamentos de transporte (-12,6%) e Manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (-8,0%).

Nossa visão:

A produção industrial contrariou as expectativas e apresentou crescimento positivo no fechamento do ano, levando a uma queda menos intensa do que inicialmente esperado no início da pandemia. Como está claro, a economia apresentou considerável processo de recuperação devido à combinação de políticas fiscais e monetárias agressivas, aliadas ao contínuo e quase que ininterrupto processo de reabertura econômica. Ao todo, a indústria perdeu 4,50% de seu valor em 2020, com a maior perda concentrada na indústria de transformação vis-à-vis a indústria extrativa mineral.

O desempenho das grandes categorias voltou a espelhar os padrões econômicos induzidos pela pandemia da covid-19. Isto é, embora todas as categorias tenham registrado desempenhos negativos em 2020, algumas tiveram contração menor do que outras. Eis o caso de Bens de Consumo Semiduráveis e não Duráveis, como alimentos, que tiveram alta de demanda ao longo do ano. Bens Intermediários, em grande parte compostos pela produção de commodities para auxiliar a indústria, tiveram desempenho fortemente positivo por conta aceleração dos preços internacionais das commodities, mas também devido à elevada demanda por insumos que acompanhou o processo de reabertura.

Entre as três grandes categorias (Bens de Capital, Bens Intermediários e Bens de Consumo) Bens de Capital, geralmente máquinas e equipamentos relacionados ao investimento produtivo, tiveram a maior queda. Embora a reduzida taxa de juros tenha criado condições de financiamento favoráveis, a baixa previsibilidade associada à conjuntura econômica, seja pelo avanço incerto das reformas, seja pela desorganizada campanha de vacinação, causou um desempenho mais negativo da produção de Bens de Capital.

Olhando para frente, a indústria enfrenta, como de costume, a resolução em torno do risco fiscal, assim como as sequelas deixadas pelo mercado de trabalho. A manutenção de um elevado risco fiscal pressiona as taxas de longo prazo, causando um encarecimento do custo de capital e desestimulando o investimento. A retirada de estímulos fiscais e o recrudescimento da pandemia podem colocar em xeque a recuperação do mercado de trabalho e, por consequência, do consumo. Ambos estes fatores tendem a retirar força do processo de recuperação, criando obstáculos de difícil resolução.

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