Carteira Valor | Setembro/2021

Tempo de leitura: 10 minutos

A Carteira Valor encerrou o mês de agosto no campo negativo, ficando bastante abaixo do seu índice de referência (Ibovespa). Domesticamente, ativos de risco continuaram sendo penalizados, em boa parte, pelo ressurgimento do risco fiscal. O índice Bovespa acumulou queda durante o mês, as taxas de juros de longo prazo – com destaque para o DI 27 – abriram abruptamente, o dólar operou de forma extremamente volátil e o risco-país, medido pelo CDS de cinco anos, se manteve em patamar elevado. 

O papel com a pior performance no mês foi a Méliuz.

Para Setembro

Pesaram sobre as expectativas as enormes incertezas relacionadas ao modelo de pagamento dos precatórios proposto pelo governo, que previa um parcelamento decenal aliado à criação de um fundo extra-teto para executar o pagamento desta despesa, fomentando o sentimento de que a principal âncora fiscal poderia estar sendo ameaçada. Paralelamente, anseios populistas em torno da expansão do bolsa família e de uma reforma do IR potencialmente deficitária adicionaram ao risco fiscal, potencializando as preocupações supracitadas. Por fim, porém não menos importante, o ambiente institucional continuou tensionado, com Bolsonaro emitindo um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes do STF. 

No que diz respeito à atividade, dados também expressaram sinais mistos. Indústria e varejo, impactados pela aceleração da inflação e pelos gargalos de oferta, decepcionaram nas leituras mais recentes. Na contramão, o setor de serviços, beneficiado pela reabertura da economia, seguiu em processo de recuperação, assim como o emprego formal, que também registrou ganhos notáveis. Na fronte da inflação, dados continuaram expressando um ambiente de preços deteriorado. A economia continua sentido com força os efeitos secundários dos sucessivos choques de oferta que tem se materializado, dado cada vez mais razão para o processo de normalização da taxa Selic, que ruma, em nossa opinião, para um patamar de 8% ao final do ano. 

Para setembro, entendemos que a saga dos precatórios continuará tomando conta dos holofotes. Até que não seja devidamente resolvida, tenderá a retrair, junto com a alta da taxa básica, o apetite pelo risco da renda variável. Não antevemos uma resolução tão rapidamente, de tal forma que os mercados continuarão sujeitos a baques de volatilidade ao longo do mês. Ainda assim, como vemos a reforma do IR sendo provavelmente abandonada, entendemos que este mês pode contar com, pelo menos, uma incerteza a menos.

Comentários e Recomendações

Americanas ON (AMER3)

A companhia é fruto da fusão entre B2W com Lojas Americanas, após aprovação em Assembleia Geral Extraordinária neste ano, e que começou a ser negociada em 19/7. A integração trará sinergias, por meio de aceleração do modelo omnichannel e melhora da experiência do usuário. Outras formas de criação de valor é a visão única de estoques e de clientes, que deve ser otimizada, aliada à já mencionada maior agilidade na entrega de produtos. Além disso, a empresa pretende aumentar sua visibilidade global, por meio de uma listagem nos Estados Unidos em 2022.

Como pontos importantes, (i) a nova empresa deve destravar valor através da já bem executada estratégia O2O existente entre B2W e Lojas Americanas com o foco em geração de caixa e a busca de ganhos de rentabilidade trazidos pelas Lojas Americanas; (ii) capilaridade das lojas físicas deve impulsionar a capacidade logística do novo grupo; (iii) mais oportunidades de avaliar e integrar novas aquisições; (iv) crescimento da AME Digital, pode ampliar a oferta de produtos e serviços financeiros, possibilitando que a companhia explore novos negócios compatíveis com os objetivos atuais da Americanas, bem como de ampliar seu mercado endereçável.

Apesar de possíveis volatilidades no curto-prazo, acreditamos que a nova empresa deva ter um forte crescimento no seu GMV (volume bruto de mercadorias) online, além da reabertura da economia, o que impulsionará as vendas no seu varejo físico.

Acreditamos que, apesar do GMV apresentar crescimento inferior em relação aos seus concorrentes, a companhia está em processo de integração e possui grandes sinergias a aproveitar, que a mais recente aquisição, o Natural da Terra.

Dasa ON (DASA3)

A Dasa é a maior rede de saúde integrada do Brasil e tem a posição de líder em medicina diagnóstica no Brasil. É composta por um grupo de unidades de medicina diagnóstica presentes em todo o país e um grupo hospitalar, com mais de 40 marcas de laboratórios, hospitais e centros médicos.

O grupo apresentou resultados operacionais fortes, além de importantes aquisições, como o Grupo Carmo no segmento de hospitais. O segmento de oncologia e hospital apresentou performance que merecem destaque no período, sendo impulsionado pela adição de leitos, aumento organico significativo em virtude de hospitalizações por Covid e a retomada de procedimentos eletivos, e por fim, um aumento de ticket médio.

