Carteira Valor | Maio/2021

Tempo de leitura: 9 minutos

A Carteira Valor encerrou o mês de Abril no campo positivo, acima do seu índice de referência (Ibovespa). O mês foi novamente marcado por uma fuga dos estrangeiros da B3 devido ao aumento do risco político Ativos domésticos reagiram positivamente ao longo do mês, principalmente, devido ao desfecho em torno do imbróglio do orçamento. Após semanas em negociações com o Congresso, Bolsonaro promoveu vetos e bloqueios ao orçamento de forma a adequá-lo ao teto de gastos, respeitando a principal âncora fiscal do país. O fato de que Lira prometeu celeridade às reformas administrativa e tributária também ajudou a sustentar um sentimento menos avesso ao risco.

O destaque positivo da carteira no mês foram as ações de Pão de Açúcar, em meio a noticias de que o controlador da companhia, o Grupo Casino prepara uma nova reorganização societária envolvendo a participação na companhia Cdiscount no qual PCAR3 possui uma participação relevante. Além disso, a companhia anunciou a distribuição de dividendos robustos no período.

Para Maio

As atenções em maio devem permanecer em torno da temporada de resultados das empresas referente ao primeiro trimestre de 2021 e os embates de Brasília. Com a aprovação do orçamento, devemos acompanhar um mês movimentado em torno dos debates em relação à Reforma Administrativa, Tributária e a CPI da Covid.

Acreditamos que o avanço da vacinação nos Estados Unidos deverá continuar contribuindo para com o bom humor do mercado norte-americano tal como a aceleração da atividade econômica da região. No Brasil o ritmo de vacinação vem, aos trancos e barrancos, crescendo, mas alertamos que incertezas acima do usual deverão se manter – principalmente no que se refere ao possível efeito que a CPI da Covid pode exercer no trâmite das reformas estruturais.

Com relação a carteira, optamos por retirar os ativos do Pão de Açúcar e PetroRio, para dar entrada em Braskem e Oi. Nossas trocas visam adequar a carteira ao cenário atual, reduzindo a correlação com índice Ibovespa com foco em geração de alfa em nomes que acreditamos que devem continuar a ter uma boa performance em bolsa.

Comentários e Recomendações

Braskem PNA (BRKM5)

Líder na produção de resinas termoplásticas (PE+PP+PVC) nas Américas, a Braskem é hoje a única companhia do setor petroquímico que é integrada no Brasil. Acreditamos que o cenário seja positivo para a empresa, dada a sua atuação global e a tendência de alta das commodities.

A companhia reportou fortes resultados referentes ao 4T20, com forte geração de caixa devido principalmente ao forte desempenho operacional recorrente. Seus números foram negativamente impactados pelo evento geológico de Alagoas, que ocasionou em grandes provisões, e ainda a desvalorização do câmbio, devido a sua exposição líquida. No entanto, a petroquímica reportou bons números, com grande aumento do volume de vendas de resinas e químicos no mercado local e forte resultado operacional recorrente, em meio ao aumento dos spreads (diferença entre preço de venda e custo) dos produtos petroquímicos.

Avaliamos que a Braskem deve continuar em uma tendência mais positiva para 2021, em meio a melhora do cenário internacional para os seus produtos. Em todo caso as provisões envolvendo Alagoas, e os riscos envolva a operação no México (suspeita de crimes envolvendo negociação no fornecimento de eteno) ainda podem deixar o papel pressionado. Porém, mesmo ponderando pelos riscos, nossa visão operacional é positiva e acreditamos que a exposição à empresa faz sentido mesmo após forte apreciação em 2021.

Outro ponto importante é a possibilidade de troca de controle da companhia, com a perspectiva de venda do controle por parte da Odebrecht e também da Petrobras. Vemos o movimento como positivo para trazer maior alinhamento de interesse entre o controlador e os acionistas minoritários.

Cemig PN (CMIG4)

A expectativa para os próximos anos é de melhora operacional e desalavancagem financeira da cia, sob o governo Zema, em meio a uma gestão mais profissionalizada. Sustentamos nossa recomendação: (i) programa de desinvestimento da Cia; (ii) melhora operacional dos últimos trimestres; e (iii) expectativa de desalavancagem financeira mais acelerada.

