Flash Empresas | Expectativa para os resultados do 3T20

O ano de 2020 vem sendo marcado por uma série de adversidades. Com isso, as companhias estão sendo impactadas não apenas por eventos comuns a seus setores, mas também por novas condições de mercado nunca vistas. Surpreendentemente os resultados referentes ao 2T20, período no qual a pandemia atingiu seu pico, vieram fortes e acima da expectativa do mercado, em sua maioria, o que acabou por gerar um certo otimismo quanto à reabertura das atividades.

Em geral, empresas resilientes, de boa governança corporativa e com grande histórico em bolsa, o que significa que já enfrentaram outros cenários adversos, acabaram mostrando uma boa performance, com rápidas medidas sendo tomadas internamente para que estas se adaptassem ao “novo normal”. Alguns setores foram beneficiados por conta da pandemia, como o de Varejo Eletrônico e Tecnologia, ambos essenciais para atender as necessidades de consumo e comunicação das pessoas em suas casas. Ainda, com o aumento do risco Brasil e consequente desvalorização do câmbio, companhias exportadoras também conseguiram apresentar bons desempenhos no período. Por outro lado, tivemos o setor de Educação, Shoppings, Transportes e Construção Civil sendo prejudicados pela imposição das medidas de isolamento social.

O 3T20 foi um período no qual contamos com a reabertura gradual das economias globais, que ocorreu através do relaxamento das medidas de “lockdown”. Isto permitiu com que mais veículos passassem a circular nas ruas, os fluxos aumentassem em Shoppings e comércios de rua, a demanda por combustível aumentar, entre muitos outros efeitos.

               A partir deste cenário, que também vem sendo bastante impactado por medidas do governo; instabilidade política; novas ondas de infecção por Coronavírus ao redor do globo; e quadro de maior cautela com a aproximação das eleições presidenciais dos EUA, formamos nossa expectativa para a temporada de resultados do 3T20, que está próxima de começar.

Entre os destaques positivos:

Setor de Mineração e Siderurgia

Possuímos expectativa positiva para os resultados das companhias do setor, com base na recuperação dos preços do aço no mercado internacional, sustentada em parte pela retomada do setor de Construção Civil, aumento da demanda global por minério de ferro, principalmente na China, que representa parcela relevante da receita de exportação de minério das principais empresas brasileiras do setor.

Companhias Exportadoras

Frigoríficos e Companhias do setor de Papel e Celulose são alguns exemplos que entram na categoria. A expectativa é de que seus números venham fortes, devido ao patamar de desvalorização do câmbio que se manteve no período. Os frigoríficos brasileiros ainda seguem se beneficiando pela crescente demanda por proteína pela China.

Setor de Construção Civil

Quanto aos resultados das companhias do setor, possuímos expectativas positivas baseadas na retomada dos lançamentos; aumento da demanda por imóveis; e estímulo dos bancos através de crédito imobiliário. As prévias operacionais divulgadas pelas empresas, há uma semana, fortalecem nossa visão.

Setor Industrial

Este vem se mostrando extremamente resiliente durante a crise, o que foi comprovado no último resultado divulgado pelas companhias do setor. Acreditamos que os referentes ao 3T20 devem seguir as mesmas tendências, em função do nível de utilização da capacidade em patamares acima dos vistos no pré-crise (> 70%)

Setor de Varejo Eletrônico

Mesmo diante da reabertura gradual dos comércios, acreditamos que o setor tenha ganhado força durante a pandemia, quando milhões de pessoas testaram seu serviço pela primeira vez e se sentiram satisfeitas. Isto deve impulsionar ainda mais a tendência de crescimento exponencial das companhias do setor. Mesmo com algumas realizações nos papéis durante o mês de setembro, acreditamos que as empresas devem apresentar novos bons resultados, com fortalecimento de seus marketplaces, número de clientes ativos e categorias de produtos.

Entre os destaques negativos:

Setor de Educação

Sem grandes acontecimentos, o setor deve seguir sofrendo às consequências do cenário de crise, onde os níveis de desemprego continuam em patamares elevados, o que impacta diretamente na ocupação de alunos nas universidades. Além disso, em diversas localidades no Brasil, ainda não tivemos a retomada das aulas em formato presencial, o que contribui para a evasão de alunos.

Setor de Shoppings

O setor, na nossa visão, deve seguir sofrendo às condições impostas pela pandemia. Diferente do 2T20, quando os Shoppings ficaram fechados durante a maior parte do período, no 3T20, eles funcionaram, mas com horários reduzidos. As companhias, no nosso ponto de vista, devem apresentar resultados ainda muito impactados. Mesmo com o relaxamento das medidas de isolamento social, muitos ainda tentam evitar locais fechados, o que impede com que a retomada do movimento observado pré-pandemia ocorra de forma rápida.

Setor de Aéreas

As companhias começaram a apresentar um certo avanço na demanda por voos nas últimas semanas, no entanto, o 3T20 ainda teve volumes extremamente baixos, comparado a períodos pré-pandemia. Esperamos para o setor uma maior retomada a partir do 4T20, que possivelmente deve unir datas de pico de demanda ao início de uma vacina. No entanto, para os resultados do último trimestre ainda devemos esperar as tendências bastante similares às do 2T20.

Setor de Varejo Físico

Este deve mostrar um maior avanço, devido a reabertura dos comércios, mesmo que em horários reduzidos. Ainda assim, acreditamos que os números não devam vir muito animadores, visto que muitos ainda estão tentando seguir as medidas de isolamento social, além da grande situação de crise instaurada no país, o que prejudica a demanda das empresas componentes do setor. Destacamos o auxílio emergencial como um fator que pode ter influenciado a receita de vendas de forma positiva.

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