Carteira Valor | Outubro/2021

Tempo de leitura: 11 minutos

A Carteira Valor encerrou o mês de setembro no campo negativo, ficando abaixo do seu índice de referência (Ibovespa). Domesticamente, a situação é ainda delicada: a vacinação avançada e reabertura continuam atuando como principais ventos em popa para a retomada econômica, mas o crescimento deve seguir prejudicado pela inflação corrente elevada (redução do poder de compra), a alta das taxas juros/aperto das condições financeiras – tanto na ponta curta da curva pela persistência inflação como na longa pela elevada incerteza na fronte política/fiscal –  e a forte incerteza relacionada à crise hídrica (ainda podendo haver racionamento).

O papel com a melhor performance no mês foi a 3R Petroleum e a maior queda foi de Americanas SA.

Para Outubro

Com relação às incertezas do cenário político/fiscal, enfatizamos a necessidade da aprovação da reforma do IR no Senado e da PEC dos precatórios (ainda na Câmara) para que o governo consiga financiar o Auxílio Brasil – caso contrário, o aumento do IOF pode ser prorrogado (impacto negativo sobre o crescimento do crédito). No pano de fundo, também existem rumores de que o governo possa estender o auxílio emergencial até abril de 2022.

Desta forma, optamos por revisar novamente nossa projeção para o PIB de 2021 de 5,0% para 4,8% e nossa projeção para o PIB de 2022 de 2,0% para 1,7%. Pelos mesmos motivos, seguimos menos otimistas com uma retomada mais robusta do mercado acionário no curto-prazo, mesmo ao levar em consideração um patamar de preços mais atrativo.

A situação delicada do ambiente inflacionário do país foi novamente ilustrada pela leitura “salgada” do IPCA-15 em setembro. O movimento de reabertura da economia (a inflação de serviços se manteve pressionada, apesar da leve desaceleração na margem), a manutenção de preços elevados no mercado de commodities e a permanência de disrupções do lado da oferta seguiram pressionando a inflação em diversas frentes (o índice de difusão do indicador segue elevado) e não dão sinais de arrefecimento no curto prazo. Junto desses fatores, a elevação do custo de energia em função da crise hídrica ainda promete pesar sobre o bolso do brasileiro nas próximas leituras – segundo a ONS, o ritmo de chuvas deverá se manter abaixo da média em outubro e novembro.

Desta forma, esperamos uma alta na ordem de 1,05% do IPCA de setembro na margem. Olhando para o ano cheio, projetamos um IPCA na casa dos 8,80%.

No que tange a política monetária, o BC seguiu em frente com o sinalizado por Roberto Campos Neto na semana passada, confirmando a alta de 1 p.p. cheio da taxa Selic em setembro. Adicionalmente, o comunicado já nos trouxe a intenção do Copom de sustentar esse ritmo de aperto em novembro – e, muito provavelmente, em dezembro – na falta de novas surpresas. 

Assim como dito por RCN, o fato de a comunicação não trazer a possibilidade de um aperto no ritmo de alta dos juros reforçou que “o BC não irá reagir a cada dado de alta frequência divulgado” – sinalização que pode até ser recebida como mais dovish pelo mercado frente ao “balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva” e a piora tanto quantitativa quanto qualitativa dos últimos dados de inflação (a difusão do IPCA superou 70% em agosto).Não obstante, o comitê voltou a reforçar seu compromisso com as metas de inflação, deixando portas abertas para elevar a Selic para níveis mais contracionistas – algo que também foi sinalizado por Campos Neto na semana anterior.

Comentários e Recomendações

Itaú Unibanco PN (ITUB4)

Itaú Unibanco reportou um resultado em linha com consenso, com um forte aumento em relação ao ano passado, apesar da fraca base comparativa de 2020. Os principais motivos para a alta foram em virtude de sua maior participação na frente digital, além de um aumento na receita com tarifas, gestão de ativos e bom momento do mercado de capitais. O banco ainda revisou o seu guidance para cima, com aumento em sua carteira de crédito previsto para este ano.

Vemos um cenário positivo para a expansão de crédito no segundo semestre, com destaque para os segmentos de pessoas físicas e PMEs. Devemos ver ainda um avanço nas receitas de serviços, com destaque para cartões, apesar da maior competição no setor.

Ressaltamos que o setor passa por diversos desafios: (i) maior concorrência, com novos entrantes no setor, desde fintechs à bancos digitais; (ii) Open Banking, que forçaria os bancos a disponibilizarem informações, quando solicitada pelo cliente, o que pode afetar uma das principais barreiras de entrada; (iii) CSLL de bancos subindo de 20% para 25% aprovada em julho.

Olhando para frente, alguns triggers que sustentam nossa recomendação: (i) Banco Central aprovou cisão de participação na XP, destravando valor com a distribuição das ações da plataforma para os atuais acionistas; (ii) perspectiva de manutenção de dividendos em patamares atrativos: (iii) possíveis aquisições, visto que o banco possui um ótimo histórico de M&A.

JBS ON (JBSS3)

A JBS é uma das maiores empresas de alimentos do mundo, líder global em diversos segmentos em que atua, e possui em seu portfólio global as marcas Friboi, Seara, Swift, Primo, Pilgrim’s Pride, Moy Park, Just Bare, entre outras.

