+0,00% R$0,00
+0,00% R$0,00
Carregando...

Apito Final | Derrocada do PIB americano e piora do quadro fiscal interno pressionam ativos de risco

Internacional

• Bolsas globais encerram em queda na esteira de um fluxo de dados preocupantes;
• PIB americano registra contração recorde 32,9% no 2T2020;
• Mercado de trabalho Europeu segue resiliente.

Brasil

• Ibovespa acompanha exterior e encerra em baixa;
• Resultado primário do governo atinge patamar histórico de -6,1% do PIB;
• Localiza e Pão de Açucar são destaques do dia.


FECHAMENTO:

Ibovespa: 105.008 (-0,56%)

BR$/US$: 5,15 (-0,32%)

DI Jan/27: 6,11% (-18 bps)

S&P 500: 3.246 (-0,38%)

Fonte: Bloomberg. Obs.: a taxa de câmbio utilizada é a referência da Bloomberg

MAIORES ALTAS:

RENT3: R$ 49,96 (+10,85%)

CSAN3: R$ 88,10 (+4,82%)

YDUQ3: R$ 35,09 (+4,81%)

MAIORES BAIXAS:

PCAR3: R$ 73,71 (-6,27%)

ELET3: R$ 38,15 (-4,03%)

ABEV4: R$ 14,55 (-3,96%)


Cenário Externo:

Mercados…  Investidores voltaram a promover mais uma sessão de realização de lucros ao redor do mundo, pautados em um fluxo de notícias e dados de teor mais negativo. A queda sem precedentes nos PIBs do nos EUA e na Alemanha confirmaram a tese de que ainda há muito terreno a ser coberto na direção da recuperação econômica. No pano de fundo, a manutenção de uma crise sanitária aguda nos EUA  e a recente piora em alguns países na Europa segue como principal risco para a recuperação. Assim, ao fim do dia, tanto o S&P500, índice americano, quanto o Stoxx 600, seu par na Europa, encerram o dia no vermelho.

Economia americana… A queda sem precedentes de 32.9% no PIB americano no 2T2020 derivou de uma forte redução em todos os componentes da demanda privada. O consumo das famílias registrou queda acentuada de 34,6%, com o consumo de serviços – setor mais afetado pelas medidas de distanciamento social – liderando a piora (-43,5%). O consumo de bens recuou -34,6%. O investimento das firmas caiu 49%, influenciado principalmente pela derrocada no investimento em equipamentos (-37,7%) e construção (-38,7%). As exportações caíram 64,1% – devido à enfraquecida demanda estrangeira –, enquanto as importações recuaram -53,4%, em função da queda na renda interna. Uma queda de maior grandeza, no entanto, foi trava pelo aumento de 2,7% nos gastos do governo. Assim, o movimento confirma o que já era esperado desta crise: uma forte queda na atividade puxada pela derrocada do consumo, reflexo do receio da população e das medidas de distanciamento, e do setor externo, que refletiu a derrocada da demanda por bens e serviços em escala global.

Economia europeia… Dados referentes ao estado do mercado de trabalho europeu dão sustentação à tese de que a política fiscal agressiva foi efetiva na manutenção dos empregos durante a crise. A taxa de desemprego no continente avançou de 7,4% em maio para 7,8% em junho. Com a aprovação do histórico pacote fiscal de EUR$ 750 bilhões, redirecionamento de recursos para os países mais afetados e relativo sucesso em conter a disseminação do vírus, espera-se que o mercado de trabalho europeu siga sustentando uma taxa de desemprego inferior aos 10,0%. Esta maior estabilidade — assim como os fatores que a proporcionaram — no mercado de trabalho refletiu-se, também, no índice de confiança da Comissão Europeia, que avançou 6,6 pontos, até o patamar de 82,3 em julho.


BRASIL:

Mercados… Sem destaques econômicos sobre a economia real para dar norte para as decisões de investimento, o índice Bovespa operou em linha com as bolsas americanas. No mercado cambial, o tumulto marcou as negociações em torno da moeda americana. Por um lado, a divulgação do resultado primário do governo, ao frustrar expectativas, pressionou o risco pais e induziu um alta na demanda por divisa americana. Na outra ponta, a derrocada do PIB americano (vide Cenario Externo) promoveu um movimento na direção contrária, forçando uma baixa na cotação da moeda americana. No mercado de taxas, os juros operaram predominantemente em queda, acompanhando o leilão do Tesouro Nacional que ampliou a demanda por títulos e derrubou as taxas. Sem muito mais espaço para fechar, espera-se que um movimento de reprecificação altista – decorrente das surpresas fiscais como a de hoje – pressionem as taxas, principalmente ao longo da parte mais longa.

