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Carteira Valor | Novembro/2021

Tempo de leitura: 10 minutos

A Carteira Valor encerrou o mês de outubro no campo negativo, ficando abaixo do seu índice de referência (Ibovespa).

Domesticamente, a situação é bastante delicada: apesar da vacinação avançada e reabertura da economia atuando como importantes ventos em popa para a retomada econômica, o risco fiscal pesou bastante para os papeís do principal índice da bolsa, e o crescimento deve seguir prejudicado pela inflação corrente elevada (redução do poder de compra), a alta das taxas juros/aperto das condições financeiras – tanto na ponta curta da curva pela persistência inflação como na longa pela elevada incerteza na fronte política/fiscal –  e a forte incerteza relacionada à crise hídrica (ainda podendo haver racionamento).

O papel com a melhor performance no mês foi a JBS e a maior queda foi a da 3R Petroleum.

Para Novembro

Com relação às incertezas do cenário político/fiscal, enfatizamos a necessidade da aprovação da reforma do IR no Senado e da PEm outubro os ativos  voltaram a descolar da dinâmica favorável do exterior, onde uma forte deterioração da percepção de risco fiscal fez com que os juros futuros abrissem agressivamente, o real registrasse forte depreciação frente ao dólar e a bolsa entregasse mais de 10 mil pontos no mês. O principal pivot para este movimento foi a solução encontrada pelo governo, meio à pressão do governo pela aprovação do Auxílio Brasil de R$ 400 em Brasília, que envolve incluir uma mudança no teto de gastos dentro do texto da PEC dos Precatórios, atualmente em trâmite na Câmara dos Deputados.

A mudança prevê a alteração da janela de coleta do IPCA que serve como ajuste para o teto todo ano. Hoje, a inflação considerada é a variação do IPCA de julho a junho do ano seguinte.  A mudança propõe que seja considerado o IPCA acumulado no ano (de janeiro a dezembro), de forma que um espaço de mais de R$ 80 bilhões seja criado em 2022. Naturalmente, a alteração da regra que simboliza a principal ancora fiscal do país não foi bem recebida pelo mercado, que passou a descredibilizar a medida. Afinal, de que vale um limitador de gastos se mais “espaço” pode ser criado pelo Congresso quando convêm – vale lembrar que 2022 é ano de eleições.

A incerteza, no entanto, não cessou por aí. Com dificuldades para angariar os votos para a aprovação da PEC no plenário da Câmara, o que fez com que a votação fosse postergada em duas oportunidades na última semana do mês, a possibilidade da extensão do auxílio emergencial através de um decreto de calamidade pública voltou a ser ventilado em Brasília.

Em resposta à maior assimetria do balanço de riscos para a inflação decorrente da incerteza quanto à trajetória fiscal, o Banco Central decidiu por elevar a taxa Selic em 1,50 pontos percentuais, para 7,75% a.a. prevendo outro ajuste de mesma magnitude para a reunião do Copom de dezembro.

Apesar dos principais bancos centrais do mundo já estarem se preparando para reduzir estímulos, a mensagem principal tem sido mais dovish, em que a transitoriedade dos fatores que pressionam a inflação tem sido ressaltada e uma eventual alta dos juros – tanto na Europa como nos EUA – tem sido afastada pelas autoridades monetárias. Em outras palavras, mesmo que passemos a verificar um ajuste no ritmo de compras dos programas de QE nas economias desenvolvidas, a política monetária deverá permanecer acomodatícia (juros próximos das mínimas) por mais tempo.

Desta forma, o investidor entra novamente em um novo mês com pouca visibilidade sobre a andar da política fiscal, fato que deve continuar sustentando um ambiente desfavorável para ativos de risco.

Comentários e Recomendações

BTG Pactual Units (BPAC11)

O BTG Pactual é um dos principais bancos de investimento do país e da América Latina, possuindo uma das maiores custódias em gestão de patrimônio e escritórios associados.

Atualmente, o banco busca por maior diversificação de receitas visando diversos setores como Investment Banking, Corporate Banking, Asset Management, Private Equity e forte digitalização de seus serviços.

Vemos o banco muito bem posicionado no cenário nacional, apresentando forte e consistente ritmo de novas captações, monetização de seus produtos digitais e ganho de eficiência em áreas estratégicas e tradicionais de atuação (Sales & Trading, Wealth Management e Corporate Banking). Além disso, a companhia busca explorar novos mercados de atuação, possuindo grande Market share e expertise no mercado financeiro brasileiro.

Gerdau PN (GGBR4)

Gerdau opera na produção e comercialização de produtos de aço em usinas localizadas em toda América Latina. A companhia é líder em Market share nas Américas, além de ser uma das maiores fornecedoras mundiais de componentes de aço para o setor automotivo.

A Gerdau opera majoritariamente no mercado de aço longo, tendo maior demanda do setor automotivo, além de ser uma das maiores recicladoras de aço do mundo. A companhia possui aproximadamente 39 usinas espalhadas pelo mundo, mas principalmente na américa, sendo a vigésima terceira maior produtora de aço em escala global.