A desalavancagem financeira da Cemig segue como um dos principais drivers para o papel. Caso efetivado seu plano de desinvestimento, incluindo a venda de participações na Taesa e após realizar na Light, a empresa deve seguir destravando valor. A Cemig vem apresentando avanços em seu plano de desinvestimento, para reduzir seu endividamento, mantendo mais equilibrado com sua geração de caixa, além de apresentar perspectiva de pagamento de dividendos elevados.

Na teleconferência com analistas sobre o 4T20, a empresa anunciou que estuda investir neste ano um valor total de R$ 3,1 bilhões (vs. R$ 1,91 bilhão em 2020). Deste, R$ 2,32 bilhões serão aplicados na área de distribuição, R$ 276 milhões em transmissão, R$ 238 milhões em geração e R$ 250 milhões em aquisição. No ano de 2020, a empresa obteve geração de caixa equivalente a R$5,81 bilhões e encerrou o período com alavancagem (dívida líquida/Ebitda) de 1,28x, considerado confortável para que a empresa dê sequência a sua estratégia de crescimento.

Marfrig ON (MRFG3)

O frigorífico segue bem posicionado para aproveitar as oportunidades no âmbito internacional. A Febre Suína Africana dizimou grande parte do rebanho suíno na China, criando escassez global de proteína e abrindo oportunidade para doméstica e internacional para rentabilização da empresa. Mesmo com o início da recomposição do rebanho chinês, ainda avaliamos um cenário positivo par aas exportações.

Dentre os riscos, vemos o avanço da arroba do boi e dos grãos (grande parte do custo para a formação das proteínas) como um ponto de atenção no curto prazo. A necessidade de reajustes na ponta final são necessárias nos próximos meses para que a pressão sobre os custos se alivie.

No âmbito de inovação, a empresa segue investindo na criação de novos produtos, principalmente focando nos segmentos veganos. Além disso, a empresa se favorece da demanda aquecida por proteína também nos EUA.

Para o 2021, esperamos: (i) ciclo do boi positivo na operação dos EUA, favorecido também pela demanda local aquecida; (ii) foco em inovação em produtos com grande potencial de aceitação no mercado doméstico, com maior valor agregado e, por consequência, margens superiores; e (iii) exportações na América do Sul mais que compensando valor elevado da arroba brasileira.

Destacamos também o valuation atrativo em relação aos seus pares que os papéis são negociados.

Oi ON (OIBR3)

Avaliamos que o momento para a Oi segue bastante positivo. O resultado do 4T20, demonstrou que a companhia segue em seu processo de crescimento da operação de fibra (FTTH) de forma bastante agressiva, dobrando a sua operação em relação a 2019. Esperamos que essa tendência se mantenha para 2021 e a companhia acrescente mais 1,2 milhão de clientes na sua operação.

Outro ponto de destaque é a perspectiva de conclusão da venda da operação móvel da companhia, que será importante para reduzir a dívida da empresa e permitir que a companhia saia da recuperação judicial. A venda ainda depende do aval da Anatel e do Cade.

Mesmo no pior cenário, onde a venda das operações móveis não acontece, avaliamos que a companhia deva caminhar para o breakeven suas operações e começar a apresentar geração de caixa operacional positiva a partir de 2022.

A operação de fibra segue negociada a 6x EV/Ebitda projetado para 2021, com expectativa de crescimento de 50% na receita para ano. Avaliamos como bastante atrativo esse cenário.

Vale ON (VALE3)

Temos uma visão construtiva para a Vale. Ressaltamos o foco do management no controle de custos, além da contínua redução de capex e endividamento. Além disso, os preços de minério continuam em patamares elevados (fruto da menor oferta no mercado), enquanto a empresa negocia a múltiplos descontados.

Alguns triggers são: (i) forte valorização do minério no mercado internacional e (ii) a maior demanda da China por minério de maior qualidade; além (iii) das melhorias operacionais, reflexo da forte redução de custo caixa, deverão compensar tais efeitos negativos e queda de produção.

Outro ponto importante foi o recente acordo para indenizar o estado de Minas Gerais na tragédia de Brumadinho em 2019, no valor de R$ 37 bilhões, com parcelas previstas para os próximos anos, suavizando o impacto no caixa da companhia e permitindo manter o pagamento de dividendos em níveis elevados.

Avaliamos a entrada em Vale nesse momento a patamares interessantes, negociada a 3.5x EV/Ebitda, contra uma média de 5.0x do setor.

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