Finanças Públicas… O Tesouro Nacional divulgou hoje as contas referentes ao resultado primário do governo central em junho. Como era de se esperar, a expansão de gastos e simultânea queda na arrecadação de tributos, ambas ocasionadas pela pandemia, forçaram uma alta vertiginosa na relação dívida/PIB. No mês de junho, o déficit primário alcançou 6,1% do PIB (R$ -194,7 bilhões), evidenciado a enorme queda na receita (como proporção do PIB) – puxada principalmente pela redução na arrecadação do IOF e dos Pis/Cofins – e expansão de gastos com extensão de diversas medidas de combate à crise. Como proporção do PIB, a receita total do governo federal recuou -30,1% em termos reais para 21,2%, ao passo que as despesas avançaram em 144,0% para 24,1%. Divulgados uma semana antes da reunião do Copom, estes dados são de extrema importância, uma vez que seguem refletindo a deterioração do quadro fiscal – fator relevante para a determinação do prolongamento do estímulo monetário proporcionado pelo BCB.

Localiza… Após divulgação de fortes resultados, acima da expectativa do mercado, a companhia encerrou o dia com alta de mais de 11%. Seu balanço mostrou queda de quase 32% da receita líquida, diminuição de 13% do Ebitda e baixa de 52,7% do lucro líquido. Com base nos dados publicados, as expectativas para a reabertura gradual passam a ser ainda mais positivas.

Pão de Açúcar… A empresa apresentou um dos piores desempenhos no pregão desta quinta-feira, logo após divulgação de seus resultados. Apesar de ter apresentado um crescimento robusto de vendas de mesmas lojas no período, o resultado do multivarejo veio abaixo daquele divulgado pelo Carrefour, estimulando investidores a migrarem suas posições.

Equipe Econômica

Conrado Magalhães
c[email protected]

Alejandro Ortiz Cruceno
[email protected]

Victor Beyruti Guglielmi
[email protected]

“Este relatório foi elaborado pela Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores, para uso exclusivo e intransferível de seu destinatário. Este relatório não pode ser reproduzido ou distribuído a qualquer pessoa sem a expressa autorização da Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores. Este relatório é baseado em informações disponíveis ao público. As informações aqui contidas não representam garantia de veracidade das informações prestadas ou julgamento sobre a qualidade das mesmas e não devem ser consideradas como tal. Este relatório não representa uma oferta de compra ou venda ou solicitação de compra ou venda de qualquer ativo. Investir em ações envolve riscos. Este relatório não contêm todas as informações relevantes sobre a Companhias citadas. Sendo assim, o relatório não consiste e não deve ser visto como, uma representação ou garantia quanto à integridade, precisão e credibilidade da informação nele contida. Os destinatários devem, portanto, desenvolver suas próprias análises e estratégias de investimentos. Os investimentos em ações ou em estratégias de derivativos de ações guardam volatilidade intrinsecamente alta, podendo acarretar fortes prejuízos e devem ser utilizados apenas por investidores experientes e cientes de seus riscos. Os ativos e instrumentos financeiros referidos neste relatório podem não ser adequados a todos os investidores. Este relatório não leva em consideração os objetivos de investimento, a situação financeira ou as necessidades específicas de cada investidor. Investimentos em ações representam riscos elevados e sua rentabilidade passada não assegura rentabilidade futura. Informações sobre quaisquer sociedades, valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros objeto desta análise podem ser obtidas mediante solicitações. A informação contida neste documento está sujeita a alterações sem aviso prévio, não havendo nenhuma garantia quanto à exatidão de tal informação. A Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores ou seus analistas não aceitam qualquer responsabilidade por qualquer perda decorrente do uso deste documento ou de seu conteúdo. Ao aceitar este documento, concorda-se com as presentes limitações.Os analistas responsáveis pela elaboração deste relatório declaram, nos termos do artigo 21 da Instrução CVM nº.598/2018, que: (I) Quaisquer recomendações contidas neste relatório refletem única e exclusivamente as suas opiniões pessoais e foram elaboradas de forma independente, inclusive em relação à Guide Investimentos S.A. Corretora de Valores.“
Bitnami