Na conferencia sobre o 3T21, o management demonstrou otimismo sobre as tendências gerais da demanda no mercado doméstico, observando que a forte demanda de novos projetos de infraestrutura poderia compensar um ligeiro declínio potencial no segmento de varejo em 2022. A Gerdau segue registrando sólidas margens, com destaque especial para a operação norte-americana, com margem EBITDA de 25%, e que deve permanecer em níveis bastante saudáveis nos próximos trimestres.

Acreditamos no potencial de Gerdau para a carteira devido a dinâmica favorável de preços no mercado global, forte demanda de insumos da construção civil no âmbito doméstico e forte posicionamento setorial nacional devido a liderança em Market share.

Itaú Unibanco PN (ITUB4)

 Itaú Unibanco reportou um resultado em linha com consenso, com um forte aumento em relação ao ano passado, apesar da fraca base comparativa de 2020. Os principais motivos para a alta foram em virtude de sua maior participação na frente digital, além de um aumento na receita com tarifas, gestão de ativos e bom momento do mercado de capitais. O banco ainda revisou o seu guidance para cima, com aumento em sua carteira de crédito previsto para este ano.

Vemos um cenário positivo para a expansão de crédito no segundo semestre, com destaque para os segmentos de pessoas físicas e PMEs. Devemos ver ainda um avanço nas receitas de serviços, com destaque para cartões, apesar da maior competição no setor.

Ressaltamos que o setor passa por diversos desafios: (i) maior concorrência, com novos entrantes no setor, desde fintechs à bancos digitais; (ii) Open Banking, que forçaria os bancos a disponibilizarem informações, quando solicitada pelo cliente, o que pode afetar uma das principais barreiras de entrada; (iii) CSLL de bancos subindo de 20% para 25% aprovada em julho.

Olhando para frente, alguns triggers que sustentam nossa recomendação: (i) Banco Central aprovou cisão de participação na XP, destravando valor com a distribuição das ações da plataforma para os atuais acionistas; (ii) perspectiva de manutenção de dividendos em patamares atrativos: (iii) possíveis aquisições, visto que o banco possui um ótimo histórico de M&A.

JBS ON (JBSS3)

A JBS é uma das maiores empresas de alimentos do mundo, líder global em diversos segmentos em que atua, e possui em seu portfólio global as marcas Friboi, Seara, Swift, Primo, Pilgrim’s Pride, Moy Park, Just Bare, entre outras.

A empresa possui unidades produtivas e escritórios comerciais em mais de 20 países, e operação verticalizada, que inclui o abate (bovinos, suínos, aves, entre outros), frigorificação, industrialização e comercialização de alimentos, além de atender a mais de 275 mil clientes em aproximadamente 190 países.

No 2T21, reportou receita líquida consolidada de R$85,6 bilhões, o que representa um aumento de 26,7% em relação ao 2T20, com destaque para o crescimento registrado nas unidades JBS Brasil, Pilgrim’s Pride e Seara, com crescimento de 46%, 27% e 40% respectivamente.

Estamos confiantes em relação a operação da empresa, que vem reportando robustos resultados operacionais e geração de caixa, além de boa alocação de capital excedente. Vemos a JBS sendo negociada a um valuation atrativo e esperamos possíveis novas aquisições ao longo dos próximos meses.

3R Petroleum ON (RRRP3)

A 3R Petroleum atua dentro do setor de óleo e gás e adota estratégia de crescimento similar a da PetroRio (PRIO3), focada especialmente na revitalização e redesenvolvimento de campos maduros localizados em terra e águas rasas. A companhia espera, ao longo dos próximos anos, se desenvolver através do crescimento orgânico dos seus ativos, somado a possíveis oportunidades de compra presentes no plano de desinvestimentos da Petrobras.

Acreditamos que o setor como um todo deva enfrentar um tendência positiva ao longo dos próximos meses, após períodos de alta oscilação do preço do barril de petróleo durante a pandemia. Ainda, a retomada do setor de transportes deve impulsionar o aumento da demanda pela commodity.

No 2T21, a petrolífera apresentou bom resultado, impulsionado pelo polo Macau, atingindo um recorde de produção. A receita atingiu R$ 152,8 milhões, uma alta de 15,1% no trimestre e um Ebitda de R$ 89,3 milhões, representando alta de 12,% e margem Ebitda estável. Vemos como principais triggers para os próximos meses, a operação do Polo Rio, que se tornou o segundo ativo operado pela companhia em julho, além da aquisição do polo de Papa-Terra, que ainda aguarda a certificação de reservas.

Destacamos ainda algumas oportunidades do ativo: (I) custos e despesas inferiores à média do mercado, devido ao fato de a 3R operar em terra ou plataformas automatizadas sem tripulação fixa; (II) primeiro IPO da B3 de uma empresa de óleo e gás com foco em campos maduros e sem viés exploratório; e (III) plano de negócios guiado por fatores ESG.

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