A Dasa tem realizado diversas aquisições, ultrapassando a sua agenda de M&A planejada para 2021. Alem disso, ela continua desenvolvendo a sua plataforma digital, com melhora na integração entre as marcas do portfólio do grupo, dados, produtos, serviços e vidas.

Acreditamos que a empresa ainda possa realizar aquisições oportunas nos próximos meses, ao mesmo tempo que deve ter significativo ganho organico, com a incorporação das recentes compras no trimestre, como o Hospital da Bahia, adquirido em junho por R$ 850 milhões. Vemos a empresa descontada em relação aos seus pares consolidadores de saúde.

GPS ON (GGPS3)

O grupo GPS, que opera desde 1962, é líder e maior player nacional do pulverizado setor de prestação de serviços integrados, que incluem soluções de facilities, segurança, logística indoor, serviços de engenharia e manutenção industrial a mais de 2.700 clientes em 21 estados, e aproximadamente cem mil funcionários.

No 2T21, houve crescimento de receita líquida de 37% ante o mesmo período de 2020. A maior contribuição para esse crescimento provém dos movimentos inorgânicos, que ainda deve ser alavancado com as cinco aquisições recentes e a nova anunciada em 11 de agosto. Destaque para a diminuição da alavancagem com a entrada dos recursos do IPO, de R$ 668 milhões líquidos, o que levou o indicador dívida líquida/EBITDA de 1,7x no 1T21 para 0,4x no 2T21.

A companhia anunciou diversas aquisições recentemente e vemos como o principal trigger da companhia a continuidade em M&A e integração das aquisições recentes em seu resultado.

Méliuz ON (CASH3)

A Méliuz foi a primeira companhia a oferecer o conceito de cashback, que vem se tornando cada vez mais frequente entre bancos. Por ter sido pioneira, a empresa detém grande expertise no assunto, o que a permite oferecer seu serviço no mercado de maneira bastante atrativa (através da estratégia ganha-ganha).

Fundada em 2011, seu business consiste em conectar as maiores varejistas brasileiras a seu programa de cashback em seu marketplace. A empresa conta, atualmente, com uma base bastante fidelizada e robusta, totalizando 10 milhões de clientes, dentre os quais 1,7 milhões são ativos.

Ainda, a empresa opera desde 2019 com serviços financeiros, oferecendo cartões de crédito Méliuz através de uma parceria com o Banco Pan, que atua como responsável pela emissão e aprovação de crédito para os clientes, poupando a Méliuz do risco.

A companhia trabalha através do modelo de asset-light, no qual a empresa possui poucos funcionários e nenhum estoque ou ativo imobilizado. Desse modo, seus parceiros são responsáveis tanto pela venda de seus produtos quanto pela prestação de serviços.

Por fim, destacamos o alto crescimento que a Méliuz vem apresentando ao longo dos últimos anos, com o volume geral de vendas (GMV) tendo sido multiplicado por 10x aos longo dos últimos cinco anos, concomitante ao aumento da receita bruta em 77% durante o mesmo período. Em julho, a empresa realizou um follow-on, captando R$ 427 milhões, que serão usados na ampliação do marketplace, serviços financeiros e oportunas operações de M&A.

3R Petroleum ON (RRRP3)

A 3R Petroleum atua dentro do setor de óleo e gás e adota estratégia de crescimento similar a da PetroRio (PRIO3), focada especialmente na revitalização e redesenvolvimento de campos maduros localizados em terra e águas rasas. A companhia espera, ao longo dos próximos anos, se desenvolver através do crescimento orgânico dos seus ativos, somado a possíveis oportunidades de compra presentes no plano de desinvestimentos da Petrobras.

Acreditamos que o setor como um todo deva enfrentar um tendência positiva ao longo dos próximos meses, após períodos de alta oscilação do preço do barril de petróleo durante a pandemia. Ainda, a retomada do setor de transportes deve impulsionar o aumento da demanda pela commodity.

No 2T21, a petrolífera apresentou bom resultado, impulsionado pelo polo Macau, atingindo um recorde de produção. A receita atingiu R$ 152,8 milhões, uma alta de 15,1% no trimestre e um Ebitda de R$ 89,3 milhões, representando alta de 12,% e margem Ebitda estável. Vemos como principais triggers para os próximos meses, a operação do Polo Rio, que se tornou o segundo ativo operado pela companhia em julho, além da aquisição do polo de Papa-Terra, que ainda aguarda a certificação de reservas.

Destacamos ainda algumas oportunidades do ativo: (I) custos e despesas inferiores à média do mercado, devido ao fato de a 3R operar em terra ou plataformas automatizadas sem tripulação fixa; (II) primeiro IPO da B3 de uma empresa de óleo e gás com foco em campos maduros e sem viés exploratório; e (III) plano de negócios guiado por fatores ESG.

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Luis Sales – CNPI
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