A empresa possui unidades produtivas e escritórios comerciais em mais de 20 países, e operação verticalizada, que inclui o abate (bovinos, suínos, aves, entre outros), frigorificação, industrialização e comercialização de alimentos, além de atender a mais de 275 mil clientes em aproximadamente 190 países.

No 2T21, reportou receita líquida consolidada de R$85,6 bilhões, o que representa um aumento de 26,7% em relação ao 2T20, com destaque para o crescimento registrado nas unidades JBS Brasil, Pilgrim’s Pride e Seara, com crescimento de 46%, 27% e 40% respectivamente.

Estamos confiantes em relação a operação da empresa, que vem reportando robustos resultados operacionais e geração de caixa, além de boa alocação de capital excedente. Vemos a JBS sendo negociada a um valuation atrativo e esperamos possíveis novas aquisições ao longo dos próximos meses.

Rede D’Or ON (RDOR3)

A Rede D’Or é líder no mercado hospitalar privado brasileiro e no 2T21 contava com 9.611 leitos totais, sendo 91% dos leitos operacionais distribuídos em 58 hospitais, além de ter a maior rede integrada de tratamento oncológico do País, segundo a própria companhia.

No 2T21 a empresa registrou um resultado positivo, ficando acima do consenso, mesmo com a base de calculo, que no ano passado foi impactada pela pandemia da Covid.

O crescimento orgânico e inorgânico acelerado faz parte do seu histórico e de outubro de 2020 a junho de 2021 foram anunciadas aquisições de participações em 12 hospitais, incluindo em três novos estados e adicionando 1.637 leitos ao grupo.

Entre aquisições importantes no trimestre passado foram anunciadas as compras dos hospitais Proncor (MS) e do Santa Emília (BA).

Seguimos confiante em Rede D’Or que deve continuar a apresentar resultados sólidos e demonstrar resiliência em virtude de sua solidez e do setor em que atua.

3R Petroleum ON (RRRP3)

A 3R Petroleum atua dentro do setor de óleo e gás e adota estratégia de crescimento similar a da PetroRio (PRIO3), focada especialmente na revitalização e redesenvolvimento de campos maduros localizados em terra e águas rasas. A companhia espera, ao longo dos próximos anos, se desenvolver através do crescimento orgânico dos seus ativos, somado a possíveis oportunidades de compra presentes no plano de desinvestimentos da Petrobras.

Acreditamos que o setor como um todo deva enfrentar um tendência positiva ao longo dos próximos meses, após períodos de alta oscilação do preço do barril de petróleo durante a pandemia. Ainda, a retomada do setor de transportes deve impulsionar o aumento da demanda pela commodity.

No 2T21, a petrolífera apresentou bom resultado, impulsionado pelo polo Macau, atingindo um recorde de produção. A receita atingiu R$ 152,8 milhões, uma alta de 15,1% no trimestre e um Ebitda de R$ 89,3 milhões, representando alta de 12,% e margem Ebitda estável. Vemos como principais triggers para os próximos meses, a operação do Polo Rio, que se tornou o segundo ativo operado pela companhia em julho, além da aquisição do polo de Papa-Terra, que ainda aguarda a certificação de reservas.

Destacamos ainda algumas oportunidades do ativo: (I) custos e despesas inferiores à média do mercado, devido ao fato de a 3R operar em terra ou plataformas automatizadas sem tripulação fixa; (II) primeiro IPO da B3 de uma empresa de óleo e gás com foco em campos maduros e sem viés exploratório; e (III) plano de negócios guiado por fatores ESG.

Weg ON (WEGE3)

Sustentamos nossa recomendação em Weg, que possui como principais destaques: (i) a expansão contínua no cenário externo, através de acordos locais ou M&A; (ii) ganho contínuo de market share; (iii) retomada da economia brasileira; (iv) posicionamento de liderança como fornecedor no segmento de GTD (Geração, Transmissão e Distribuição de Energia).

A empresa tem mostrado boa performance dentro do setor industrial nos últimos anos. Sua receita tem sido beneficiada pela depreciação do real, que segue crescendo como reflexo do cenário externo frente ao coronavírus, pela recuperação da demanda industrial e pelo crescimento do mercado. Além disso, a companhia veem se beneficiando de uma expansão na sua margem Ebitda, em função dos ganhos de eficiência em função da adoção de práticas da Indústria 4.0. A companhia não reduziu seu ritmo de investimentos durante a recente crise, gerando nesse momento uma vantagem competitiva em relação aos players locais.

A empresa tem um mix de produtos diversificado, e vem ganhando bastante reconhecimento da marca e possui um grande potencial no segmento de GTD. Além disso a companhia ainda vê potencial nos segmentos de petróleo e gás, mineração, saneamento.

Quando se trata de inovação e sustentabilidade, a Weg se destaca por seu modelo de negócio, que cresce através de soluções de fontes renováveis de energia, práticas de eficiência energética e produtos e soluções com menor impacto ambiental, como a linha de motores elétricos e inversores de frequência para tração elétrica que a cia desenvolve. A empresa também é um dos principais players do mercado brasileiro de energia eólica e atua no fornecimento de soluções completas para geração hidrelétrica.

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